Estamos de tal forma habituados aos benefícios dos meios de circulação que quase nos passam desapercebidos o nosso grau de dependência em relação a essas facilidades. Via de regra, só nos damos conta da importância da circulação quando, por algum contratempo, ela se interrompe, embaraçando as nossas atividades. Numa primeira classificação, destacaríamos três grandes modalidades de circulação, de acordo com o meio através do qual ela se processa: a circulação aérea, a circulação hidroviária e a circulação terrestre. A circulação aérea é feita presentemente com emprego de aparelhos mais pesados do que o ar: os aviões a pistão, turbo-hélice, ou jato puro. Esta modalidade, em virtude de seu alto custo, destina-se a transportar quase que exclusivamente pessoas e/ou cargas de muito valor e baixo peso. A circulação hidroviária processa-se através do emprego de navios dos mais variados tamanhos, pelos mares e oceanos, e pequenos navios ou barcaças através dos rios, canais e lagos. Esta modalidade de circulação normalmente é lenta, porém tem uma grande capacidade de deslocamento, sendo a mais indicada para cargas muito pesadas e de baixo valor. Finalmente temos a modalidade de circulação terrestre, onde a ferrovia e a rodovia surgem com grande destaque; temos também circulações específicas para determinadas finalidades: o aqueduto para conduzir água, o oleoduto para conduzir petróleo ou derivados fluídicos, a linha de transmissão de energia elétrica em alta tensão, além de outras mais. Os pontos de contato entre uma modalidade de circulação e outra geram uma série de atividades relacionadas com o transbordo, seja de pessoas ou de cargas. Assim temos os portos, que ligam a circulação marítima com a circulação terrestre, os aeroportos ligando a circulação aérea com as modalidades terrestre, as estações ferroviárias e rodoviárias também funcionam como pontos de conexão. Nessa gigantesca rede de circulação que cobre as principais áreas do globo, cuja densidade se constitui num importante indicador de desenvolvimento, cabe à circulação rodoviária um papel particularmente importante em virtude de suas características peculiares: é um sistema de transporte extremamente flexível, que utiliza preferencialmente pistas pavimentadas, mas que é viável mesmo em caminho de terra, constituindo-se num sistema aberto e praticamente acessível ao longo de toda sua rede. Suas limitações mais séries são custo e capacidade unitária de carga dos veículos. O nosso campo de estudo foi o Estado de São Paulo, no que concerne à sua evolução da rede rodoviária, e que apesar de possuir a mais densa e melhor rede ferroviária brasileira, viu-se na contingência de se valer da circulação rodoviária, com todas as vantagens da rede de estradas pavimentadas, das suas frotas de veículos de carga e passageiros já acima de dois milhões e meio, mas também com todos os óbices daí inerentes. Procuramos em nosso trabalho abordar os três componentes fundamentais da circulação rodoviária: o homem, o veículo e a estrada.