Estrutura econômica e mercado de trabalho

A empresarização do comércio popular em São Paulo: trabalho, empreendedorismo e formalização excludente

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Rangel, Felipe
Sexo
Homem
Orientador
Lima, Jacob Carlos
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Carlos
Programa
Sociologia
Instituição
UFSCAR
Idioma
Português
Palavras chave
Comércio popular
Empresarização
Trabalho
Empreendedorismo
Formalização excludente
Resumo

Esta tese descreve e analisa transformações recentes no comércio popular em São Paulo, especialmente no que tange às mudanças no trabalho para os sujeitos ali engajados. Dado que o termo “comércio popular” evoca uma miríade de situações de trabalho e processos de circulação, indico aqui o segmento específico desse universo junto ao qual desenvolvi a pesquisa: são trabalhadores inseridos no comércio em espaços fechados, principalmente na chamada “Feirinha da madrugada” e nas novas galerias e shoppings populares da região do Brás. A partir de observação etnográfica do cotidiano de trabalho de um grupo de comerciantes, realização de entrevistas e do acompanhamento de notícias sobre o comércio popular nos últimos anos, procurei analisar os sentidos e efeitos das novas estratégias de regulação desses mercados. Discuto essas transformações mobilizando a ideia de “empresarização” do comércio popular, enquadrando nessa noção as estratégias de reordenamento dessas atividades comerciais sob a lógica empresarial, que têm transformado os espaços, as formas de regulação e mesmo a conduta, as percepções e as expectativas dos sujeitos. A empresarização desses mercados, inclusive, tem tornando mais plausível o engajamento de outros perfis de trabalhadores, muitos deles deixando empregos formais, num contexto de precarização objetiva e simbólica da relação salarial. Argumento que essas estratégias de reordenamento do comércio popular têm sido promovidas através de uma dupla narrativa, respondendo tanto a interesses de exploração econômica quanto ao discurso de combate a determinados ilegalismos e formalização dessas atividades via lógica empreendedora. No entanto, tendo em vista os efeitos excludentes dessa formalização, tem-se produzido uma espécie de “gentrificação do trabalho” no comércio popular.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Brás
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2015-2019
Localização Eletrônica
https://repositorio.ufscar.br/handle/ufscar/12099

Mulher de viração, mulher-dama, garota de programa, profissionais do sexo: atuações e enfrentamentos na Praça Floriano Peixoto

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Dantas, Luciana Almeida
Sexo
Mulher
Orientador
Garcia, Carla Cristina
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Ciências Sociais
Instituição
PUC/SP
Idioma
Português
Palavras chave
Prostituição
Trabalhadoras sexuais
Prostitutas
Feminismo
Resumo

No trabalho que se apresenta, analisa-se a história de vida de mulheres que atuam como prostitutas na região de Santo Amaro para compreender se seus enfrentamentos cotidianos resultam da prostituição ou das opressões oriundas das questões de gênero, raça e classe. Para isso, traz breve resgate histórico sobre a prostituição, na cidade de São Paulo, a partir da segunda metade do século XIX, até os anos de 1980, mostrando como ocorria essa prática no período. Assim como compreender a relação existente entre exploração e prostituição, considerando os posicionamentos dos feminismos, em um contexto de sistema capitalista, tendo como base a realidade da prática da prostituição na Praça Floriano Peixoto, em Santo Amaro. Com esse objetivo, foi de fundamental importância conhecer a história de vida de mulheres que atuam na prostituição, na região já apontada, para compreender seus principais enfrentamentos cotidianos.

