A urbanização contemporânea articula-se às dinâmicas do modo capitalista de produção, o qual direciona esse processo sob a perspectiva de uma economia política da urbanização compreendida conjuntamente com uma economia política da cidade. Por conta disso, a estruturação dos espaços urbanos e os objetos que os constituem não podem ser tomados, nem analisados, como simples objetos estruturantes da base material, tendo em vista que a produção do espaço urbano sob tais perspectivas os envolvem como meios de reprodução do capital, sendo que, não somente o solo urbano, mas todos os meios que o caracterizam como um ambiente construído, também se tornam meios de consumo urbano. Esse consumo pode ser visto a partir de duas dimensões: a individual e a coletiva. Nessa dissertação, trabalharemos com os meios de consumo coletivo – as infra-estruturas, os equipamentos e os serviços urbanos –, que adquirem características e importâncias peculiares no cotidiano das cidades o que, na pesquisa realizada, foram tomados em sua dimensão econômica. Porém, muitos fatores estão presentes na distribuição dos meios de consumo coletivo. Para debatê-los, escolhemos duas infra-estruturas na cidade de Bauru (SP), as constituintes das redes de drenagem pluvial e de pavimentação das vias públicas.
Nosso caminho metodológico caracterizou-se pela identificação de uma periodização que aponta para momentos de reestruturação urbana e da cidade de Bauru, nas quais a produção do espaço urbano foi direcionada por agentes econômicos e políticos, públicos e privados. Para isso, buscamos demonstrar a espacialização das infra-estruturas analisadas, bem como interpretá-las por meio das dinâmicas atinentes ao processo de produção capitalista, envolventes da forma de gestão e planejamento urbanos.
Concomitante a esse processo, acontece a vida urbana, dimensão onde se expressam os problemas urbanos advindos da ausência ou insuficiência de meios de consumo coletivo. Foi necessário, também, demonstrar a relação entre a densidade infra-estrutural e a densidade populacional, bem como a distribuição desigual da primeira consoante à segmentação social urbana da segunda.
Tais recortes analíticos foram selecionados para buscarmos analisar as dinâmicas que permeiam a alocação dos meios de consumo coletivo frente ao processo de produção do espaço urbano, bem como as interações socioespaciais que fazem das dinâmicas urbanas e dos espaços das cidades meio de complexas relações sociais, econômicas e políticas, responsáveis por produzirem cidades diferentes em suas morfologias urbanas.