Novas tecnologias e meio urbano
A função social da amizade duradoura na sociedade contemporânea : um estudo com jovens adultos moradores da metrópole paulistana
Saltam aos olhos a mudança que a amizade e as formas de interação social que a envolvem sofreram ao longo do tempo. Considerando-se a sociedade contemporânea, nota-se que a amizade é influenciada pelas novas tecnologias, como o telefone celular e a Internet, e suas ferramentas (correio eletrônico, redes sociais e programas de mensagens instantâneas). O estudo apresentado nesta tese busca trazer uma abordagem sociológica sobre tal tema, pois a amizade representa um campo relativamente novo de pesquisa na Sociologia. Nesse contexto, é fundamental que se compreendam os impactos das novas tecnologias da informação sobre as relações de amizade, e a função social da amizade na sociedade atual. Devido à importância de se considerar não só as consequências previstas e manifestadas pelo indivíduo, mas também aquelas não expressas, tomou-se como referencial teórico para o estudo da função social da amizade na sociedade contemporânea os conceitos de "função social manifesta" e "função social latente", pensados pelo sociólogo norte-americano Robert K. Merton. Tais funções sociais da amizade na sociedade contemporânea foram investigadas com base em 37 entrevistas, realizadas com homens e mulheres jovens adultos, moradores da metrópole paulistana, sendo a maioria natural da cidade de São Paulo. Também se buscou compreender as principais formas de manutenção social da amizade duradoura, para analisar a importância, ou não, do encontro presencial para a sua conservação
“Os pioneiros: a desigualdade digital entre membros das classes médias na cidade de São Paulo”
Este estudo teve como objetivo entender os modos de uso de computadores por diferentes membros das camadas sociais médias na cidade de São Paulo, em um momento histórico de aumento do consumo das classes menos privilegiadas. Levando-se em conta a teoria dos campos de Bourdieu, a hipótese central deste estudo é a de que os diferentes modos de uso dos computadores são originados a partir da distribuição desigual dos capitais econômico e cultural entre membros dos diferentes grupos sociais pesquisados. Através da etnografia dos usos, foi possível observar e comparar diversos modos de uso do computador e da internet que colaboram com a hipótese central. Esta pesquisa apresenta as barreiras que a desigualdade digital impõe às classes menos privilegiadas assim como também apresenta algumas estratégias de superação dessas barreiras que essas classes adotam.
“Idéias, redes e dinâmica política: a construção da agenda da inovação na FAPESP”
Esta dissertação tem por objetivo estudar a construção da agenda de inovação no Estado de São Paulo, do início da constituinte paulista até 2008. O O foco central consiste em entender os vetores que levaram à esta atual configuração da política científica e tecnológica. Para a realização da pesquisa, será analisada a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), entidade que foi pioneira na implementação de programas de incentivo a inovação, é sabiamente um centro de excelência na política de C&T e que pauta esta política no estado mais rico do país. As conclusões indicam que esta nova agenda tem como ator principal a comunidade científica, e não os setores empresariais, pois a sua maior internacionalização possibilitou seus dirigentes acompanharem tendências mundiais. Este trabalho foi desenhado a fim de investigar o desenvolvimento da política de inovação em três níveis de análise: o contexto histórico, a dinâmica política e organizacional e as redes sociais.
Entre o sonho do acesso e o território do fazer: um estudo sobre duas experiências nacionais de inclusão digital, na cidade de São Paulo
Esta pesquisa teve como objetivo estudar as relações e resultados das parcerias constituídas para a realização de dois programas de inclusão digital na cidade de São Paulo, os Telecentros, financiados por órgãos governamentais e os espaços comunitários de inclusão digital criados pela Organização Não Governamental Comitê para Democratização da Informática (CDI), ambos pioneiros na política de inclusão digital no país. Para a realização dos Programas, Governo e ONG constituem parceria com organizações sociais de pequeno porte, sediadas, geralmente, em bairros mais pobres da cidade, que vai dar à política de inclusão digital um caráter de inclusão social. Na pesquisa voltamos o nosso olhar às relações cotidianas entre os atores envolvidos com a experiência do fazer inclusão digital, considerando os arranjos formais e informais impostos pela prática e pelas parcerias estabelecidas. Com o recorte encontramos apoio em uma bibliografia voltada para os estudos do fazer cotidiano (CERTEAU), para os da comunicação como forma de resistência política (MARTIN-BARBERO e DOWNING), para as pesquisas que têm como referência os movimentos sociais e as demandas sociais atuais como desafios da democracia moderna (SANTOS e BOBBIO) e para os estudos do acesso às novas tecnologias de informação e comunicação. Ao contrastamos as diretrizes dos Programas e os desejos dos formuladores da política de inclusão digital com as decisões práticas cotidianas dos gestores das organizações executoras, bem como a atenção dos usuários, percebemos que há um distanciamento entre o acesso pensado e o acesso realizado. Contudo, na busca para realização das metas planejadas, os atores envolvidos e usuários constroem formas de fazer a inclusão, dando repostas significativas à forma como a política pública de inclusão digital é tratada em nosso país
Política e internet : o governo eletrônico da Prefeitura de São Paulo (2001-2006).