Disciplina
Referência Espacial
Zona
Zona Sul
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Santo Amaro
Localidade
Praça Floriano Peixoto
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoconclusao/viewtrabalhoconclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=7690184

A rede social DRS do Banco do Brasil: os laços que sustentam a estratégia negocial DRS

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Lohmann, Renato Alfredo
Sexo
Homem
Orientador
Paese, Joel
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
Mato Grosso
Programa
Sociologia
Instituição
UFMT
Idioma
Português
Palavras chave
Rede social
Laços Fortes e laços fracos
Sustentabilidade
Análise de redes sociais
Resumo
O objetivo desta dissertação é entender como transcorreu o processo de criação e implementação da estratégia negocial de Desenvolvimento Regional Sustentável do Banco do Brasil no seio de uma comunidade que foi assistida por essa estratégia. A partir das teorias do Ator-Rede (Callon, Latour e Law, principalmente) e da teoria da Força dos Laços Fracos (Granovetter) buscamos explicar a criação da rede social DRS e como se constituíram os laços sociais entre os atores que constituíram a rede e foram os responsáveis pelo êxito da mesma junto a Comunidade do Imbê, município de Poconé – MT. A formação dos vínculos sociais, tendo como alicerce os aspectos: tempo de relacionamento, intensidade emocional, confiança mútua e reciprocidade foram suficientes para criar laços fortes? E os laços fracos, qual sua importância para a rede? Os conflitos, sempre presentes nas relações sociais, tiveram impacto nos vínculos sociais entre os atores da rede social DRS e “quebraram” alguns desses vínculos? São respostas que buscamos responder ao longo da pesquisa, mas que ao final nos mostrou um desfecho não previsto inicialmente, a respeito da teoria da força dos laços fracos e sua linearidade. Baseado no estudo de uma rede social DRS com comprovado êxito buscamos esse entendimento sobre o processo de criação e implementação de uma rede social baseada nos princípios apresentados pela estratégia negocial DRS do BB que trás no seu cerne a questão da sustentabilidade, onde o sucesso de um empreendimento deve atender as questões econômicas, sociais, ambientais e culturais, em outras palavras, deve ser economicamente viável, socialmente justo, ambientalmente correto e respeitando a diversidade cultural. Descobrimos que o ator central da rede, papel esse que se supunha inicialmente, ser exercido pelo BB, não se consolidou. Da mesma forma verificamos que a rede social DRS do Imbê foi criada com laços fortes e que os conflitos não conseguiram mudar essa dinâmica. Mas a nosso ver, o grande ponto deste estudo foi uma descoberta sobre o aspecto “tempo de relacionamento” tido como fundamental na teoria de Granovetter e que percebemos não ser um elemento indispensável para a determinação da força de um vínculo social.
Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
Poconé
Macrorregião
Centro-Oeste
Brasil
Habilitado
UF
Mato Grosso
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://ri.ufmt.br/handle/1/3538

A descentralização e o processo político no governo do estado de Mato Grosso (1995-1998)

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Craveiro, Aryeh Hessel
Sexo
Homem
Orientador
Estevinho, Telmo Antonio Dinelli
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
Mato Grosso
Programa
Sociologia
Instituição
UFMT
Idioma
Português
Palavras chave
Federalismo
Descentralização
Dinâmica do executivo estadual
Governo de Mato Grosso
Resumo
A pesquisa buscou elucidar como ocorreu o processo de descentralização no Estado do Mato Grosso, tendo em vista a dinâmica nacional envolvendo simultaneamente um presidente e um governador de Estado (Fernando Henrique Cardoso e Dante Martins de Oliveira) durante o primeiro mandato de ambos (1995 – 1998). Assim, analisando esse período, busca-se compreender o que de fato impacta um processo de descentralização: a determinação constitucional ou a estratégia de indução? Desse modo, o objetivo geral é analisar os fatores que desencadearam o processo de descentralização administrativa. Para isso, o conceito de descentralização é visto nessa pesquisa como um processo de indução constitucional e como interação e dinâmica entre os níveis federal e estadual que tinham, nos postos chaves, presidência e governo. Nesse sentido, a literatura enfatiza que um efetivo processo de descentralização seria uma condição necessária a existência de um centro ou governo nacional forte, capaz de induzir os outros níveis a implementar ou planejar políticas de seu interesse. Essa proposta de investigação enquadra-se, portanto, em uma pesquisa qualitativa; além disso, é exploratória devido ao objeto de pesquisa ser pouco explorado em Mato Grosso, e descritiva, uma vez que a pesquisa qualitativa apresenta essa característica em sua essência. O presente trabalho apresenta um recorte bibliográfico, análises documentais e entrevistas semiestruturadas que focam em atores sociais chaves, participantes efetivos da dinâmica do executivo na administração pública. Por fim, cabe ressaltar que o processo de descentralização que ocorreu no Estado de Mato Grosso, a variável “cenário de crise econômica” determinou a dinâmica da estratégia de indução da União para o estado, assim como a variável “elites burocráticas” também esteve em pauta durante o projeto de reforma do Estado.
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Macrorregião
Centro-Oeste
Brasil
Habilitado
UF
Mato Grosso
Referência Temporal
1995-1998
Localização Eletrônica
https://ri.ufmt.br/handle/1/2786

