Trilhas digitais usos das redes sociais online: por onde navegam as mulheres ricas, na casa dos trinta anos, moradoras de São Paulo?
Esta pesquisa qualitativa, de observação participante, busca compreender através da antropologia os desdobramentos na subjetividade de mulheres da elite paulistana, de trinta a quarenta anos, usuárias das redes sociais online. Observou-se as formas dos usos das redes sociais online e os desdobramentos de tais usos no cotidiano. Para o recrutamento foi utilizada a metodologia bola de neve, que resultou na entrevista de nove mulheres. Foram realizados de dois a três encontros, dois individuais e um em grupo quando as entrevistas indicadas já se conheciam. No primeiro encontro foi utilizada a técnica de entrevista semiestruturada. No segundo encontro foi solicitada uma produção gráfica que explicasse os usos das redes sociais online (este instrumento viabilizou uma conversa mais focada). O terceiro encontro estabeleceu a técnica de grupo focal e pretendeu observar a interação das mulheres tendo como assunto central as redes sócias online. As entrevistas foram transcritas e foi utilizado como metodologia de coleta de dados a análise de conteúdo. Os registros em diário das cenas cotidianas também contribuíram para as interpretações. Os resultados levaram a compreender que uso das redes sociais online por um lado impacta negativamente a subjetividade das mulheres, pois através dos conteúdos consumidos elas absorvem e estruturam referências patriarcais opressoras da criatividade quanto aos papéis sociais desempenhados, as (re) estigmatizando como belas, maternas, trabalhadoras, felizes e esposas. Por outro lado, os usos recreativos no cotidiano quebram com as impiedosas listas de tarefas a cumprir, pois apesar do aporte financeiro estas mulheres são cobradas a desempenhar os papeis anteriormente citados, e navegar nas redes sociais online é uma ação que quebra este fluxo e contribuiu para uma maior equidade de gênero. Isto certamente seria mais funcional se não fosse o tipo de conteúdo que reforça ainda mais os estigmas na maneira delas se compreenderem no mundo