Comunicação
Diálogos do simbólico: (re)construção de imaginários sobre Brasil e Argentina em matérias jornalísticas
Esta pesquisa propõe uma reflexão sobre como matérias jornalísticas, veiculadas no Brasil e na Argentina, abordam as relações entre os dois Estados. O principal problema de pesquisa consistiu em investigar se o conteúdo selecionado para estudo contribui para a (re)construção de imaginários sobre como Brasil e Argentina se veem reciprocamente. Como problema subsidiário motivador da pesquisa, pretendeu-se identificar e analisar quais são os elementos simbólicos presentes para realizar tal (re)construção de imaginários. A pesquisa parte da hipótese de que as narrativas e discursos contidos nas matérias selecionadas para estudo são poderosos instrumentos para a (re)construção de imaginários do Brasil em relação à Argentina e vice-versa. O objetivo central da pesquisa foi, portanto, verificar se nas matérias escolhidas para estudo estavam presentes elementos simbólicos capazes de possibilitar a (re)construção de imaginários entre Brasil e Argentina e, além disto, examinar como tais elementos foram articulados para que tais imaginários constituam aspectos das identidades coletivas de brasileiros e argentinos. A partir disso, a pesquisa tem natureza exploratória e de estudo de casos, que constituem amostra não probabilística. Usa o método indutivo para, a partir dos casos estudados, verificar se é possível encontrar tendências mais gerais que contribuam para a referida (re)construção de imaginários. O repertório de matérias foi extraído das seguintes mídias: o jornal Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, portal G1, Revista Veja, portal Extra On-line, jornal La Nacion, portal Canchallena, jornal Clarín, portal Ñ-Revista de Cultura, portal ARQ, em publicações ocorridas no ano de 2014. A análise foi feita com técnicas de leitura cultural e de análise de discurso. As fontes primárias da pesquisa são as matérias selecionadas para análise. Como fontes secundárias, recorreu-se à literatura indicada ao final desta tese. A escolha das matérias foi feita com base na qualidade de cada uma, conforme apresentassem, em comparação com outras matérias, mais elementos simbólicos correlacionados com o objetivo da pesquisa. Em seguida, a pesquisa lança luz sobre a instância de produção do produto midiático, seus atores e as intencionalidades com as quais as narrativas e os discursos são tecidos. Admite-se como premissa que o jornalista é um ator fundamental, protagonista na produção de narrativas e discursos contidos nas matérias estudadas. Por isso, realizamos uma reflexão teórica sobre o papel desse ator e a importância de aliar a sensibilidade e empatia à prática jornalística. A partir desses diferentes aspectos abordados na pesquisa, considera-se que os imaginários do Brasil em relação à Argentina e vice-versa, assim como os elementos simbólicos com os quais esses imaginários são (re)construídos, são forjados pelo jornalista num amplo e complexo processo dialógico.
Educomunicação e cidadania na América Latina. A interface comunicação/educação a partir das práticas sociais no continente: estudo de caso de políticas públicas na Argentina e no Brasil
Esta pesquisa teve como objetivo identificar o contexto político-social em que surgiu o conceito de educomunicação na América Latina, tendo como hipótese que o novo campo emergiu da própria luta do movimento social pelos direitos humanos, em específico, pelo direito à comunicação. Refletimos, nesse contexto, sobre a comunicação, como campo científico, como área de trabalho e, sobretudo, como espaço de conflitos e de exercícios de cidadania. Neste contexto, pudemos localizar, entre outros, dois países na América Latina que obtiveram conquistas significativas em suas politicas públicas relacionadas à interface da comunicação com a educação: o Brasil e a Argentina. Adotando os procedimentos da metodologia da história comparada, buscamos construir uma pesquisa sobre a educomunicação como síntese da contribuição latino-americana para o desenvolvimento de iniciativas cidadãs ligadas aos direitos humanos e à comunicação. Na Argentina, foram levantados os dados sobre a evolução da prática da educación para la comunicación como herança cultural do esforço argentino em torno à pratica da comunicação e à recepção crítica dos meios. Tais estudos tiveram como objeto privilegiado o Programa "La red Nacional de Radios. Aprender con la radio". Já no caso do Brasil, o estudo focou o projeto de política pública, implementado pela prefeitura de São Paulo, a partir de 2001, sob o título Educomunicação nas Ondas do Rádio - Educom.rádio. Nos dois casos, a pesquisa buscou identificar os referenciais teórico-metodológicos que deram sustentação ao nascimento dos programas, garantindo sua sustentabilidade até os dias presentes.
