Melhores que o patrão: a luta pela cogestão operaria na Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus (1958-1963)
Este estudo analisa a experiência de construção de uma corrente sindical operária de feição democrata-cristã na cidade de São Paulo entre 1954 e 1963 centrada nos trabalhadores da Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus, localizada no bairro paulistano com este mesmo nome. O movimento conseguiu projeção no plano da política nacional em razão da importância econômica da empresa e do amplo leque de alianças sociais e políticas articuladas pela direção do sindicato operário local. Nos anos de 1959 e 1962, o sindicalismo de Perus realizou um interessante processo de articulação de suas lutas com mobilizações dos trabalhadores da região do ABC influenciados pelo trabalho pastoral desenvolvido por Dom Jorge Marcos de Oliveira, o ?Bispo dos Operários?. Dessa iniciativa resultou a formação da Frente Nacional do Trabalho em 1960, associação civil comprometida com a luta por um sindicalismo desatrelado do Ministério do Trabalho. O ponto alto do movimento foi a grande greve de 1962-1963 que visava à desapropriação da Companhia de Cimento pelo Estado de São Paulo para que uma cooperativa operária assumisse a gestão da empresa. Esta paralisação colocou em xeque a administração Carvalho Pinto (1959-1963) e não se esfacelou com o afastamento da maioria dos grevistas da Companhia em agosto de 1962, pois prosseguiu de diversas formas, fora da fábrica, até a reintegração ao trabalho dos operários estáveis no ano de 1969, num total de sete anos e quatro meses de greve legal. Os acontecimentos de 1962-1963, todavia, levaram a direção do sindicato a repensar seu projeto político, levando-a a constituir uma variante brasileira do movimento da Não-Violência afinado com as profundas mudanças pelas quais passou a Igreja Católica do Brasil na década de 1960.