Arte e estética

Aldir Blanc/João Bosco: arte e resistência

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Cleto, Ciley
Sexo
Mulher
Orientador
Tatit, Luiz Augusto de Moraes
Código de Publicação (DOI)
33002010103P3
Ano de Publicação
1996
Programa
Linguística
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Aldir Blanc
João Bosco
Canção de protesto
Música popular
Resumo

Esta dissertação contextualiza a dupla Aldir Blanc e João Bosco, na música popular brasileira de 1972 a 1986, observando sua poética no contexto sócio-político-cultural brasileiro, no período de auge da ditadura militar e da transição para o Estado democrático. Procura demonstrar que a produção musical da dupla ganhou fortes matizes ideológicos e apontou uma sintonia grande com o momento histórico. Considera que a obra de Aldir e João é o retrato do Brasil, visto do ponto de vista do oprimido, seja ele o trabalhador rural, o favelado, a mulher vulgar ou o próprio artista. Qualquer que fosse o enfoque adotado, as canções da dupla revelavam algumas intenções bem típicas daquele momento histórico: intenção de resistir, política e culturalmente, à ditadura militar, intenção de conscientizar a população brasileira a respeito do momento em que vivíamos. Enfim, a obra se configura como uma arte de resistência, um projeto assumidamente engajado. Seja na opção pelo gênero musical, seja pela visão carnavalizadora de Brasil, seja na busca da nacionalidade, o trabalho da dupla volta-se para uma clara direção: a de retratar criticamente a realidade brasileira, como forma de denúncia do regime ditatorial e de resistência a ele.

Autor do Resumo
Ciley Cleto
Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Métodos mistos
Referência Espacial
Cidade/Município
Rio de Janeiro
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Rio de Janeiro
Referência Temporal
1972-1986

As ações culturais e o espaço urbano: O caso do Complexo da Maré no Rio de Janeiro

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Seldin, Claudia
Sexo
Mulher
Orientador
Vaz, Lilian Fessler
Código de Publicação (DOI)
31001017103P1
Ano de Publicação
2008
Local da Publicação
Rio de Janeiro
Programa
Arquitetura e Urbanismo
Instituição
UFRJ
Página Inicial
1
Página Final
195
Idioma
Português
Palavras chave
Ações culturais
Cultura-cidade
Complexo da Maré
Equipamentos afirmativos de cultura
Resistência
Resumo

As "ações culturais" representam um fenômeno relativamente recente no cenário brasileiro, destacando-se dos projetos culturais convencionais por praticarem linguagens artístico-culturais variadas a partir dos espaços marginalizados da cidade e por privilegiarem o desenvolvimento social em detrimento do econômico. A presente dissertação tem como foco o estudo destas ações culturais, a definição de suas principais características e de sua relação com o espaço urbano, em especial com a cidade do Rio de Janeiro. Para ilustrar esta relação é abordada como estudo de caso a região da Maré - um complexo que abriga mais de 130 mil habitantes em dezesseis favelas. Apesar de constituir um espaço heterogêneo, dotado de valores, identidades e culturas diversas, a Maré ainda é amplamente identificada pelo viés da violência, da carência e da pobreza dentro do contexto carioca. Neste trabalho são aprofundadas três ações culturais locais que surgiram com o objetivo de quebrar estes estigmas, munindo-se de um forte caráter de afirmação e de resistência na tentativa de legitimar a cultura produzida nas favelas. Estes três exemplos - o Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré - CEASM (através do Museu da Maré), o Grupo de Capoeira Angola Ypiranga de Pastinha (através do Centro de Artes e Cultura Popular da Maré) e o Observatório de Favelas ainda conseguiram extrapolar seus objetivos iniciais, ultrapassando o nível da ação e propiciando a criação de equipamentos alternativos de cultura, que se destacam por constituírem novos pontos de referência para a população local.

