Protagonismo dos movimentos de moradia no centro de São Paulo: trajetória, lutas e influencias nas políticas habitacionais
A pesquisa analisa a luta e trajetória dos movimentos de moradia no centro de São Paulo, os desafios, avanços, recuos e o protagonismo que estes atores exerceram na pauta da moradia na região central, entre anos 1990 e 2014, período em que dezenas de grupos de Sem Teto passaram a demandar das instituições o direito de morar no centro da cidade, onde há infraestrutura consolidada e a possibilidade de acesso a serviços públicos. Verificou-se que os movimentos de moradia por meio de suas lideranças e grupos de base vêm atuando em diferentes estratégias: atividades de formação, participação em atos públicos, ocupação de edifícios vazios, participação em espaços institucionais como comissões, fóruns, conselhos e outras instâncias setoriais de democracia direta. As estratégias, lutas e mobilizações pela moradia no centro de São Paulo colocaram luz sobre as mazelas, contradições e omissões dos poderes executivo, judiciário e legislativo, que historicamente se associaram ao setor privado para impedir que os pobres tivessem acesso à terra. O trabalho demonstra como as lutas dos Sem Teto do centro de São Paulo, num processo sistemático e pedagógico de confronto com o capital imobiliário e poder público, têm ocupado a cena urbana, influenciaram as políticas públicas de habitação e estabeleceram uma nova agenda em torno do direito à cidade e da reforma urbana.