Modo de vida, imaginário social e cotidiano

Lugares, desigualdades e (i)mobilidades: reflexões em diálogo com o audiovisual "periférico" paulista

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Aderaldo, Guilhermo André
Sexo
Homem
Autor(es) Secundário(s)
Peralta, Diego Edmilson
Sexo:
Homem
Código de Publicação (ISSN)
2179-7331
Código de Publicação (DOI)
http://dx.doi.org/10.22409/antropolitica2024.v56.i2.a60094
Título do periódico
Antropolítica: Revista Contemporânea de Antropologia
Volume
56
Ano de Publicação
2024
Local da Publicação
Niterói, RJ
Página Inicial
60094
Idioma
Português
Palavras chave
Audiovisual
Periferias
Cidade
Mobilidades
Epistemologia
Resumo

Tomando como plano de referência experiências compartilhadas de pesquisa a respeito da cena audiovisual protagonizada por coletivos, produtoras independentes e jovens realizadores autônomos autodesignados “periféricos” em São Paulo, a proposta do artigo é refletir a respeito das convenções socioespaciais que vêm sendo produzidas e compartilhadas por uma leva recente de obras realizadas por tais interlocutores, com a finalidade de evidenciar como a interpelação crítica que essas obras têm feito às interpretações “sedentárias” e dualistas da fronteira centro/periferia desdobram-se em formas renovadas de interpretar e representar a paisagem desigual da metrópole paulista. A partir da pesquisa etnográfica e da análise fílmica, o artigo reflete sobre o contexto de produção de duas obras audiovisuais recentes, a saber, o filme documentário Até onde a gente vai?, produzido pelo Coletivo da Quebrada, em 2020, e Oxente, Bixiga!, realizado pela produtora independente Caramuja: pesquisa, memória, audiovisual, lançado em 2021. Na observação participante dessas produções, concluiu-se que, mais do que filmes interessados em abastecer os circuitos audiovisuais hegemônicos ou alternativos, tais obras são, no fundo, resultado de uma investigação intelectual profunda acerca das dinâmicas socioespaciais contemporâneas, por parte de seus e suas realizadores/as, todos/as pertencentes a setores populares. A partir do roteiro, a construção das personagens e a montagem de seus relatos, essas duas obras selecionadas tensionam discursos hegemônicos sobre os territórios urbanos, produzem alteridade e propõem interpretações sensíveis sobre a cidade, se tornando verdadeiros experimentos epistemológicos voltados à descolonização do imaginário urbano, que não apenas “representam”, mas, efetivamente, “produzem” territorialidades insurgentes.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Zona
Centro
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Bixiga
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Cidade/Município
Mombaça
Macrorregião
Nordeste
Brasil
Habilitado
UF
Ceará
Referência Temporal
2020-2021
Localização Eletrônica
http://dx.doi.org/10.22409/antropolitica2024.v56.i2.a60094

Até onde a gente vai?: coletivos culturais, mobilidade urbana e produção de conhecimento em São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Peralta, Edmilson Diego
Sexo
Homem
Orientador
Freire-Medeiros, Bianca
Código de Publicação (DOI)
https://doi.org/10.11606/D.8.2024.tde-20012025-110149
Ano de Publicação
2025
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Sociologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Audiovisual
Coletivos culturais
Mobilidade urbana
Periferia
Resumo