Autor do Resumo
Autor
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Rio de Janeiro
Bairro/Distrito
Complexo da Maré
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Rio de Janeiro
Referência Temporal
Século XX - Século XXI
Localização Eletrônica
http://livros01.livrosgratis.com.br/cp078999.pdf

Empreendedorismo cultural nas margens da cidade

Tipo de material
Capítulo de Livro
Autor Principal
Tommasi, Lívia de
Sexo
Mulher
Código de Publicação (ISBN)
9788565679817
Ano de Publicação
2019
Idioma
Português
Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
Rio de Janeiro
Bairro/Distrito
Cidade de Deus
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Rio de Janeiro
Referência Temporal
2010-2015

Literatura brasileira contemporânea e mercado editorial: Um estudo do romance "Inferno" de Patrícia Melo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Casadore, Francisco Mariani
Sexo
Homem
Orientador
Martins, Gilberto Figueiredo
Código de Publicação (DOI)
33004048019P1
Ano de Publicação
2013
Programa
Letras
Instituição
UNESP
Página Inicial
1
Página Final
75
Idioma
Português
Palavras chave
Romance brasileiro contemporâneo
Literatura e mercado
Brutalismo
Violência e literatura
Patrícia Mello
Resumo

Na literatura brasileira produzida desde o fim do século XX, a violência urbana parece ser, sua temática com maior força de expressão. A crítica, no entanto, mostra-se dividida e, por vezes, acaba justificando a presença desta como um mecanismo – quase – obrigatório para atrair leitores e, dessa forma, estimular o mercado editorial. Patrícia Melo, autora de duas novelas, sete romances e um livro de contos, é constantemente aludida por sua prosa objetiva; a frieza que move seus personagens encontra comparação, com frequência, na obra produzida por Rubem Fonseca. Por fim, consolidou-se como escritora do gênero policial, o que afirma não ser. Neste trabalho, abordaremos essas questões dentro do cenário literário que vem se constituindo no início do século XXI e como a autora se insere nele. Para isso, revisitaremos os principais aspectos de sua obra Inferno (2000), romance que narra a trajetória que conduziu o menino Reizinho ao poder do tráfico no morro do Berimbau, favela onde cresceu.

Autor do Resumo
Francisco Mariani Casadore
Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Rio de Janeiro
Bairro/Distrito
Morro do Berimbau
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Rio de Janeiro
Referência Temporal
2000
Localização Eletrônica
https://repositorio.unesp.br/handle/11449/115829

Discursos sobre a miséria e a exclusão no cinema brasileiro contemporâneo: O caso do filme 5x favela, agora por nós mesmos

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Silva, Mariana Gesteira da
Sexo
Mulher
Orientador
Rocha, Silvia Pimenta Velloso Augusto
Código de Publicação (DOI)
31004016051P0
Ano de Publicação
2013
Programa
Educação, cultura e comunicação
Instituição
UERJ
Página Inicial
1
Página Final
80
Idioma
Português
Palavras chave
Representação
Audiovisual
Cinema
Periferia
Discurso
Resumo

Este trabalho visa a abordar a questão dos discursos que emergem sobre a miséria e a exclusão no cinema contemporâneo brasileiro, tomando como ponto central o filme 5xfavela, agora por nós mesmos (2010). Pretendemos analisar quais são esses discursos, como são apresentados, em que contextos eles surgem e quais são as estratégias utilizadas para se produzi-los. Para tanto, partimos de ensaios produzidos nos meios cultural e acadêmico sobre o tema da periferia no cinema brasileiro e utilizamos o conceito de agenciamento coletivo de enunciação, dos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari, para propor esse debate. A partir da análise que fizemos, notamos que não há necessariamente uma ruptura nos discursos sobre a periferia, mas sim um deslocamento do polo negativo para o polo positivo no que concerne à representação da exclusão. O excluído deixa de estar associado ao banditismo e passa a ser associado ao consumo, o que lhe confere um novo status social.

