Geografia
Fronteiras da cidadania: o cotidiano migratório na "Baixada do Glicério", centro da cidade de São Paulo
O trabalho busca refletir sobre o conceito de Cidadania associado às migrações no espaço urbano. A referência espacial é o bairro da "Baixada do Glicério", situado no centro da cidade de São Paulo e historicamente ocupado por diversos grupos migrantes. Já na dimensão do recorte temporal privilegia-se as migrações pós 2010, pois representam uma virada no cenário migratório brasileiro e da capital paulista devido a chegada de diversos grupos migrantes e também por conta de diversas políticas de ampliação dos direitos dos migrantes que foram aprovadas no período. A partir de um trabalho de inspiração geográfica e centrado nas traejtórias de alguns migrantes, argumento que ao contrário de uma ideia de cidadania clássica, centrada no Estado e na constante ampliação de direitos, a cidadania quando observada pelas lentes do cotidiano se apresentam mais complexas, envolvendo uma série de fronteiras pelas quais os direitos e o pertencimento são negociados com atores do Estado e de fora dele. Assim, ao contrário de uma ideia de que a aprovação dos direitos para os migrantes signficariam melhores acessos a serviços básicos, o reconhecimento dos direitos implica em uma série de negociações pelas quais protagonistas diversos atuam.
Inserção laboral de migrantes internacionais em Santa Rosa/RS: características e tendências
Este estudo busca investigar como os movimentos migratórios se apresentam no mercado formal de trabalho em Santa Rosa/RS entre 2012 e 2020. Para isso, utilizou a base de dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) estoque disponibilizada pelo Observatório das Migrações Internacionais. Os dados indicaram um aumento de 2.240 %de migrantes inseridos no mercado formal de trabalho entre 2012 e 2020. Com a maioria das vagas ocupadas por trabalhadores argentinos até 2015 o crescimento está associado à inserção laboral de migrantes haitianos superando os trabalhadores argentinos a partir de 2016 e concentrando-se em ocupações majoritariamente vinculadas ao Setor da Indústria da Transformação, frigorífico, abate e fabricação de produtos de carne suína. As características de inserção laboral de migrantes haitianos demostram uma etno-estratificação ocupacional. Em ternos gerais, há predomínio de trabalhadores do sexo masculino, com idades entre 18 e 39 anos, sem escolaridade ou com ensino fundamental incompleto. As mudanças observadas no perfil dos migrantes inseridos no mercado formal demonstram alterações na política migratória brasileira e direcionamento laboral em atividades vinculadas no final da cadeia produtiva do agronegócio.
Tradução intercultural e aprendizagem em diáspora: senegaleses em Campo Grande, Mato Grosso do Sul
Esta pesquisa é parte da tese de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Católica Dom Bosco, através da qual lanço um olhar para mim e para o “outro”, considerando categorias importantes como classe social, gênero, condição cultural, enrijecimentos ontológicos, epistemológicos, permeadas por signos imagéticos, movimentos éticos, estéticos e políticos. Este “outro” são senegaleses residentes em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Inventa-se nesta pesquisa um platô pesquisadora-sujeitos, evitando resvalar no binarismo. Utilizando este apenas como ponto de partida, tem-se uma pesquisadora mulher-branca-feminista e africanos, imigrantes, pretos, heteronormativos colaboradores da pesquisa. O (anti) método utilizado é o do rizoma, da cartografia social e da esquizoanálise, através do qual se produzem dados a partir dos acontecimentos em campo e inventam-se platôs. Neste processo, percebo a comunidade senegalesa se hibridizando, por vezes, invisibilizada nas universidades, composta por atores sociais que se reinventam e se traduzem no cotidiano das interações sociais, convivendo ora com a hospitalidade curiosa, ora silenciados frente ao preconceito, diante de dificuldade de comunicação. Tais atores transgridem os marcadores estruturais do racismo à brasileira, ao permanecerem no comércio informal, ao produzirem espaços de resistência chamados dahiras, e ao dialogarem, de forma complexa e artística, com a sociedade brasileira e campo-grandense que os envolve.
BOTAFOGO, CAJU, PAQUETÁ: A BAÍA DE GUANABARA EM FESTA - O REMO E A PRODUÇÃO DO ESPAÇO (1866-1895)
Este estudo objetiva discutir o papel desempenhado por sociedades náuticas no delineamento de um novo perfil de ocupação da Baía de Guanabara, concebida também como lugar de entretenimento. O recorte temporal tem em conta a fundação da primeira agremiação que teve maior vitalidade e longevidade (Clube de Regatas, 1866) e o momento inicial de estabilização do remo fluminense (1895). Foram utilizados dois tipos de fontes: documentos disponíveis em arquivos públicos e, majoritariamente, revistas e jornais publicados no Rio de Janeiro no período em tela. Espera-se lançar um olhar para a história da cidade, seu processo de urbanização e produção dos espaços, a partir de um importante indicador, os divertimentos públicos, especialmente um que logrou progressiva popularidade: o esporte.
