Diz-Sensu: Contra-Império e Direfença Desde a Ação Lingüística
O discurso político ao ser estudado desde a perspectiva do controle lingüístico - cuja estruturação advém da lógica capitalista e a difusão é promovida desde o sistema sem fronteiras das mídias – e da criação verbal (contrapalavra/ideologia do cotidiano) leva-nos ao âmago da relação entre linguagem e política. Ao constatar-se o sistema político atual – império – duas alternativas emergem diante do olhar do analista: ou uma sensação de nostalgia, crendo que sistemas anteriores eram melhores, ou, como defendem Negri & Hardt (2005), indo-se além dele. Ir além não significa dizer que a ordem da conjuntura atual – império - seja ruim em si, mas que ela é um obstáculo à democracia que se quer constituir, e, portanto, não um limite. Como tal, o império é o espaço mais propício para se forjar relações menos capitalistas, porém mais humanas. É nesse contexto, que os discursos que despontam – aparentemente desconexos das indústrias de propaganda - difundidos pelas mídias, são analisados, fazendo emergir mitos e paradoxos que tentam inibir a potencialidade (conatus) humana. Esses discursos são entendidos como ideologia oficial ou super estrutura. Cartas e pequenos artigos enviados ao caderno Opinião <<seção opinião pública>> do Jornal de Piracicaba dos finais de semana (sábado e domingo) são analisadas e, desta análise emerge o que em termos bakhtinianos define-se como ideologia do cotidiano ou ainda criação verbal (contrapalavras). Todo o corpus circunscreve-se entre maio de 2005 a setembro de 2006. Numa incursão pela tensão entre os discursos que despontam e os que são produzidos desde uma ideologia do cotidiano sinalizar-se-á (memória de futuro) para a possibilidade de construção do contra-império no sentido de uma política da diferença, cuja possibilidade advém da conjunção de uma comunicação molecular e uma política da comunicação. A construção de uma política da diferença delineia-se desde as brechas existentes na própria nervura do sistema imperial. É no e pelo uso de ferramentas conhecidas ao sistema que o contra-império pode ser forjado. A principal dessas ferramentas é a linguagem e, é desde seu estudo político, que defende-se a fomentação de novas Terras. Busca-se, enfim, responder a uma questão crucial: quem será o sujeito da mudança e como a fará? Para tal empreendimento é que um horizonte comum se estabelece (Negri, Bakhtin, Lévy, Ranciére, Deleuze, Foucault) a fim de apontar para novas formas de batalhas entre as quais o controle da produção lingüística, as possibilidades de comunicação, o trabalho imaterial, a reelaboração de espaços enunciativos e a autopoiese é cada vez mais o objetivo da luta política.