 

Autor do Resumo
Mariana Gesteira da Silva
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Rio de Janeiro
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Rio de Janeiro
Referência Temporal
2010
Localização Eletrônica
https://www.bdtd.uerj.br:8443/handle/1/10167

Do Monte Olimpo ao universo dos Morros Cariocas: A renovação do Mito de Orfeu em três tempos

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Rocha, Cristiane Oliveira Cunha de Paiva
Sexo
Mulher
Orientador
Camati, Anna Stegh
Código de Publicação (DOI)
40035018001P0
Ano de Publicação
2013
Programa
Teoria Literária
Instituição
UNIANDRADE
Página Inicial
1
Página Final
171
Idioma
Português
Palavras chave
Literatura
Cinema
Mito de Orfeu
Abrasileiramento
Carnavalização
Resumo

A peça musical Orfeu da Conceição (1954), de Vinicius de Moraes (1913-1980), uma transposição do mito grego para as favelas dos morros cariocas no período dos festejos carnavalescos, foi levada à cena em 1956. Nesta dissertação, optamos por destacar o mérito de Vinicius, tanto como exímio adaptador que renovou e abrasileirou a história de Orfeu e Eurídice, combinando elementos de diversas vertentes do mito órfico com a cultura e a música brasileiras, quanto como iniciador de uma rede de textualidades artísticas em torno do seu Orfeu negro. Objetivou-se, ainda, mostrar que as posteriores adaptações fílmicas – Orfeu negro (1959), de Marcel Camus, e Orfeu (1999), de Cacá Diegues – são expressões do contexto cultural em constante mudança, visto que dialogam não somente com a versão viniciana e com narrativas órficas originárias em épocas e contextos distintos, mas também com o tempo em que foram criadas. Enquanto Camus imprime uma visão estrangeira sobre o negro afro-brasileiro e o carnaval carioca, Diegues apresenta um olhar realista voltado para a vida nos morros na atualidade, onde o crime, a corrupção e o tráfico de drogas fazem parte da rotina cotidiana. Nesse sentido, foram priorizados os diferentes olhares sobre dois motivos míticos revisitados pelos três adaptadores – a descida de Orfeu ao inferno e sua morte pelas mãos das Bacantes – porque esses episódios desempenham funções importantes nas recriações mencionadas. A base teórica, para a discussão e análise do corpus selecionado, inclui estudos sobre adaptação, intertextualidade e intermidialidade de Linda Hutcheon, Gérard Genette, Robert Stam e Patrice Pavis; apontamentos de Kathrin Sartingen sobre a questão do abrasileiramento; e considerações críticas de Mikhail Bakhtin para a elucidação dos motivos míticos reconfigurados, principalmente no que se refere à carnavalização e à representação de aspectos do grotesco, presentes nas três versões examinadas.

Autor do Resumo
Cristiane Oliveira Cunha de Paiva Rocha
Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Rio de Janeiro
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Rio de Janeiro
Referência Temporal
1954-1999
Localização Eletrônica
https://www.smg.edu.br/dissertacoes/CRISTIANE_OLIVEIRA.pdf

Rio de Janeiro: Nos trilhos da cidade e do samba

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Almeida, Selma Luzia Capinan de
Sexo
Mulher
Orientador
Jacques, Paola Berenstein
Código de Publicação (DOI)
28001010019P5
Ano de Publicação
2013
Programa
Arquitetura e Urbanismo
Instituição
UFBA
Página Inicial
1
Página Final
160
Idioma
Português
Palavras chave
Urbanismo
Samba
Espaço opaco
Identidade
Cidadania
Resumo

