A dissertação estuda as estratégias de ação coletiva planejadas e desenvolvidas por um determinado ator político - o movimento sindical brasileiro - no que diz respeito prioritariamente à temática do emprego, identificando o que foi discutido e realizado pelas organizações de trabalhadores, visando recuperar os postos de trabalho perdidos, reduzir ou impedir novas demissões, e garantir melhor qualidade aos postos de trabalho já existentes. O trabalho foi realizado entre 1990 e 1995 nos sindicatos dos Metalúrgicos do ABC e Metalúrgicos de São José dos Campos, ambos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), e nos sindicatos dos Metalúrgicos de São Paulo e Metalúrgicos de Osasco, filiados à Força Sindical (FS). O estudo procura captar e entender, a partir da análise dos congressos de trabalhadores, movimentos grevistas e negociações coletivas, como a questão do emprego - e, portanto do desemprego -, foi tratada, isto é, quais as ações definidas, explicitadas e planejadas e em que medida esta questão motivou ou inibiu as greves e as cláusulas reivindicadas e negociadas, comparando os sindicatos entre si e nos diferentes espaços de atuação. Após a discussão dos aspectos metodológicos utilizados na pesquisa, no capítulo 2 realiza-se uma revisão bibliográfica, buscando as discussões sobre a estratégia e a ação sindical nos anos 1990, sob a ótica de alguns autores brasileiros que têm discutido o tema. No capítulo seguinte, com o objetivo de conhecer o contexto e os interlocutores fundamentais do movimento sindical, analisam-se de forma breve as ações de outros atores políticos, como o setor patronal e o Estado, bem como o comportamento do mercado de trabalho. No capítulo 4, elabora-se uma caracterização básica dos quatro sindicatos pesquisados, e, através das entrevistas realizadas, busca-se aprofundar a discussão sobre estratégia e ação sindical nos anos 1990 frente à temática do emprego, dialogando com as diferentes perspectivas dos dirigentes das entidades. Analisa-se forma detalhada nos capítulos subsequentes como a temática do emprego foi discutida e enfrentada pelos trabalhadores metalúrgicos e seus representantes em espaços específicos de ação sindical coletiva -- nos congressos de trabalhadores, nas greves e nas negociações coletivas --, procedendo-se a uma breve síntese que compara as estratégias e ações nos espaços mencionados. Finalmente, nas considerações finais, são discutidas as estratégicas convergentes e divergentes, bem como as possibilidades e limites dos espaços pesquisados para a solução do problema do desemprego, a partir das perspectivas sindicais em sua interação com os demais atores políticos, buscando ainda apontar novas perspectivas de pesquisa futura sobre o tema.