O filme documentário Até onde a gente vai? (2020, 72 min.), produzido pelo Coletivo da Quebrada, um coletivo de audiovisual periférico de São Paulo/SP, explora o cotidiano no transporte público paulistano por meio da experiência e dos relatos de três moradoras da periferia da cidade. A partir do seu processo de produção e da obra em si, procuro compreender, de modo geral, quais mudanças de interpretações, conhecimentos e práticas sobre o mundo social podem emergir de um processo de produção estético-político conduzido por coletivos culturais. De modo específico, como práticas, percepções e interpretações dos participantes do coletivo sobre a mobilidade urbana, sobre a cidade em que vivem e sobre seu próprio ativismo foram impactados no processo. Inspirada na literatura acadêmica sobre a cena cultural periférica e independente paulistana, a hipótese é que experiências estético-políticas atuam como "catalisadoras" de mudanças epistêmicas, práticas e simbólicas para os coletivos culturais, que fazem da produção artística-cultural seu principal meio de ativismo. Os métodos adotados na prática pelos coletivos culturais para realizarem seus projetos também importam na qualidade dessas mudanças. Minha investigação se baseou em uma observação participante do processo de produção do filme junto ao Coletivo da Quebrada, do qual participei ativamente como produtor financeiro e um dos entrevistadores durante as filmagens. Trata-se de uma etnografia alinhada com os procedimentos dos chamados métodos móveis (Büscher; Urry, 2009) e com o conceito de fazer-cidade (Agier, 2015), ambos ancorados na ideia de que o social e o urbano são compostos fundamentalmente por mobilidades de diversas ordens. Conjuntamente às reflexões de cunho etnográfico, exploro outras fontes de dados, como a análise fílmica da obra em si, do material bruto das gravações, dos documentos produzidos durante o processo e das redes sociais do Coletivo da Quebrada. A pesquisa contribui para a compreensão da produção e circulação dos coletivos culturais, sobretudo aqueles situados nas periferias urbanas; o mapeamento da produção de conhecimentos e interpretações sobre a cidade a partir dessas experiências estético-políticas; e a discussão sobre a mobilidade urbana a partir das práticas e representações dos deslocamentos cotidianos dos sujeitos que habitam as grandes cidades.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-20012025-110149/pt-br.php

O tempo de festa é sempre

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Amaral, Rita de Cássica
Sexo
Mulher
Título do periódico
Travessia - Revista do Migrante
Volume
6
Ano de Publicação
1993
Local da Publicação
São Paulo
Idioma
Português
Palavras chave
Festa
Lazer
Candomblé
Terreiro
Resumo

A vida nas cidades frequen­temente é apontada como a fonte da maioria dos males sociais como a violência, a pobreza, os desvios comportamentais, as neuroses. Na cidade, até o tempo perderia o sentido, pois seria sempre vivido como o tempo do trabalho, sendo o descanso dos finais de semana apenas "um intervalo" entre dois períodos de produção, um tem­po reservado à reprodução da força de trabalho, e que os trabalhadores não teriam condições de desfrutar como lazer devido à falta de recursos, oportunidades ou mesmo de disposição.

Entretanto, as atividades de lazer fazem parte constitutiva da parte dos sujeitos na cidade. Todas estas ati­vidades implicam, para uma população pobre, a organização dos indivíduos em termos de seu tempo disponível e do di­nheiro necessário para sua realização, ocu­pando o pensamento das pessoas de modo significativo e dando sentido ao trabalho (pois é o trabalho que proporciona os recursos para a sua participação nos gru­pos) e à própria vida como fonte de pra­zeres). Um bom exemplo de como a vida pode readquirir seu sentido pela participação num grupo, que através de suas práticas reconstrói relações pessoais e sociais mais “diretas” , pode ser dado pelo “povo-de-santo”, que é como se autodenominam os adeptos do candomblé. Para este grupo, formado majoritariamente por indivíduos das classes pobres, geral mente migrantes nordestinos (que trouxeram o culto para cá), mulatos, pouco escolarizados, esta religião, mais do que corresponder às necessidades de transcendência constitui mes­mo um estilo de vida, reconhecível por sinais próprios como a linguagem, o jeito, o gosto. Esta participação no candomblé organiza, como veremos e influencia também a vida fora do terreiro.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
Anos 1990
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/339

Imagens de migrantes na poesia de Mário de Andrade

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Costa, Iná Camargo
Sexo
Mulher
Título do periódico
Travessia - Revista do Migrante
Volume
6
Ano de Publicação
1993
Local da Publicação
São Paulo
Idioma
Português
Palavras chave
Modernismo brasileiro
Poesia
Industrialização
Arte
Italianos
Resumo

