O processo de integração social da criança e adolescente imigrante na escola pública
O objeto deste estudo é a criança e/ou adolescente imigrante no ambiente escolar. O problema de pesquisa se constitui em verificar quais fatores interferem na relação da criança e/ou adolescente imigrante com a escola pública e em que medida o ambiente escolar favorece sua inserção, adaptação e integração, buscando compreender esse processo através da percepção que os alunos imigrantes têm da escola e dos fatores que influenciam sua adaptação e seu desenvolvimento. Também foram abordadas as respostas pedagógicas que a escola coloca em prática para acolher a comunidade imigrante.
Assim, os objetivos foram caracterizar de que forma se processa a comunicação intercultural entre a escola e o aluno estrangeiro e identificar quais abordagens e projetos estão sendo utilizados para favorecer essa integração a um novo território, cultura e língua. A pesquisa foi desenvolvida em uma escola pública localizada na região central do município de São Paulo, que serve um território com grande presença de imigrantes, tais como bolivianos, paraguaios, peruanos, chineses, entre outros, onde predominam pessoas de classe de renda mais baixa, carente quando nos referimos às moradias precárias e também à exaustiva carga de trabalho a que os imigrantes situados na região estão sujeitos.
O trabalho apresenta, inicialmente, um panorama dos fluxos migratórios contemporâneos, seguido de uma reflexão sobre a questão do território e das territorialidades para o imigrante, e de que forma a escola pública brasileira do século XXI reconhece a interculturalidade e a diversidade em seu processo de aprendizagem, além de destacar a presença dos alunos imigrantes e os desafios e obstáculos aos quais estão sujeitos no ambiente escolar.
O estudo possibilitou perceber que, dentro da escola, os processos de integração e de aprendizagem da criança e/ou adolescente imigrante, apesar de, inicialmente, se mostrarem conturbados, geralmente pela falta de domínio da língua portuguesa, com o passar dos anos a adaptação e o desenvolvimento dessas crianças e/ou adolescentes se mostraram satisfatórios. O desafio percebido pelo estudo é a inexistência de um projeto mais amplo de inclusão que aborde a presença do aluno imigrante em sala de aula, além dos problemas que envolvem a comunidade que sua família escolheu para estabelecer um novo território. Um projeto assim asseguraria a integração e minimizaria a discriminação e o preconceito ainda muito presentes na sociedade brasileira e, por extensão, no interior da própria escola.