Territórios negros e o carnaval de São Paulo nos anos 1980: uma revisão crítica
Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre o conceito de “território negro”, tal como definido pela arquiteta e urbanista Raquel Rolnik nos anos 1980, observando sua relação com o debate sobre a cultura popular negra paulistana, então em curso nas ciências sociais. Para tanto, analiso a coleção audiovisual “Carnaval Paulistano” do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, criada em parceria com a Universidade de São Paulo entre os anos 1970 e 1980. Atentando para as negociações assimétricas entre intelectuais brancos e artistas negros, busco identificar os discursos sobre raça, cultura popular e território em São Paulo relacionados à noção de território negro, bem como apontar dissensos que foram aparados da narrativa pactuada naquele momento. Chamo, assim, a atenção para aspirações e lutas heterogêneas da população negra da cidade que contrastam com leituras essencialistas associadas àquele conceito.