Marcados pelas complexas interfaces entre consumo e intimidade, hospedagens de tipo “cama e café” transcendem lógicas e domínios da hospitalidade. Com o objetivo de compreender os encontros entre hóspedes e hospedeiros decorrentes em estabelecimentos deste tipo localizados no bairro de Santa Teresa, esta investigação buscou descrever e interpretar suas dinâmicas, seus comportamentos e significados. Assumiu as memórias elaboradas por anfitriões como elementos dinâmicos e processuais, tomando suas parcialidades como indicadores a serem problematizados e contextualizados. Observou que, apesar de marcados pela atividade comercial, estes encontros podem ser norteados pela dádiva, concomitantemente sendo influenciados pelo ethos do bairro em questão, e influenciando as relações estabelecidas entre morador e espaço (público e privado). A constituição de relações sociais tanto entre locais quanto entre hóspedes e hospedeiros parece funcionar como uma estratégia de resposta a condições contemporâneas como a fraturação do espaço vivido, a aceleração do tempo e a desestabilização de identidades.