A presente dissertação narra a História do Urbanismo do Rio de Janeiro, no início do século XX. Neste percurso, as canções brasileiras e os sambas fazem o contraponto entre a história oficial, representado pelos projetos de urbanização, implementados pelos prefeitos Pereira Passos (1902-1906) e Pedro Ernesto (1934-1938), e a leitura da cidade, a memória e os significados contidos nas letras dos sambas, os quais, na sua quase totalidade, foram escritas por pessoas de setores menos abastados da sociedade, moradores dos morros e favelas e também do Antigo Centro da cidade do Rio de Janeiro. Nessa encruzilhada entre o samba e a cidade passamos pela “A Cidade vista por Milton Santos”, com o objetivo de serem delineados os conceitos basilares dessa dissertação: “cidadania”, “espaços opacos”, identidade, os quais propiciam o entendimento dos processos decorridos na história. A identidade da Cidade e do Samba são temas tratados transversalmente ao eixo da cidadania, frente as interfaces ideológicas. Espaços urbanos e usos urbanos, ocupados pelos negros e sambistas, no Rio de Janeiro nas gestões das décadas de 1920 e 1930. É, portanto, o samba o instrumento balizador do urbanismo e, a sua poética, o mapa histórico destas transformações, que revelam os significados e a memória do povo que o construiu e viveu no Rio de Janeiro. Neste percurso das duas gestões analisaremos os traçados urbanos e os constructos dos modelos identitários adotados nas gestões de Passos e Ernesto. Iremos observar as contradições da cidade que segrega a quem lhe empresta a sua própria cultura como matriz identitária: os sambistas e povos de matrizes étnicas africanas. Dessa forma, buscamos compreender como ocorre essa relação entre urbanismo e samba.

Autor do Resumo
Selma Luzia Capinan de Almeida
Método e Técnica de Pesquisa
Métodos mistos
Referência Espacial
Cidade/Município
Rio de Janeiro
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Rio de Janeiro
Referência Temporal
Início do Século XX; década de 1920; década de 1930
Localização Eletrônica
https://ppgau.ufba.br/sites/ppgau.ufba.br/files/selma_editado.pdf

5x Favela, 50 anos depois: Da favela para o povo à favela por nós mesmos

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Cid, Viviane de Carvalho
Sexo
Mulher
Orientador
Gonçalves, Marco Antonio Teixeira
Código de Publicação (DOI)
31001017020P9
Ano de Publicação
2013
Programa
Sociologia e Antropologia
Instituição
UFRJ
Página Inicial
1
Página Final
185
Idioma
Português
Palavras chave
Representação
Favela
Cinema
Cineastas da favela
Autorrepresentação
Resumo

O intuito desta dissertação é analisar a construção das imagens da favela produzidas pelos filmes Cinco vezes favela de 1962 e 5x favela agora por nós mesmos de 2010. O primeiro filme é fruto do projeto do Centro Popular de Cultura da União Nacional de Estudantes, já o segundo tem origem no projeto de Carlos Diegues, em parcerias com diversas Ongs, que se propõe como uma versão dirigida por diretores moradores de favelas. A existência dos dois filmes, elaborados em momentos diferentes, permite traçar uma comparação entre as duas obras, levando em consideração seus contextos de produção, os objetivos marcados de cada projeto e tomando o cinema como um discurso sustentado por determinados atores em épocas distintas, para refletir acerca de qual imagem da favela cada filme constrói. A comparação entre as duas obras fílmicas, e dos projetos que lhe deram origem, revelam continuidades e rupturas tanto acerca da construção da categoria favela, quanto sobre a lógica representativa em jogo, além da crença no potencial do cinema de transformar a realidade

Autor do Resumo
Viviane de Carvalho Cid
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Rio de Janeiro
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Rio de Janeiro
Referência Temporal
1962; 2010
Localização Eletrônica
http://objdig.ufrj.br/34/teses/806418.pdf

Dez e mais vezes favela: Estética, política e representação

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Souza, Júlio Cordeiro de
Sexo
Homem
Orientador
Schollhammer, Karl Erik
Código de Publicação (DOI)
31005012038P0
Ano de Publicação
2013
Programa
Literatura, cultura e contemporaneidade
Instituição
PUC-RIO
Idioma
Português
Palavras chave
Favela
Cinema
Arte
Estética
Política
Resumo

Dez e mais vezes favela: estética, política e representação trata-se de uma análise comparativa entre os dois filmes brasileiros com o título comum “Cinco vezes favela”, o primeiro do ano de 1964 e o segundo, com o adendo “agora por nós mesmos”, do ano de 2010. Busca-se observar como ambos desenvolvem suas propostas formais e estéticas e como esta realização articula-se com os objetivos de ação política de seus respectivos realizadores, tendo como fio condutor teórico principal as contribuições de Gilles Deleuze e Jacques Rancière.

