Processos de urbanização
A constituição espacial de uma cidade portuária através dos ciclos produtivos industriais: o caso do município do Rio Grande (1874-1970)
Rio Grande, cidade portuária e primeira demarcação lusitana nas terras rio-grandenses apresentou um rápido processo de industrialização no final do século XIX, resultado da acumulação de capital comercial, proveniente das atividades de importação e exportação. Celeremente, plantas industriais com base produtiva diversificada foram instaladas, expandindo a antiga cidade comercial e conformando o espaço urbano através da introdução de novas estruturas produtivas e de uma excelente base técnica que conformaram os sentidos da expansão urbana, compondo, de forma dual, movimento de renovação arquitetônica em moldes europeus e vilas operárias. Tal realidade se manteve até 1950, quando a economia industrial começa a dar mostras de debilidade, restringindo ou fechando parte de seu parque fabril. De forma paralela, ocorre uma proliferação de todo tipo de loteamento privado, originando as “vilas” periféricas e ocasionando a ruptura entre a cidade e a indústria.
Modernidade e Moradia. Habitação Coletiva no Rio de Janeiro nos Séculos XIX e XX
Partindo das primeiras habitações coletivas no Rio de Janeiro – os cortiços e as estalagens do século XIX– até chegar ao edifício de apartamentos contemporâneo, e aos arranha-céus dos anos 30 do século XX, a autora analisa não apenas as diversas manifestações de habitação coletiva como também as mudanças tipológicas e populacionais ao longo do período abordado. Lílian demonstra de que forma as habitações coletivas surgem como habitação popular, transformando-se, ao final do período estudado, em habitação das classes média e alta, compreendendo os diferentes espaços construídos como produtos dos sistemas econômico, político e cultural.
Cidades Estreitamente Vigiadas: O Detetive e o Urbanista
Este livro trata da paixão por livros; da paixão pelo estudo das cidades e do urbanismo; da paixão por uma cidade, que todos os brasileiros aprendemos a amar: o Rio de Janeiro. Trata-se de entender o processo de constituição de uma nova ordem social, urbana, civilizada, cortesã, “estimuladora da boa moral e da doçura dos costumes” com a chegada da família real portuguesa, na transferência inédita de uma corte européia para os tristes trópicos. O livro do professor Pechman vem preencher uma lacuna nos estudos urbanos brasileiros ao destacar um período tão importante da história do Rio de Janeiro, e de todo o País, que até então só vinha atraindo a atenção da historiografia política ou social. Apesar da ruptura tão grande que significou para a Cidade Maravilhosa a chegada da corte, os melhoramentos urbanos de D. João não suscitaram um interesse muito além do anedótico para a historiografia do período.
Os rumos da cidade: urbanismo e modernização em São Paulo
O livro "Os rumos da cidade: urbanismo e modernização em São Paulo", do arquiteto Candido Malta Campos, surge como uma importante contribuição para a compreensão do papel de urbanistas e políticos nas transformações do espaço desta cidade no período entre 1870 e 1945. Produzido como tese de doutorado pelo programa de Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP– orientada pelo Prof. Dr. Philip Gunn –, o livro se baseia numa pesquisa ampla e incorpora análises acuradas. Entre as qualidades da obra estão a riqueza e diversidade das fontes consultadas, as ilustrações profusas e esclarecedoras(sempre tratadas de forma complementar e subalterna à narrativa), a densidade, rigor e profundidade das análises realizadas e a redação ágil, características que tornam a leitura de suas mais de 600 páginas tarefa instigante e agradável. O livro baseia-se em trabalho de pesquisa histórica que concilia a leitura de uma vasta bibliografia sobre o tema a um amplo trabalho com as fontes – artigos, transcrições de conferências, leis, pareceres, discursos, mapas e fotos – dialogando com este material e, a partir dele, construindo uma narrativa bem estruturada.
Planning Latin America's Capital Cities - 1850-1950
A ideia de um livro sobre as capitais da América Latina, publicado na Planning, History and the Environment Series, foi proposta por Arturo Almandoz em 1999 e logo se materializou. Essa publicação, que consta de um ensaio do organizador sobre a urbanização e o urbanismo na América Latina e de oito artigos com estudos de caso envolvendo nove cidades,não pretende esgotar os estudos sobre as transformações e a europeização do espaço de todas as cidades da América Latina, mas, baseada nos casos estudados, entender como a América Latina processou, em maior ou menor grau, suas reformas urbanas tendo a Europa como referência.
Uma ponte para a urbanidade
Este trabalho explora procedimentos analíticos quantitativos para caracterizar três tipos de atributos morfológicos da capital brasileira. Primeiro, o Plano Piloto não é central em face do sistema urbano maior ao qual de fato pertence e, contrariando os pressupostos colocados por Lúcio Costa no memorial do projeto de Brasília, ele já nasceu excêntrico. Segundo, trata-se de um sistema extremamente disperso, o que é caracterizado aqui por meio de duas medidas alternativas de compacidade. Terceiro, há uma fortíssima segregação socioespacial, caracterizada pelas fracas correlações obtidas entre localização de empregos, localização de habitações, e acessibilidade física: não apenas a grande maioria dos empregos também é excêntrica (pois mais de 70% deles estão no Plano Piloto), como a grande maioria dos moradores concentra-se nas partes mais segregadas da cidade. Ao final do trabalho, especula-se medidas que implicam maior urbanidade para a Capital Federal.
Crescimento urbano, saldos migratórios e atratividade residencial dos distritos da cidade de São Paulo: 1980-2000
Esse trabalho procura contribuir para a análise das mudanças recentes no padrão redistributivo da população dentro do município de São Paulo. Apresenta as tendências de crescimento demográfico dos 96 distritos paulistanos de 1980 a 2000 e sua aderência à tese de crescimento radiocêntrico, do centro para a periferia, proposta na literatura como padrão histórico da distribuição espacial no século XX. Por meio de um modelo demográfico, são quantificados os saldos migratórios e coeficientes de atratividade residencial dos referidos distritos. Procura explicar as tendências observadas com base em fatores físico-territoriais, socioespaciais e econômico-urbanos, mostrando como as deseconomias da aglomeração, pauperização, verticalização, avanço do comércio, produzem impactos diferenciados no crescimento intraurbano, potencializando os fluxos de ou para determinadas áreas no município.
Evolução Urbana e Demográfica: Do Envelhecimento em Belo Horizonte
Este trabalho tem como tema a análise do processo de envelhecimento da população do município de Belo Horizonte e sua evolução no espaço urbano da cidade. Desse modo, são utilizadas as chamadas Unidades de Planejamento como subdivisões do município (em número de 81), nas quais são comparadas as diferentes proporções da população acima de sessenta anos, no município, em 1991, com a evolução da ocupação da cidade em diferentes anos.
Um “Fiat miraculoso”: Oliveira Vianna visita São Paulo
Se uma das particularidades do diagnóstico do primeiro e mais importante livro de Oliveira Vianna, Populações meridionais do Brasil (1920), consiste em pensar o país a partir de suas diferenças internas, de seus elementos heterogêneos - como fica claro desde o título, escrito no plural - essa ênfase no estudo nas diferenças não pode ser vista apenas como simples idiossincrasia do autor, tratando-se, pelo contrário, de uma visão algo recorrente em outras análises daquele momento. Tomando como ponto de partida uma viagem de Oliveira Vianna a São Paulo no início dos anos 1920, tento indicar neste artigo como não apenas o autor, mas principalmente suas ideias "viajaram" e dialogaram de forma importante com diferentes setores intelectuais daquele estado, preocupados então em pensar as relações entre São Paulo e restante do Brasil.