Antropologia
Breves reflexões sobre o asfalto: novas e velhas questões na periferia de São Paulo
Entre o sertão, a cidade e o mar: caminhadas etnográficas no Litoral Norte da Paraíba
Como ensaio de aproximação entre o Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo (NAU-USP) e o Grupo de Pesquisa Etnografias Urbanas da Universidade Federal da Paraíba (GETU – UFPB), realizamos uma breve expedição em três cidades do Litoral Norte da Paraíba – Mamanguape, Rio Tinto e Baía da Traição nos dias 3 e 4 de junho de 2010, pleno feriado de Corpus Christi, com o intuito de observar elementos da paisagem urbana que poderiam suscitar campos de pesquisa futuros e a curiosidade etnográfica de alunos de graduação do curso de Antropologia da UFPB, localizado na cidade de Rio Tinto. Essa expedição contou com a participação do Prof. José Guilherme Magnani, coordenador do NAU/USP; do Prof. Marco Aurélio Paz Tella e da Profa. Silvana de Souza Nascimento, ambos coordenadores do GETU da UFPB; e de estudantes de Antropologia da UFPB: Aldo Silva de Mendonça, Danilo Alex Marques de Farias, Mércia Ferreira de Lima, Francisco de Assis Dornelas de Carvalho, Lívia Freire da Silva, Verônica Guerra e Viviane Martins Ribeiro.
Os ritmos do corpo e da metrópole sobre rodas
“São Paulo: a cidade que não pode parar”. O lema paulistano surgido na década de 1950 alude ao ritmo vertiginoso de crescimento da metrópole, induzido, em grande medida, pelo setor automobilístico coadunado com um planejamento urbano rodoviarista. Ao longo das décadas, no entanto, a cidade que não pôde parar produziu seu inverso. Aprisionou seus automóveis em longos congestionamentos, ameaçando o ritmo do capital produtivo, o que engendrou, paradoxalmente, imobilidades urbanas. Em consequência, emergiram soluções endereçadas às externalidades negativas provocadas pelo excesso de automóveis, dentre elas a bicicleta – em consonância com políticas cicloinclusivas (SÃO PAULO, 2014; SÃO PAULO, 2015) –, acirrando as disputas políticas por espaço e legitimidade na cidade.
Direito à cidade: formas de apropriação de espaços públicos por senegaleses em São Paulo
Cidade espetáculo: breve ensaio sobre a exaltação da altura na 14a Virada Cultural de São Paulo
Este relato parte de um encontro entre a observação etnográfica dos usos da verticalidade durante a Virada Cultural – um evento anual aberto, que ocupa as ruas do centro paulistano ao longo de 24 horas corridas – e a situação corporal vertical – em que me suspendo por cordas para a prática de uma modalidade artística e esportiva. O encontro em questão configura a perspectiva em que a observação se dá: ora acompanhando o público geral da programação do evento, ora compondo essa mesma programação, isto é, como artista em apresentação – nesse caso, a uma distância vertical de dezenas de metros em relação aos espectadores. As implicações da determinação sobre de onde observar o que se observa nesse contexto talvez possam servir à discussão acerca de como acessar e investigar usos possíveis de um espaço amplamente presente na cidade de São Paulo: a altura.
Relato de uma experiência de errância pelo centro de São Paulo na noite da Virada Cultural de 2018
O presente trabalho apresenta-se como um relato de um exercício de errância no centro da cidade de São Paulo. Antes de adentrar na narrativa produzida com base nessa experiência, julgo necessário introduzir ao leitor o caminho que me levou à construção deste texto. O desafio de articular os desdobramentos da pesquisa artística desenvolvida no mestrado aos conteúdos discutidos na disciplina de Antropologia da Cidade pareceu-me, inicialmente, insuperável. O contato com textos e questões levantadas pelo curso causaram, a princípio, a impressão de que os processos envolvidos na construção do trabalho artístico pouco se relacionavam às questões ligadas à prática etnográfica no espaço urbano. Sendo assim, concluí, precipitadamente, que os textos da disciplina ajudariam apenas de maneira tangencial a refletir acerca das questões que me interessavam ao pensar a cidade.
Transgressões compartilhadas no comércio e uso de drogas durante a Virada Cultural paulistana
Este texto tem como objetivo primeiro comentar a utilização de uma técnica de trabalho de campo, a saber, a observação flutuante (PÉTONNET, 2008 [1982], p. 102), bem como suas limitações, quando aplicadas a uma incursão etnográfica e à produção posterior de um relato etnográfico. Tal incursão se deu no contexto de realização da 14a Virada Cultural de São Paulo, em maio de 2018.
Eventos e situações nas ruas de São Paulo: Apresentação
O presente dossiê traz relatos de campo, a maioria sobre acontecimentos havidos na capital em meados de 2018, selecionados (e depois reescritos) dentre trabalhos de fim de curso para a disciplina Antropologia da Cidade. Inicialmente vistos somente como parte de um instrumento pedagógico, os experimentos etnográficos que basearam os relatos aqui publicados mostraram-se potentes como registro de dinâmicas urbanas contemporâneas. Em que pese menor ênfase analítica, dado o incentivo à descrição de cenas e situações observadas, tais experimentos puderam ressaltar os ganhos de um olhar etnográfico sobre a cidade e seus agentes. A publicação aqui de alguns desses resultados também sinaliza a possibilidade de uma contribuição antropológica mais arrojada em um contexto de trabalhos acadêmicos, que, sem demérito algum, necessitam de maior tempo de elaboração.
Estudos de Comunidade: Um Encontro
Neste número da Revista Ponto Urbe reunimos, pela primeira vez, dois entrevistados – os professores Josildeth Gomes Consorte (PUC/SP) e João Baptista Borges Pereira (FFLCH/USP) – cujas trajetórias se confundem com a formação do campo das ciências sociais no Brasil e, mais especificamente, da Antropologia. O objetivo deste encontro foi promover uma discussão sobre o alcance e os limites dos Estudos de Comunidade, realizados nas décadas de 1940 e 1950, cuja contribuição para a pesquisa tem sido retomada em seminários e eventos nos últimos tempos. Uma das questões levantadas pelos entrevistados gira em torno da relação das Ciências Sociais com a educação, tal como ela foi colocada naquele período. Em 1949, durante o primeiro ano de sua graduação em Geografia e História na Universidade da Bahia, atual UFBA, a antropóloga Josildeth Gomes Consorte participou do Projeto Estado da Bahia/Columbia University fazendo trabalho de campo em Rio de Contas, na Chapada Diamantina, como auxiliar de pesquisa de Marvin Harris, então um aluno de pós-graduação na Colúmbia. Por iniciativa do Professor Anísio Teixeira, Secretário da Educação e Saúde do Estado da Bahia, uma equipe de pesquisadores coordenada por Charles Wagley veio para o Brasil desenvolver um projeto que visava o conhecimento da realidade sócio-econômico-cultural local e subsidiaria o planejamento de ações educacionais. Na mesma ocasião, a Escola de Sociologia e Política estava empreendendo um projeto semelhante ao longo do Vale do São Francisco, coordenado pelo professor Donald Pierson. Nesta entrevista, o Professor João Baptista Borges Pereira trouxe valiosas informações sobre este outro estudo, remetendo-se também ao Projeto UNESCO para as relações raciais no Brasil, além de fazer um balanço dos estudos de comunidade.