Opinião pública e opinião publicada: representação política, diretas já e a grande imprensa nos (des)caminhos da abertura
O presente trabalho foi dedicado ao estudo de editoriais publicados durante a campanha pelas diretas já por dois jornais da chamada grande imprensa: a Folha de S. Paulo e O Globo. Por meio do destaque à opinião publicada busquei demonstrar aspectos da visão de classe impressa pelos veículos analisados e pelo setor da burguesia que eles representam. Esta análise, feita a partir de eixos temáticos delimitados, consistiu ainda na abordagem do “horizonte de expectativas” traçado pela grande imprensa no período de abertura, transição e, especialmente, ao longo do processo sucessório de 1984. Procurei valorizar, como contraponto, perspectivas destoantes, as quais acabaram por evidenciar as preferências editoriais por determinada interpretação do passado recente, do presente em curso e do futuro projetado nas páginas dos jornais. A compreensão do posicionamento político-ideológico da impressa burguesa e liberal demandou o estudo da própria assimilação do ideário liberal no Brasil, sendo considerados os compromissos conservadores que fizeram parte deste processo. No intuito de fornecer uma perspectiva mais ampla das opiniões impressas, as conjunturas nacional e internacional foram analisadas conjuntamente, sendo ressaltada a interferência desta última sobre os rumos político-econômicos do Brasil. Diante do ‘desvio’ representado pela mobilização em torno das diretas já, os jornais selecionados divergiram quanto aos limites e alcances da participação popular. Já em vista das convergências opinativas, prevaleceu a defesa dos interesses de classe defendidos pela grande imprensa, burguesa e liberal. Esta busca legitimar-se na nova conjuntura democrática como porta-voz dos anseios nacionais, determinando caminhos válidos e descaminhos ultrapassados.