Políticas Públicas e Meio Ambiente: o gerenciamento costeiro de São Paulo
O trabalho pretende compreender a atuação de políticas públicas de meio ambiente através da análise da implantação do Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro em São Paulo. O desenvolvimento socioeconômico da região litorânea paulista ocorreu de forma díspar do restante do país, caracterizando-se como uma região marginal às grandes cidades do planalto paulista, acarretando na estagnação econômica de seus municípios, excetuando-se Santos e São Vicente, o que manteve grande parte de seu patrimônio natural preservado. Na década de 1960, têm início os investimentos estaduais na região, com vistas a atender a demanda cada vez maior de turistas. Dando suporte ao turismo, ocorre a abertura de vários empreendimentos imobiliários, acarretando na destruição de sua cobertura florestal e pressões para a apropriação dos recursos naturais terrestres e marinhos, que ocorrem de forma diferenciada nos diversos municípios, provocando conflitos que refletem negativamente sobre a qualidade de vida da população. Procurando resolver estes conflitos, o Estado de São Paulo institui o Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro, que deverá buscar alternativas para promover o desenvolvimento sócio-econômico com a manutenção e recuperação da qualidade dos ecossistemas costeiros. Dos quatro setores em que se dividiu a região, Complexo Estuarino-Lagunar de Iguape e Cananéia (Litoral Sul), Vale do Ribeira, Região Metropolitana da Baixada Santista e Litoral Norte, destaca-se o último, por conta da presença de grandes áreas cobertas por remanescentes da Mata Atlântica e pela proximidade da Serra do Mar à linha de costa, dando origem a cenários únicos que promoveram uma seleção econômica de seus usuários, com o estabelecimento de condomínios que atendem à classe média e alta. Este setor é o que está mais adiantado no processo de estabelecimento do Zoneamento Ecológico-Econômico, não obstante seus municípios, em especial Ilhabela, estão reivindicando alterações no plano, com vistas a adequá-lo aos interesses políticos das novas administrações municipais, o que poderá acarretar em atrasos na implantação do macrozoneamento, que já possui uma história de treze anos acumulados em discussões e estudos.