Porto de Santos e a Febre Amarela
Este trabalho tem origem na procura dos reflexos de uma doença tropical na cidade de Santos, em fins do passado. A má edificação da cidade, as ruas estreitas e pouco asseadas, a inexistência de um sistema de esgotos e a formação de brejos e mangues, aliados à falta de aclimatamento da população, foram fatores decisivos para que a febre-amarela encontrasse em Santos um ponto de permanência e expansão. O objetivo central da investigação é saber se as epidemias de febre-amarela que assolaram a cidade no período de 1873 a 1905 influíram nas quedas da movimentação portuária durante aquele período. Descobrir as variáveis que interferiram nos altos e baixos da tonelagem operada pelo porto de Santos de fins do século XIX ao primeiro lustro deste século é a nossa meta. O trabalho situa-se procura compreender como, quando e porque a febre-amarela dominou o porto de Santos, sem que nenhuma providência fosse tomada, quer de âmbito municipal, quer provincial, estadual ou central, até que surgisse o fator socioeconômico que provocou o processo de saneamento e, conseqüentemente, a erradicação do mal amarílico. Procura verificar a existência e a coexistência do binômio São Paulo - Porto de Santos, saber em que medida a febre amarela agiu nesta interdependência e qual a posição da oligarquia política dominante. Conclui que somente após a criação das Sociedades Mutualistas, da União Operária e do Partido Operário, que passam agitar a opinião popular, é que a política da época intervém, realizando o saneamento entrelaçado com os trabalhos da Companhia Docas de Santos. Estudando a influência destes dois fatos sobre a vida e o progresso da cidade de Santos, podemos afirmar que ela é filha da engenharia sanitária de Saturnino de Brito e da tarefa da tarefa de Emílio Ribas que, como Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro, extinguiu a febre-amarela.