Arrimos da memória dos imigrantes italianos e seus descendentes: alimentação, família, casa, objetos, terra natal e bairro (1942-1960)
Esta pesquisa buscou, por intermédio de depoimentos orais, documentar as referências de apoio e os elementos de arrimo utilizados tanto por imigrantes como por descendentes deles, estabelecidos em São Paulo. Trata-se de um estudo das tradições alimentares trazidas da casa materna de famílias italianas de ontem e hoje, pela forma como os depoentes as rememoraram relativamente à cultura material e às experiências na terra nativa e, posteriormente, pela vivência no bairro do Brás e no próprio espaço privado do lar. Com base nas reflexões sobre oralidade e memória, uma vez que as fontes aqui usadas consistiram em testemunhos e livros de memorialistas, buscamos perceber as (re)significações muitas vezes nostálgicas e idílicas que esses grupos criaram sobre seu passado e seus hábitos, além da subjetividade das declarações no momento presente, seus silêncios e omissões. Pelas entrevistas entre 2010 a 2012, que priorizaram italianos de diferentes regiões da Itália e seus descendentes, pudemos observar as diferenças regionais na culinária e nos costumes e também a terrível experiência da fome, as dificuldades e a própria História italiana na época da Segunda Guerra. Quanto aos descendentes, que relataram isso pelo que souberam dos mais velhos, percebemos como reelaboraram essa recordação e o que incorporaram das gerações passadas no que concerne a valores, práticas alimentícias e a patrimônios herdados.