Imigrante na cidade paradoxos e pleonasmos
É possível afirmar que os imigrantes contemporâneos, na sua condição extrema de estigmatização social, conformam a imagem do que se rejeita na cidade e, portanto, permite uma análise pormenorizada sobre as próprias lógicas da ordem urbana. A sua condição paradoxal de estar aqui, na cidade, mas ser constantemente imaginado como um intruso ou forasteiro que pertence a algum ali, a um outro lugar, evoca uma incoerência em tomo à sua figura como ator social. Além disso, provoca o questionamento sobre quem pode e deve ser reconhecido como imigrante no espaço urbano, já que se trata de um lugar marcado pela mobilidade, pelo instável e que está constantemente se estruturando. Questionar e repensar a operatividade simbólica que se criou em torno da figura do imigrante não desacredita a realidade atual das grandes cidades do planeta. Pelo contrário, intensifica uma reflexão que se centra em olhar o contexto urbano como um lugar em que a existência de imigrantes e do chamado fenômeno migratório é tão presente, como decisiva para a sua existência e reprodução. No entanto, em uma sociedade contemporânea marcada por humanidades diferenciadas, em que a dinâmica econômica e demográfica levou um grande número de pessoas a dividir o mesmo espaço público, apenas algumas diferenças são realçadas negativamente.