Mário de Andrade acreditava na possibilidade da língua falada no Brasil se tornar independente da portuguesa. Por conta disso, adotou o procedimento reco­mendado por Maiakóvski: escrever de acor­do com a língua falada, sem se preocupar com as regras gramaticais (portuguesas) vigentes. Vivendo numa cidade como São Paulo, impensável sem os imigrantes que a construíram, não seria de admirar que os sons, palavras e expressões por ele ouvidos nas ruas da cidade acabassem aparecendo na sua poesia.

Nos anos 20, quando Mário de Andrade começou a escrever poesia moderna, São Paulo era uma cidade que mostrava em sua paisagem imigrantes de diversas naciona­lidades. principalmente italianos. E Mário usava suas palavras e expressões em sua poesia. Por outro lado, a cidade integrava-se aceleradamente ao mundo industriali­zado, de modo que também estavam no ar as línguas inglesa e francesa. A primeira sobretudo nas relações econômicas e a segunda como índice de “cultura erudi­ta”. Com essas informações, mesmo su­márias, é possível decodificar tanto o em­prego simpático quanto o crítico de ex­pressões em línguas estrangeiras nos poe­mas do livro Paulicéia Desvairada, publi­cado em 1922.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
Anos 1920
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/383

Imagens do migrante nordestino em São Paulo

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Sobral, Germano Leóstenes Alves de
Sexo
Homem
Título do periódico
Travessia - Revista do Migrante
Volume
6
Ano de Publicação
1993
Local da Publicação
São Paulo
Página Inicial
19
Página Final
20
Idioma
Português
Palavras chave
confrontos interétnicos
migrante nordestino
imagens
identidade
identificação
Resumo

Quando se diz que, ao sair de seu lugar de origem, de sua terra "natá", o migrante desenraíza-se, está-se fazendo alusão à referencialidade do espaço. E, mais do que isso, dado que este pertencimento ao lugar de origem se institucionaliza pelas mãos do Estado sob a insígnia da naturalidade, abrem-se caminhos para desdobramentos ideológicos que convertem o migrante num sujeito desnaturalizado. A migração, legítima enquanto tentativa de solucionar uma situação de ameaça à sobrevivência, ideologiza-se enquanto um problema de disfunção. Reduz-se o migrante ao excedente populacional, às vezes no lugar de origem, às vezes no lugar de chegada, frequentemente em ambos. Não estar no seu lugar é transgredir uma ordem, e isso concretamente se expressa em preconceitos e segregações.

Uma outra implicação, e não menos importante, é a interiorização pelos próprios migrantes de imagens estereotipadas de si mesmos, as quais reforçam sentimentos de desenraizamento e de errância. Neste trabalho, é este último aspecto que nos interessa mais especificamente. Trata-se, aqui, de desenvolver o questionamento de algumas imagens tipificadas do nordestino, tal como instituídas no confronto do migrante com o outro e consigo próprio. Tais imagens são contraditórias e irrompem na fala dos sujeitos, banhadas de sentimentos ambivalentes.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
1940-1990
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/386

Tu tem olhado, quebranto?: A Medicina Popular no contexto urbano

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Miranda, Maria Cecilia Dias de
Sexo
Mulher
Autor(es) Secundário(s)
Capacla, Marta Valéria
Sexo:
Mulher
Título do periódico
Travessia - Revista do Migrante
Volume
7
Ano de Publicação
1994
Local da Publicação
São Paulo
Página Inicial
22
Página Final
24
Idioma
Português
Palavras chave
saúde
medicina popular
religiosidade popular
espaço urbano
Resumo

O objetivo deste artigo é o de apresentar as principais características das práticas dos benzedores, situado esses agentes de cura enquanto especialista da Medicina Popular, que combinam um saber tradicional a respeito dos cuidados com a saúde, com elementos da religiosidade popular.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
Anos 1980-1990
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/423

