Desterritorialização e resistências: viajantes forçados colombianos em São Paulo e Barcelona
Esta tese visa analisar o processo de desterritorialização geográfico e existencial, experimentado por viajantes forçados colombianos refugiados nas cidades de São Paulo e Barcelona. A minha hipótese é que este fenômeno obedece a estados de guerra prolongados que na Colômbia se manifestam por meio da existência de domínios territoriais, contra-estatais e paraestatais, que disputam a soberania do Estado e conformam ordens de fato com ambições soberanas. Neles se luta por uma dominação territorial, por uma ordem justa, pela submissão de seus moradores e por uma representação soberana, características que levam a concluir que se trata de guerras pela construção da nação. Desse modo, o encontro com a guerra implica um devir-estrangeiro que emerge ao traspassar as fronteiras nacionais, ao ser submetido a controles migratórios, ao ser contrastado com os cidadãos, ao ser alvo de dispositivos discriminatórios como é caso do uso de estigmas ou estereótipos negativos. Não obstante, a desterritorialização tem provocado as mais variadas resistências, desde as reivindicações ao rebusque. As resistências se expressam de forma impetuosa, sutil, visível ou oculta, configurando o que Scott chama de infrapolítica, Certeau de antidisciplina ou Pécaut de savoir-faire ao qual se recorre em caso de necessidade. Baseado na análise micropolítica proposta por Deleuze e Guattari, sugiro um olhar antropológico que privilegia o occursus (encontro, devir) como via de acesso à alteridade.