Vigilância, controle e correção. Análise dos discursos e práticas da assistência prestada pela Fundação Leão XIII a favelas cariocas entre 1947 e 1982
A presente dissertação possui como objeto os discursos e práticas de assistência
social fomentadas pela Fundação Leão XIII, entre os anos de 1947 e 1982. Perscruta
historicamente a trajetória oficial da referida instituição e examina, particularmente, o caso de
sua intervenção na favela da Rocinha. Objetiva analisar se a assistência prestada às
localidades faveladas auxiliou a refletir sobre o lugar ocupado pelas mesmas e por seus
habitantes dentro do espaço da cidade formal, ou seja, de que forma o padrão de integração
social vigente no Rio de Janeiro foi (re) pensado pelas ações desenvolvidas pela Leão XIII.
As principais tipologias de fontes que compõe seu corpus documental são relatórios
institucionais oficiais, periódicos de circulação diária e edições especiais e entrevistas
realizadas através da metodologia de História Oral. Duas hipóteses são desenvolvidas e
validadas neste trabalho, quais sejam, apesar de embasar suas práticas nos discursos de
inclusão dos moradores das localidades faveladas à cidade, a política oficial da Fundação
Leão XIII, estando verdadeiramente orientada para o exercício de um poder disciplinar e por
uma lógica assistencialista, que não objetivava garantir à população assistida um lugar
autônomo e isonômico, consolidou-se como um instrumento de controle e vigilância
sóciopolítica daqueles indivíduos. A segunda hipótese sustentada na dissertação considera
que, não obstante as referidas diretrizes oficiais, isso não impossibilitou que na Rocinha
funcionários da Fundação, que atuavam no Centro de Ação Social dentro da favela, tenham
procurado promover uma intervenção preocupada com melhorias não paliativas das condições
de vida dos moradores, que tangenciavam a luta pela conquista de direitos e afirmação da
cidadania dos mesmos.