Migração internacional de mulheres e o mercado global de cuidados: um estudo sobre filipinas em São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Ribeiro, Ester Gouvea Martins
Sexo
Mulher
Orientador
Baeninger, Rosana Aparecida
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Campinas
Programa
Sociologia
Instituição
UNICAMP
Idioma
Português
Palavras chave
Migração internacional de mulheres
Trabalho doméstico
Filipinas
São Paulo
Resumo

Neste trabalho, abordamos a inserção de mulheres filipinas no mercado de trabalho dos cuidados na cidade de São Paulo, a partir do conceito de “divisão internacional do trabalho reprodutivo” – uma transferência, em três níveis, de trabalho reprodutivo entre mulheres em países de origem e destino da migração - (Parreñas, 2015). Especificamente, buscamos um aprofundamento do tema do trabalho doméstico assalariado realizado por filipinas nas residências de uma fração da classe média alta paulistana, fazendo um esforço de inseri-lo no contexto brasileiro e de globalização da força de trabalho feminina para a provisão dos cuidados, a fim de desvelar um pouco das relações sociais constitutivas que condicionam essa migração específica de mulheres nas Filipinas e estruturam o lugar ocupado pela migrante filipina no Brasil.

Este trabalho foi realizado por meio de revisão bibliográfica e documental: foram exploradas autoras e autores que analisam o contexto de origem da migração – as Filipinas –, as conformações do trabalho reprodutivo e o mercado global de cuidados. Além disso, utilizamos dados quantitativos disponibilizados pelo órgãos administrativos filipinos de estatísticas (Philippine Statistics Authority) e de contratos de trabalho no exterior (Philippine Overseas Employment Administration). Idas a campo foram feitas em locais de reunião das migrantes filipinas, onde obtivemos contatos para as entrevistas, pois almejamos compreender a forma como são agenciados esses processos sociais e os significados atribuídos pelas sujeitas da migração. Por fim, realizamos entrevistas com migrantes filipinas em São Paulo que já tiveram experiência com trabalho doméstico no Brasil.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Centro-Oeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoconclusao/viewtrabalhoconclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=7646598

Metroshopping: uma etnografia sobre os ambulantes do metrô do Recife

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Ribeiro, Rafael Soares
Sexo
Homem
Orientador
Fontes, Breno Augusto Souto Maior
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Recife
Programa
Sociologia
Instituição
UFPE
Página Inicial
10
Página Final
125
Idioma
Português
Palavras chave
Informalidade
Organização
Sociabilidades
Resumo

A cada dia, o comércio informal cresce exponencialmente, configurando-se como uma válvula de escape e uma saída de emergência para centenas de pessoas desempregadas, ou para aquelas que não se enquadram com as exigências do mercado formal e para outras que optam por uma via de empreendedorismo. Recentemente, os complexos metroviários se tornaram um espaço frutífero para esses trabalhadores. Esta forma de comércio varia de quiosques montados próximos das plataformas até vendedores ambulantes que percorrem a extensão do transporte e das plataformas vendendo suas mercadorias. São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Recife retratam os diferentes tipos de comércio dentro das estações de metrô. Tendo em vista este cenário, o objetivo dessa pesquisa foi observar, descrever, analisar e interpretar os arranjos e a estrutura social construída pelos ambulantes que atuam no sistema metroviário do Recife. Além das ações guiadas pela imersão do ambulante na estrutura, procurou-se ressaltar as atuações, as performances e suas estratégias nas ações econômicas desses ambulantes. Descrevi em relação à organização os posicionamentos dos ambulantes na rede social criada por eles, categorizando-os em fixos, semifixos, ambulantes e siris. Nestas posições destacam-se a função de cada um em relação às formas de agrupamento, as normas estabelecidas, as estratégias de venda e de segurança, as performances e, para alguns, os circuitos de venda. Por fim, descobri que os alicerces fundamentais para a existência de uma rede de ambulantes são os processos que envolvem as sociabilidades e o dom.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Recife
Macrorregião
Nordeste
Brasil
Habilitado
UF
Pernambuco
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/43028