Ser valadarense: a conquista de nova posição no espaço social e a ‘‘(re)territorialização” na origem

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Soares, Weber
Sexo
Homem
Código de Publicação (DOI)
https://doi.org/10.48213/travessia.i21.432
Título do periódico
Travessia - Revista do Migrante
Volume
8
Ano de Publicação
1995
Local da Publicação
São Paulo
Idioma
Português
Palavras chave
Imóveis
Emigrantes
Mercado imobiliário
Resumo

O presente texto, além de ser construído para sistematizar os dados resultantes de duas pesquisas empíricas, motivadas pelo esforço de com a articulação entre dois processos distintos na cidade de Governador Valadares: a emigração de valadarenses para outros países e a dinâ­mica de compra e venda de imóveis, tem por objetivo central vazar a configuração imediata que esses dados sugerem: o ato de enquadrar os investimentos, praticado por um expressivo grupo de emigrantes no mercado imobiliário valadarense, no âmbito das relações estritamente econômicas.

Ao evidenciar o volume e a espacialização dos investimentos feitos em Valadares, dando, consequentemente, visibilidade à nova posição que o emigrante passa a ocupar no espaço social valadarense - a de “ investidor” -, o que se pretende é avançar para além dos aspectos puramente econômicos que essa posição insinua. Logo, está em pauta não o fato de o emigrante valadarense encontrar-se divi­dido entre a imagem passada que tem de si mesmo, aquela que foi moldada no lugar de origem, e os valores culturais vincula­dos às redes sociais de destino, mas sim os sinais que indiquem resistência ao proces­so de fragmentação a que está exposto, que mostrem o sentido de grupo distinto, nas­cido das representações oriundas daquele espaço em que a existência está repleta de densidade.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Métodos mistos
Referência Espacial
Cidade/Município
Governador Valadares
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Minas Gerais
Referência Temporal
Anos 1980-1990
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/432

Estar aqui, estar lá... o retorno dos emigrantes valadarenses ou a construção de uma identidade transnacional?

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Assis, Gláucia de Oliveira
Sexo
Mulher
Código de Publicação (DOI)
https://doi.org/10.48213/travessia.i22.438
Título do periódico
Travessia - Revista do Migrante
Volume
8
Ano de Publicação
1995
Local da Publicação
São Paulo
Idioma
Português
Palavras chave
valadarenses
identidade
migração transnacional
Resumo

Este artigo analisa um movimento específico de migração verificado particularmente na cidade de Governador Valadares (MG) - conhecida nacionalmente pelo significativo número de valadarenses nos EUA - procurando problematizar um dos aspectos deste fluxo de grande impacto na vida cotidiana da cidade: o caráter temporário da migração. O projeto do emigrante valadarense de “Fazer a América”, em geral, consiste em trabalhar de 02 a 05 anos para conse­guir capital para comprar uma casa, um carro, ou montar um negócio e retornar ao país de origem. Para executá-lo, estes emigrantes contam com aqueles que fica­ram para financiar a viagem, cuidar dos filhos, fazer os investimentos na terra natal e esperar pelo retorno. O projeto toma-se, portanto, familiar, afetivo e econômico envolvendo aqueles que não migraram nesse processo. Neste sentido, analiso como é comple­xo classificar os fluxos migratórios con­temporâneos utilizando categorias como: “temporários”, “permanentes”, “retor­no de emigrantes”. O que pretendo de­monstrar é que, dadas as características dos recentes fluxos internacionais de po­pulação, o migrante contemporâneo vivencia um singular campo social que vem sendo denominado transnacional.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Governador Valadares
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Minas Gerais
Referência Temporal
Anos 1980-1990
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/438

