A presente pesquisa decorre de um olhar sobre a banda estudantil e o seu transitar por diversos ambientes sociais, como: ginásios, praças, escolas, centros de lazer, festas cívicas e, principalmente, concursos de bandas no Estado de São Paulo.
A tese foi construída com base na ideia de configuração social - no sentido dado por Norbert Elias (1970;2000) -, com análises das inter-relações que ocorrem numa teia multifacetada de tensões móveis entre instituições e agentes (regentes, músicos, balizas, coreógrafos, organizadores de concursos e outros eventos, pais de alunos, professores de escolas, comerciantes de instrumentos musicais, membros de associações, federação de bandas, etc), interessados em ver e fazer a banda estudantil passar.
As diferenças, entre banda escolar e banda estudantil, foram identificadas, comparadas entre si e com outros tipos de bandas, assim como as práticas que delimitam o que é possível escolher e decidir a cada novo ambiente que a banda frequenta.
Para aprofundamento, foi realizado um estudo de caso tendo como objeto a Fanfarra Marcial PAZ, de Americana/SP, com sede em escola estadual de mesmo nome. Foi constatado que esta categoria de banda estudantil tem desenvolvido práticas bastante originais, como o uso de instrumentos musicais remodelados, sistema alternativo de afinação, sublimação de práticas disciplinares (marcha, ordem unida, coreografias, exigências de postura corporal, entre outras), apropriação de instrumentos vindos de outras modalidades de bandas, repertório mais eclético do que as fanfarras escolares tradicionais, além de seguir o seu próprio estatuto (o que lhe dá amparo legal para desenvolver uma autonomia administrativa e econômica), ao contrário das bandas escolares submissas às decisões de suas respectivas escolas.
O capítulo III foi reservado para entender o sentido das competições de bandas no Estado de São Paulo, tendo como eixo a comparação entre o antigo Campeonato de Bandas da Rádio Record/SP (1956-1982) - onde inicialmente prevaleceram as bandas escolares - e as atuais competições com as suas bandas estudantis inventivas e astutas. Foram analisados os papéis que assumem as competições na construção de uma identidade de banda estudantil, suas influências na legitimação de regras e comportamentos, o aumento de empresas patrocinadoras das bandas competitivas, o entrelaçamento entre a música e o esporte, a valorização de uma fanfarra marcial sofisticada e atuante em campeonatos.