UMA CARTOGRAFIA DA DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DA CAPOEIRA EM SALVADOR (BA)
O objetivo deste artigo é analisar a distribuição cartográfica dos espaços da capoeira em Salvador a partir do endereço de sedes de grupos. Tomamos como fonte o catálogo da Fundação Gregório de Matos (FGM) “A capoeira de Salvador: registro de mestres e instituições” (2015) que compilou 164 sedes. Os mapas foram construídos por meio processos geotecnológicos desenvolvidos utilizando planilhas online e ambientes de a Sistema de Informação Geográfica (SIG) livre e aberto. Concluímos que a capoeira se encontra disseminada em todas as regiões de Salvador. Ela circula pela cidade ao ser vivenciada nas praças, ruas, festas de largo, praias e nas sedes dos grupos identificados que legam a cultura da capoeira a partir dos espaços institucionalizados para seu ensino distribuídos na cidade.
A CONSTRUÇÃO DE ESPAÇOS ESPORTIVOS E SEUS IMPACTOS SOBRE OS CITADINOS: O ESPORTE E A HISTÓRIA EM MONTES CLAROS-MG
Neste estudo, buscou-se analisar como a construção de dois espaços destinados à prática esportiva impactaram no cotidiano dos citadinos em Montes Claros-MG. Para atender aos anseios da pesquisa, foi utilizado o método de análise documental a partir de reportagens, publicadas entre 1939 a 1955, no jornal Gazeta do Norte. A noção sobre os impactos e significados das experiências vivenciadas pelos citadinos foram analisadas ao utilizar um diálogo teórico entre a História, a Geografia e a Antropologia. Além disto, a pesquisa buscou um primeiro esforço para uma historiografia dos espaços esportivos da cidade de Montes Claros-MG, a partir de dois investimentos demarcados: a Praça de Esportes (1940), e o estádio João Rebello (1954). Percebemos a proximidade de uma história dos principais espaços vinculados às experiências da cultura esportiva vivenciadas pelos citadinos. A utilização dos espaços públicos da Praça de Esportes e do estádio João Rebelo deu-se com viés ligado à lógica da modernidade, como a diversão espetacularizada, o consumo, e a utilização dos espaços voltados à disseminação de práticas corporais e esportivas.
RECIFE E SUAS ÁGUAS: O REMO NA FORMAÇÃO DA IDENTIDADE ESPACIAL (INÍCIO DO SÉCULO XX)
Este artigo tem como objetivo analisar como aspectos geográficos associados à prática do remo contribuíram para formação de uma identidade espacial na cidade do Recife no início do século XX. Identificada como cidade anfíbia, permeada por águas doces e salgadas, além de um vasto manguezal, este sítio caracteriza-se de uma forma bastante específica, sendo amplamente estudado pelo campo da geografia e do urbanismo. A partir de levantamento bibliográfico associado ao trabalho documental em fontes, como jornais, revistas e fotografias acerca da modalidade remo, discute-se a constituição e afirmação de uma identidade local. Esporte, espaços naturais e urbanos encontram-se como potencial na formação de uma comunidade imaginada, que compartilha discursos e imagens de si.
História e memória do esporte em Jequié
O objetivo deste estudo foi analisar a história e a memória do esporte em Jequié, Bahia, Brasil. Foram utilizados como fontes documentos do Museu Municipal, do Jequié Tênis Clube (JTC), além de entrevistas com esportistas e familiares. O desenvolvimento do esporte em Jequié esteve articulada a transformações que afetavam toda a região em princípios do século 20. Resultado de fluxos multidirecionais intermediados simultaneamente por diferentes grupos sociais, a história do JTC foi elevada por parte da elite local à condição de representante privilegiada de uma modernidade sertaneja.
Quando a fábrica cria o clube: o processo de organização do Bangu Athletic Club (1910)
O presente trabalho tem como objetivo compreender o processo de organização do Bangu Athletic Club e o seu progressivo e dependente relacionamento com a Companhia Progresso Industrial do Brasil. Num primeiro momento, busca-se evidenciar a importância da fábrica na construção e estruturação do bairro de Bangu. Posteriormente, o esforço concentra-se na relação dependente entre fábrica e clube, reestruturando não somente o seu aspecto geográfico, mas, sobretudo, na reconfiguração no tempo de lazer.