Mercantilização da saúde: uma análise dos processos de inclusão perversa representados pelos planos de assistência privada em saúde na cidade de São Paulo

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Cadette Junior, Paulo
Sexo
Homem
Orientador
Veras, Maura Pardini Bicudo
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Ciências Sociais
Instituição
PUC/SP
Idioma
Português
Palavras chave
Inclusão Perversa
Saúde Mental
Planos de Saúde
Saúde Suplementar
Resumo

O objetivo da tese é avaliar a mercantilização da saúde representada pela existência dos planos de saúde na cidade de São Paulo. Busca-se o quadro da proliferação dos planos de saúde privados na cidade de São Paulo durante o período de 2010 até 2016, tendo como foco a qualidade na privatização da saúde. Utilizamos a lógica do funcionamento das empresas privadas no ramo médico brasileiro para entender a dinâmica de inclusão dos cidadãos paulistanos nesses planos.

Diante da existência do SUS, que representa um avanço considerável na direção do atendimento universal da saúde, a presença dessas empresas parece estar em desacordo com o texto constitucional brasileiro (art. 196 de 1988), que estabelece que "a saúde é direito de todos e dever do Estado". Devido à precariedade do sistema, aqueles integrados ao mercado de trabalho e de rendas mais altas migram para planos particulares. No entanto, conforme pesquisas anteriores e o que esta investigação revelou, nota-se uma inclusão perversa, onde a situação nos planos privados, após algum tempo, assemelha-se às condições do sistema público de saúde.

O estudo tem como objetivo analisar as diferentes formas de acesso aos serviços de saúde nas empresas privadas de assistência médica e hospitalar, no contexto mais amplo das profundas desigualdades sociais brasileiras. Especificamente, analisamos o atendimento propriamente dito pelos usuários do sistema privado, as relações entre as empresas da área de saúde e a estratificação social dentro dos tipos de planos e convênios de saúde. Investigamos as diferentes lógicas de funcionamento, como exigências burocráticas, cobranças monetárias, formas de gestão e diretrizes empresariais.

Como forma de validar a pesquisa, criamos questionários para a população usuária e também para os profissionais da área de saúde. A inclusão perversa é conceituada aqui como a inclusão no sistema de saúde com a perspectiva de ter atendimento pleno para todos os que participam com o pagamento do seguro, mas que não corresponde à realidade devido a critérios técnicos de utilização e escalas de custos que regulam o investimento nesta área. A inclusão perversa engana as pessoas, fazendo com que acreditem que tudo está funcionando bem e caminhando para o respeito ao próximo, mas nem sempre é o que acontece.

Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2010-2016
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=8252825

Fazer festa é uma guerra: relações entre vestidos, noivas, anfitriões e convidados na organização de casamentos

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Bueno, Michele Escoura
Sexo
Mulher
Orientador
França, Isadora Lins
Ano de Publicação
2019
Local da Publicação
Campinas
Programa
Ciências Sociais
Instituição
UNICAMP
Página Inicial
20
Página Final
245
Idioma
Português
Palavras chave
Casamento
Conflito social
Parentesco
Diferenciação
Consumo
Resumo

