Empreendedores da cena noturna: uma análise do trabalho de promoters de eventos artístico-musicais na cidade de São Paulo
Com o advento da chamada flexibilização das relações de trabalho e produção, uma série de novos valores e características ganhou protagonismo nas análises sobre a categoria trabalho, voltadas para a crescente individualização das responsabilidades, para as novas organizações enxutas e para os engajamentos pautados em projetos de curta duração, em oposição ao momento antecedente do trabalho assalariado protegido do modelo fordista-keynesianista. A análise do percurso ocupacional dos organizadores de festas no lazer noturno da cidade de São Paulo forneceu um recorte empírico representativo dos valores afeitos à flexibilidade que se espera dos trabalhadores contemporâneos. Observamos as formas recorrentes de ingresso e manutenção neste mercado difuso e ainda sem alguma regulamentação institucionalizada, relacionadas, sobretudo, com a posse de um capital social diferenciado, mobilizado segundo prescrições culturais dos grupos consumidores das festas. Analisamos também as demandas subjetivas e objetivas articuladas no dia a dia da atividade, que, embora tomem grande esforço físico e mental e dominem grandes períodos de suas agendas pessoais, são reinterpretadas positivamente enquanto valores afeitos ao empreendedorismo e a liberdade criativa autônoma. Buscamos observar como é construída a sua identidade como trabalhadores a partir desta prestação diferenciada de serviço, na medida em que vendem um produto que é caracterizado pelo seu valor simbólico. Entrevistamos oito Promoters de estilos musicais diferentes, utilizando-nos de entrevistas livres e semiestruturadas, realizadas pessoalmente ou através de plataformas virtuais de interação, que são os espaços por excelência da divulgação e promoção das suas festas autônomas ou partilhadas com os locais de entretenimento.