Autor do Resumo
Júlio Cordeiro de Souza
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Rio de Janeiro
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Rio de Janeiro
Referência Temporal
1964; 2010
Localização Eletrônica
https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/colecao.php?tipo_bus=adv&strSearch=&tit_loc=0&tit_eou=and&strAut=JULIO+CORDEIRO+DE+SOUZA&aut_loc=0&nrTipo=

Quem somos nós? Surgimento, identidade e legitimidade na trajetória teatral do Grupo Nós do Morro

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Letícia Miranda Paula
Sexo
Mulher
Orientador
Adriana Facina Gurgel do Amaral
Código de Publicação (DOI)
31003010005P6
Ano de Publicação
2012
Programa
História
Instituição
UFF
Página Inicial
1
Página Final
136
Idioma
Português
Palavras chave
História social
Cultura
Teatro
Grupo Nós do Morro
Resumo

O Grupo Nós do Morro foi criado em 1986, na favela do Vidigal, a partir do contato entre profissionais de teatro com os jovens moradores, através dos anos, se transformou em uma das mais importantes iniciativas no âmbito de trabalhos artísticos e sociais criados e desenvolvidos no Brasil. A proposta inicial do grupo era um teatro feito “da comunidade para a comunidade”, sendo assim, as peças deste período abordavam temas que refletiam a realidade dos moradores com o objetivo de formar uma plateia local. Mas que plateia era essa? No final dos anos setenta, a construção de prédios na subida do Vidigal fez surgir uma nova vizinhança composta por pessoas de classe média e artistas, entre eles o fundador e diretor geral do grupo, Guti Fraga. Compartilhando do mesmo universo geográfico, a classe média convivia com os moradores mais humildes, ocupantes da parte média e alta do morro. São para estes atores sociais que o discurso do grupo se volta, buscando atrair um público pouco habituado a frequentar teatro. Com o passar do tempo, o Nós do Morro sente a necessidade de perder sua essência amadora e tentar obter reconhecimento da classe profissional. A construção de uma sede própria, após a ocupação de vários espaços dentro do Vidigal, como uma igreja desativada e os fundos de uma escola municipal, reflete essa necessidade do grupo afirmar sua autonomia artística. E foi aí, que, em 1996, o Nós do Morro inaugurou um teatro com capacidade para oitenta espectadores, o Teatro do Vidigal. Com a peça escolhida para inaugurar o teatro, Machadiando, reunião de textos de Machado de Assis, o grupo conquistava o primeiro prêmio oficial, o Prêmio Shell. O prêmio foi recebido com grande entusiasmo pela companhia, que, a partir deste momento, acreditava estar legitimada no mercado não mais em função de um trabalho social realizado em uma favela carioca. Porém, o Nós do Morro vencia como “categoria especial”, ou seja, a crítica especializada valoriza mais um trabalho comunitário do que o espetáculo em si. Somente anos mais tarde, em 2002 é que o grupo ganharia o Prêmio Shell por uma categoria tradicional com a apresentação da peça Noites do Vidigal, primeira montagem do grupo a estrear fora da favela de origem. O espetáculo foi bem recebido pela crítica e foi contemporâneo, também, a participação dos atores no filme Cidade de Deus. O sucesso do longa de Fernando Meirelles impulsionou a carreira de vários integrantes do Nós do Morro para produções no cinema e na televisão. Diante destes acontecimentos pretendemos discutir a legitimidade conquistada pelo Nós do Morro e o significado desta legitimidade para os diversos atores sociais que se apropriam do trabalho do grupo.

Autor do Resumo
Letícia Miranda Paula
Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Métodos mistos
Referência Espacial
Cidade/Município
Rio de Janeiro
Bairro/Distrito
Vidigal
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Rio de Janeiro
Referência Temporal
1986-2010
Localização Eletrônica
https://app.uff.br/riuff/handle/1/15973