Uma festa de casamento não é ocasião qualquer. Organizada sob muita expectativa, cuidado e apreço, uma festa como esta é frequentemente descrita como a realização de um sonho de vida e não raro demanda anos para sua preparação. Extraordinária, feita para ser única, é produto de um intenso engajamento de seus anfitriões e, no Brasil, é também composta em relação direta a um mercado especializado em eventos que, por ano, tem movimentado mais de R$ 17 bilhões. Desde 2015, nessa pesquisa busquei compreender o que circula junto com o dinheiro nesse cenário. Aliando observação participante a entrevistas em profundidade, analisei o processo de organização de celebrações de casamento orçadas entre R$ 20 mil e R$ 300 mil em São Paulo (SP) e Belém (PA). No trabalho de campo, percorri diferentes lojas de vestidos de noivas pelos territórios do mercado paulista e, dali, somei noivas e noivos à minha rede interestadual de interlocutores. Já ao lado dos anfitriões da festa, acompanhei-os na rotina de preparação dos eventos, me inserindo em suas redes familiares e em diferentes ocasiões de interação com outros agentes do mercado. Nessa tese, apresento uma etnografia sobre as relações entre vestidos, noivas, anfitriões e convidados durante o processo de organização de casamentos. Dividido em duas costuras analíticas, o texto é fruto de um experimento antropológico que apostou nos conflitos como caminho de investigação sobre as relações. Cada capítulo persegue um conjunto específico de disputas: o embate entre preços e valores dos vestidos na concorrência do mercado; as fronteiras morais e corporais na produção material da noiva; as brigas entre anfitriões na batalha pelo comando da festa e dos limites da família e, por fim, as expectativas e as dívidas cobradas em retribuições dos convidados. Entre sacrifícios pessoais, financeiros e corporais, aqui evidencio que uma festa de casamento apenas se dá depois de um destacado e conflitivo processo de negociação. Nele, por um lado, as interações comerciais e o consumo de vestidos de noivas provocam reflexões sobre articulação entre gênero, raça e corporalidade em uma materialização de valor e distinção entre coisas e pessoas que se justapõem às dimensões de classe. E, por outro lado, os relatos íntimos sobre os preparativos da festa evidenciam as formas pelas quais as relações pessoais são espessadas ou diluídas em um parentesco feito na prática e por vinculações que são, contudo, permeadas por hierarquias. No tempo investido na preparação do evento, valores de coisas, de pessoas e relações estão sempre sendo reavaliados. E, concomitante à produção da festa, prestígios e reputações são forjados e manejados numa dinâmica em que reciprocidade e aliança não excluem também a produção de desigualdades.

Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Cidade/Município
Belém
Macrorregião
Norte
Brasil
Habilitado
UF
Pará
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/1088544

Entre o emprego e o empreendedorismo: aspectos geracionais dos vínculos de trabalho de profissionais de TI dos quadros médios da cidade de São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Ferreira, Allan Herison
Sexo
Homem
Orientador
Comin, Alvaro Augusto
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Sociologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Tecnologia da Informação
Sociologia do Trabalho
Trabalho e Empreendedorismo
Vínculos de Trabalho
Gerações
Resumo

Os leitores desta pesquisa encontrarão nas páginas seguintes o resultado de uma combinação de métodos e abordagens investigativas dedicados à contextualização e aferição sobre o modo como os profissionais de TI dos quadros médios da cidade de São Paulo compreendem e mobilizam seus vínculos de trabalho ao longo de suas trajetórias profissionais. Partimos de análises e pesquisas realizadas por estudiosos das relações de trabalho, emprego e empreendedorismo, de dados dos censos de 1960 a 2010 e de informações de outros institutos de pesquisa para esquadrinhar um universo de pesquisa que proporcionasse uma amostra modesta, mas representativa, de profissionais de TI de diferentes gerações, diferentes experiências de trabalho e vínculos, e que atendesse à variedade mínima de outros marcadores sociais como raça ou cor, sexo e origem social.

