Este artigo analisa os processos de montagem em filmes produzidos por jovens de periferia, centralizando a atenção sobre os processos criativos, de inclusão e exclusão das imagens produzidas para a composição do filme e dos marcadores sociais e culturais utilizados. Considero esses filmes como formas de comunicar e mostrar o mundo em que esses jovens vivem. A parceria entre roteiro e montagem permitiu analisar o discurso sobre o que “deveria aparecer” nos filmes com a percepção idealizada do socialmente visto, e o que efetivamente é colocado nos filmes, à objetivação da percepção. As reflexões das antropólogas-cineastas Catarina Alves, sobre o roteiro na produção de filmes etnográficos e as representações fílmicas; e Rose Satiko, sobre a construção do significado na percepção das relações entre pesquisador e pesquisado, foram importantes para pensar o campo de pesquisa em questão, pois deriva deste campo um filme etnográfico realizado pela pesquisadora.