As cadeias imaginadas: Estratégias de sobrevivência de uma empresa pública
Fundada em 1969 pelo governo do estado de São Paulo, a CEAGESP (Companhia de Entrepostos de Armazéns Gerais de São Paulo) é uma empresa pública que, em 1997, foi federalizada e incluída no Programa Nacional de Desestatização (PND), no qual permaneceu durante 18 anos. Nestes anos, nos quais esteve sob a ameaça de ser privatizada, a empresa desenvolveu estratégias de combate à tendência deficitária que vinha enfrentando e desenvolveu formas de provar-se economicamente viável. Este trabalho trata das reações e relações criadas a partir do enfrentamento de tal ameaça. A partir de três formas distintas de imaginar e conceber a CEAGESP e as cadeias de produção das quais ela faz parte, discuto as possibilidades de existência criadas pela própria empresa para manter-se como ente público. Do encontro entre uma empresa pública e modelos de gestão pensados e criados para a iniciativa privada resultam relações que são terreno fértil para a reinvenção da CEAGESP como empresa pública amplamente apoiada na gestão para o mercado. Ao longo da dissertação argumento que para manter-se parte do corpo do estado a empresa precisou fazer o duplo movimento de transformação e resistência diante do governo federal e o mercado agrícola nacional. No primeiro capítulo, são discutidas três formas e funções possíveis da companhia: diretoria, gerência e operários imaginam a empresa de maneiras distintas e operam, a partir dessas concepções, estratégias diferentes para evitar a privatização. Partindo desses três elementos da composição da ceagesp, o segundo capítulo volta sua atenção para a construção das estratégias elaboradas pela empresa para combater a ameaça de ser privatizada. A partir das modificações estratégicas implementadas pela diretoria, os funcionários reagem às mudanças, reações que são objeto de atenção no terceiro capítulo. Este trabalho explora as relações entre a CEAGESP, seus funcionários e os dispositivos sociotécnicos a partir das transformações provocadas pela tentativa de privatização da companhia. A partir de diferentes perspectivas - diferentes posições na hierarquia da empresa - coloco em discussão as transformações e as resistências provocadas pela ameaça da privatização.