Com esse contexto definido, entrevistamos um conjunto de profissionais composto por quarenta participantes. Estes profissionais concederam entrevistas, preencheram formulários e responderam questões por meio de diversas outras formas de contato de modo a não só fornecer os dados dos marcadores levantados neste estudo, mas, principalmente, para apresentar suas experiências e pontos de vista sobre os tipos de vínculos de trabalho que experimentaram ou pretendem experimentar em suas carreiras. A observação das variações e similaridades relativas aos tipos de vínculos mobilizados por profissionais de diferentes gerações constitui a dimensão importante deste estudo que pretende contribuir com uma apresentação detalhada sobre o modo como os profissionais que atendem ao perfil do recorte de pesquisa compreendem os tipos de vínculos disponíveis a eles, buscando superar as limitações de abordagens que tratam o tema de modo demasiado frio – orientadas especialmente pelos métodos quantitativos.

A escuta dos profissionais de TI, os principais afetados pelas mudanças nas possibilidades de vínculos, é elemento fundamental deste estudo que visa também analisar, de modo mediado pela teoria sociológica que abrange as questões aqui mobilizadas, as visões e concepções obtidas dos próprios profissionais a respeito de modelos, propostas e teorias advindas ora do mundo acadêmico, ora do mundo corporativo. Embora, por vezes, estes mundos propositivos convivam com as percepções e interpretações dos profissionais entrevistados, através da leitura deste estudo pode-se observar que as experiências e percepções dos profissionais demonstram ser mais complexas do que modelos polarizados tendem a postular.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
1960 a 2010
Localização Eletrônica
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-30042019-111050/pt-br.php

Vidas supérfluas: a invenção da pressa

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Guisard, Luis Augusto de Mola
Sexo
Homem
Orientador
Totora, Silvana Maria Correa
Ano de Publicação
2016
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Ciências Sociais
Instituição
PUC/SP
Idioma
Português
Palavras chave
Pressa
Vida supérflua
Motoboy
Resumo

O objetivo da tese foi compreender como se originou a pressa como marca da vida urbana contemporânea e procurar por possibilidades de resistências a essa hegemonia. A motivação para a pesquisa foi um sentimento particular de incômodo com a pressa como valor universal: a pressa deslocada de sua função natural para atender urgências próprias da vida, como é a urgência de um animal em fuga, de uma criança para ir ao encontro da diversão ou a de um salva-vidas. A pressa na vida urbana é constante, o que não parece corresponder aos impulsos vitais do homem. É algo que vem de fora, surgido em algum momento da história. Tendo como hipótese que essa pressa que vivenciamos, alheia à nossa natureza, nega os valores da vida, o trabalho consistiu em um estudo genealógico da pressa. Para essa análise genealógica foi sempre presente a ideia de que é necessária uma postura extemporânea, de não adesão aos valores vigentes, como forma de tornar possível uma crítica ao valor pressa. Para atingir essa finalidade, dois principais autores foram consultados: Nietzsche e Foucault. O primeiro deu toda a base para enfrentar a tarefa de tentar compreender a pressa em sua devida dimensão e o segundo permitiu esquadrinhar os elementos da construção histórica da pressa, inclusive no período mais recente: ao longo do século XX. Como recurso de análise foi usada a figura do motoboy, profissional acelerado de nossa metrópole paulistana, como metáfora de uma vida supérflua, refém de uma pressa produtiva que atende a uma urgência que é do capital e não da vida. O motoboy é a metáfora da aceleração que, não obstante, atinge todos nós. Com a análise, foi possível chegar à ideia de que a pressa foi uma construção história. Ela atende à racionalidade contemporânea, a qual já se insinua na valorização do mundo inteligível em detrimento do mundo sensível da tradição socrático-platônica e chega à ordem neoliberal do século XX, com a formatação do homem-máquina, empresário de si, envolto em um espírito de gravidade. Mais animadora e menos sisuda é a conclusão de que já houve uma forma de sociedade em que a pressa constante não dominava, a do período trágico, e, no presente, há indícios de resistência à pressa, como a representada pelos movimentos que afirmam a lógica do devagar. O Zaratustra de Nietzsche já dizia: “Não é com a ira que se mata, mas com o riso. Eia, pois, vamos matar o espírito de gravidade!”.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
Século XX-2016
Localização Eletrônica
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=4578708