Uma face desconhecida da metrópole: os bolivianos em São Paulo

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Silva, Sidney Antonio da
Sexo
Homem
Título do periódico
Travessia - Revista do Migrante
Volume
8
Ano de Publicação
1995
Local da Publicação
São Paulo
Página Inicial
14
Página Final
19
Idioma
Português
Palavras chave
migrantes bolivianos
costura
clandestinidade
identidade
Resumo

A capital paulista é conhecida em geral como uma cidade de migrantes, onde vários grupos ét­nicos se fazem presentes. Os motivos que os atrai a esta metrópo­le são os mais variados possíveis e seria um tanto quanto difícil enumerá-los sem cair no risco de empobrecer a rica experiência que a migração representa para cada indi­víduo ou grupo social. Mais recentemente, a metrópole passa a ser o lugar privilegiado onde é possível se viver uma variada gama de identidades, desenvolver capacidades profissionais, con­sumir uma variedade de produtos de alta tecnologia, estabelecendo relações dentro do amplo espectro do pluralismo étnico-cultural e religioso. No entanto, a metrópole também apre­senta o seu lado ambíguo, uma vez que, se por um lado, ela permite a realização de inúmeras possibilidades humanas, por outro, ela engendra um processo de desen­volvimento denominado por Marshall Berman (1994) de “faustico”, semelhante a um trator incontrolável que passa por cima de tudo, destruindo memórias, iden­tidades e segregando econômica, social e culturalmente grupos inteiros.

Neste arti­go, a partir dos dados etnográficos coletados na cidade de São Paulo, propomo-nos a penetrar o nosso olhar para além do apa­rente brilho que caracteriza a metrópole paulista, na tentativa de apreendermos o vivido por um grupo de imigrantes, os quais, por um lado, não são reconhecidos socialmente, em razão dos vários estigmas que lhes são atribuídos pela sociedade local, e por outro, não existem enquanto cidadãos, porque são indocumentados ou clandestinos. Trata-se dos imigrantes bolivianos, mais específicamente dos bolivi­anos indocumentados que trabalham no ramo da costura. A partir da experiência de clandestinidade, estes imigrantes constró­em estratégias de sobrevivência, e ao mes­mo tempo, organizam-se socialmente, re­criando os seus valores culturais em vista da construção de uma nova imagem social de si mesmos.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
Anos 1990
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/535

São os migrantes tradicionais?

Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Sarti, Cynthia Andersen
Sexo
Mulher
Título do periódico
Travessia - Revista do Migrante
Volume
8
Ano de Publicação
1995
Local da Publicação
São Paulo
Idioma
Português
Palavras chave
Periferia
Migração interna
Resumo

Este artigo é resultado de uma pesquisa feita num bairro da Zona Leste da cidade de São Paulo, desenvolvida na minha Tese de Doutoramento (Sarti, 1994). 

É sabido que a significativa maio­ria da população pobre e traba­lhadora da cidade de São Paulo é migrante. Suas vidas são o resultado da urbanização e industrialização do país, a partir dos anos 50, e da intensa migração que fez parte deste processo, sobretudo nos anos 60 e 70. 

Ao contrário dos grupos étnicos que, ao chegarem no novo lugar de moradia, se estruturam em torno de uma identidade comum, construída com elementos cultu­rais que já traziam em sua bagagem, os migrantes que vivem nas periferias urba­nas são um grupo social com fronteiras imprecisas. Para os migrantes, que vieram de pontos diferentes do país, comportando muita heterogeneidade, essa identidade cria-se na periferia, lugar dos pobres na cidade, que se tom a uma referência básica comum. Quando seus problemas de adap­tação na cidade já estão relativamente assentados, os migrantes enfrentam o pro­blema de serem pobres e o sentido de sua origem, embora marque sua existência, passa a ser reelaborado, diante do fato de que o que conta agora é o que a cidade lhes oferece. Assim, os pobres constro­em seus valores buscando explicações que façam suas vidas terem sentido.

Disciplina
Referência Espacial
Zona
Zona Leste
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
Anos 1990
Localização Eletrônica
https://revistatravessia.com.br/travessia/article/view/534