Estudo comparativo da mídia exterior em São Paulo e Buenos Aires
Reportagens atravessadas: um mergulho, via teoria geral dos sistemas na cobertura da poluição atmosférica feita por jornais brasileiros e mexicanos
O jornalista, como ator social e mediador de sentidos, não pode estar ausente o debate ambiental. Ter uma visão de mundo sistêmica é a única forma de conseguir produzir reportagens impregnadas de transversalidade, caminho que torna possível o oferecimento ao leitor de toda a complexidade contemporânea. Esse volume aborda a questão da poluição atmosférica tanto em São Paulo, como na Cidade do México. A discussão do jornalismo a partir dos periódicos Reforma, La Jornada, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo é feita com base da Teoria Geral dos Sistemas. Esse cabedal teórico, usado no jornalismo por vários autores, surgiu na ecologia. Como a visão de mundo da imprensa, no caso do jornalismo sobre meio ambiente, não está sistêmica, essa tese tenta, além de defender a necessidade de uma visão transversal da realidade ambiental, apresentar uma proposta prática, em forma de reportagensaio, como forma de colaborar com o desenvolvimento da cobertura sobre os graves problemas ambientais existentes em todos os quatro cantos do mundo neste início de milênio.
Bibliotecas escolares: políticas públicas para a criação de possibilidades
Esta pesquisa partiu da atual situação da biblioteca escolar brasileira; instituição que, ainda quando existente, é marcada sobretudo por concepções centradas em apenas uma de suas características: uma coleção organizada de recursos informacionais. A questão ganha destaque no presente momento, com a emergência da Lei Federal no 12.244/10, que determina a obrigatoriedade da criação de bibliotecas nas instituições de ensino nacionais e as define exclusivamente como um acervo, bastando, portanto, ações centradas na garantia do acesso à coleção disponibilizada pelas bibliotecas para o cumprimento da determinação oficial. A partir deste contexto, o estudo indica a necessidade do desenvolvimento de políticas públicas ocupadas não somente com a criação de bibliotecas escolares, mas principalmente com sua ressignificação na educação, garantindo que se ocupem com o direito de informar-se que crianças e jovens têm, apropriando-se de informação e cultura. Com o objetivo de conhecer e sistematizar categorias implicadas na implantação de políticas públicas para bibliotecas escolares, a pesquisa - de natureza qualitativa - contemplou uma abordagem de referencial teórico e de estudo exploratório - por meio de entrevistas semiestruturadas - sobre a implantação da política pública municipal levada a efeito na cidade de São Bernardo do Campo (SP), que teve como fruto a Rede Escolar de Bibliotecas Interativas (REBI), concebida a partir do paradigma da apropriação cultural. Como resultado, foram sistematizadas categorias a serem consideradas numa política pública voltada à criação, ressignificação e consolidação da biblioteca escolar em nosso país.
Mediações entre cultura, informação e política: reflexões sobre o Programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania - Cultura Viva
Por uma política cultural que dialogue com a cidade: o caso do encontro entre o MASP e o graffiti (2008-2011)
Em 2008 o Museu de Arte de São Paulo (MASP) recusou uma exposição da dupla de grafiteiros OsGemeos. Em 2011, organizou sua segunda mostra de graffiti em três anos. No mesmo ano, a Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo criou na capital o Museu Aberto de Arte Urbana (MAAU). Em 2008, a Prefeitura de São Paulo apagara um mural de grandes proporções dos mesmos OsGemeos. Pretende-se compreender por que, no final da primeira década do século XXI, a política cultural formulada pelo MASP escolheu o graffiti como uma manifestação urbana a ser ali exibida, traçando-se um paralelo com opção similar feita pela Secretaria da Cultura em relação ao graffiti no espaço público. Está nessas ações uma tentativa de estabelecer novos modos de relacionamento com a cidade e, de algum modo, participar de sua reconfiguração? A ação permitiria estabelecer-se algum paralelo com as origens do museu concebido por Lina Bo Bardi, que nas suas primeiras décadas de criação travava forte diálogo crítico com a cidade? Considera-se a intensificação do diálogo entre os equipamentos culturais e o espaço público -- e com as manifestações artísticas e culturais no espaço público -- como potente para religar os laços entre os cidadãos e os equipamentos culturais da cidade, ao mesmo tempo em que se considera que uma maior intensificação no relacionamento entre pessoas, arte e cultura, equipamentos culturais e cidade contribui para uma ampliação dos usos da cidade e do relacionamento de seus moradores com o simbólico, entendendo-se que pelo diálogo passam obrigatoriamente as ideias de dissenso (RANCIÈRE, 2012), negociação e conflito (CANCLINI, 2004).
Políticas culturais, tecnologias de informação e democracia cultural: o programa VAI e a constituição da Agência Popular Solano Trindade
Trata-se da análise das estratégias de articulação e comunicação utilizadas por jovens produtores culturais da cidade de São Paulo, de modo particular sob o ponto de vista daqueles organizados em grupos e coletivos culturais localizados em suas regiões mais periféricas. Investigou-se quais relações se estabelecem entre esses coletivos e as redes e circuitos culturais existentes na cidade de São Paulo, e qual o papel exercido pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) nesse processo, concebidas aqui enquanto ferramentas dessa articulação, não seu fim último. O estabelecimento do recorte de ação para a pesquisa partiu da investigação de uma política pública municipal de fomento à produção cultural, desenvolvida na cidade de São Paulo desde 2004, e que vêm sendo responsável por desvelar e dar visibilidade às diferentes manifestações artísticas e culturais realizadas por esses jovens: o Programa para Valorização das Iniciativas Culturais. Dentro do conjunto de projetos suportados com recursos desse programa, optou-se pela realização de um estudo de caso específico uma iniciativa em particular: a implantação de uma agência de fomento a cultura popular, denominada Agência Popular Solano Trindade. Especial atenção foi dada ao processo de elaboração do portal na internet que a Agência lançou no final do ano de 2012, e que se propõe funcionar como plataforma tanto de informação sobre as ações da instituição, suas motivações e objetivos, como de mapeamento dos atores culturais que a integram. Desse modo, pretendeu-se oferecer subsídios para o debate sobre a dinâmica das práticas culturais que se desenvolvem nas bordas da metrópole, e analisar mais detidamente de que maneira uma rede social pode animar e ampliar o desenvolvimento de uma rede sociotécnica, e o papel assumido pelo usuário enquanto parceiro do processo de construção e circulação da informação.
Bibliotecas dos Centros Educacionais Unificados (CEUs) : a construção de uma cultura comum
As bibliotecas dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), implantadas a partir de 2003 na cidade de São Paulo, foram inicialmente celebradas como uma conquista significativa: primeiro em termos de cobertura territorial de bibliotecas na cidade; segundo como uma possibilidade única no desenvolvimento de uma atuação de caráter híbrido de biblioteca pública e escolar. Este trabalho apresenta e discute a proposta de biblioteca do CEU e verifica, através dos sujeitos e por meio da aplicação de entrevista semiestruturada como essas bibliotecas estão se configurando ao longo dos anos, principalmente em regiões de crise urbana (enchentes, desapropriações, violência, incêndios etc.). A análise dos dados evidenciou que as bibliotecas podem ser caracterizadas como: educativa, porém desligada do currículo escolar; aberta a toda a comunidade; inserida no projeto educacional de cada CEU, e preocupada com a formação da consciência cidadã, com linhas de ação que permitem a construção de uma biblioteca mais que híbrida, plural, no sentido de agregar múltiplos saberes, ampliando, portanto, sua esfera de atuação. Verificamos em alguns sujeitos envolvidos com a biblioteca, especialmente os bibliotecários, a intenção em criar vínculos com a sua comunidade sem, contudo, ignorar problemas próprios da periferia. Ao contrário, esses foram determinantes para a elaboração de projetos de bibliotecas específicos, propiciando as aberturas necessárias para que as pessoas pudessem circular no mundo da informação e da cultura.