Esta dissertação tem como objetivo refletir sobre o uso das Tecnologias da Comunicação e Informação (TICs), particularmente da Internet, pelo governo municipal da cidade de São Paulo. Para tal, como corpus empírico, analisamos a política de governo eletrônico da Prefeitura de São Paulo de 2001-2006 e enfatizamos os dois principais elementos que a compõe: o Portal da Prefeitura e o Plano de inclusão digital. Pretendemos, assim, compreender como e em que medida esta política visa integrar esse governo municipal às exigências atuais de instalação de um novo padrão de gestão, que vigora pelos princípios do Mercado, e ainda, ampliar a participação ativa dos cidadãos na gestão pública municipal, uma vez que a Internet tem potencial tecnológico para satisfazer ambos os intuitos. Para mensurar esses dois aspectos baseamos nossa analise na existência de cinco graus de participação, nomeados de graus de democracia digital, os quais nortearam metodologicamente esse estudo. Para dar corpo a essa investigação, a pesquisa recorreu ao estudo de documentos (leis, decretos, portarias e comunicados), a entrevistas com os coordenadores dessa política no período estudado e a realização de uma avaliação efetiva no Portal da Prefeitura e com os usuários dos telecentros do Plano de inclusão digital.
Sorria, você está sendo filmado: as câmeras de monitoramento para segurança em São Paulo
Tendo em vista a proliferação de mecanismos de vigilância e controle nas sociedades contemporâneas ocidentais, esta dissertação busca refletir sobre as representações e discursos associados à inserção das câmeras de monitoramento para segurança no cotidiano brasileiro. A partir de um estudo de caso realizado na região central da cidade de São Paulo (Parque da Luz), do levantamento das proposições e normas legais que versam sobre o tema e do acompanhamento de publicações e feiras do setor de segurança eletrônica, procura-se fazer emergir tais discursos. A transformação da segurança em mercadoria e sua promoção por meio da idéia de prevenção ou antecipação são alguns dos aspectos percebidos na pesquisa como profundamente equacionados com essa prática. Baseando-se em aspectos como esses, argumenta-se que as câmeras de monitoramento participam de uma forma de exercício do poder na atualidade, que focaliza fluxos e mobilidade em detrimento do indivíduo.
Inclusão digital? : um estudo sociologico sobre o CDI Campinas : comite para democratização da informação
Este trabalho tem por objetivo apresentar o debate sobre a exclusão digital, discutido através da pesquisa empírica realizada junto à organização não-governamental CDI Campinas - Comitê para Democratização da Informática. Cuja missão é a abertura de EICs - Escolas de Informática para Cidadania, em parceria com organizações que desenvolvam políticas de inclusão social. Como fio condutor elaboramos 5 categorias de análise da inclusão digital: alfabetização digital, aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser. Sendo que as quatro últimas se fundamentam nos 4 Pilares da Educação, propostos pelo Relatório da Comissão da Unesco sobre a Educação para o Século XXI, chefiado por Jacques Delors. Partimos ainda da avaliação de que o processo de inclusão digital deve ir além do oferecimento de recursos físicos (computadores e conexão à internet), sendo necessário ainda recursos digitais, humanos e sociais, que possam refletir numa apropriação crítica e significativa das tecnologias de informação e comunicação. Os resultados da pesquisa apontaram que o processo de inclusão digital realizado pelo CDI Campinas está capacitando seus alunos na alfabetização digital. Contudo, a estrutura deficitária das EICs implica na insuficiência do processo de inclusão digital desenvolvido pelo ong. Já a sua proposta político- pedagógica pautada na pedagogia do educador Paulo Freire e no aprendizado da informática através da realização de projetos de ação social pelos alunos, representa um diferencial positivo no trabalho de inclusão digital realizado, pois pode repercutir a aquisição das habilidades apresentadas pelo relatório Delors.
A primazia do Porto de Santos no cenário portuário nacional no período contemporâneo. Determinantes logísticos, territoriais e de gestão
Este trabalho analisa os fluxos de comércio e o sistema portuário internacional, com abordagem centrada no cenário nacional e foco no Porto de Santos. A estrutura portuária da Baixada Santista é estudada em três períodos sucessivos, Porto do Café, Porto Industrial e Porto Flexível. O primeiro iniciado pela operação do acesso ferroviário em 1865, o segundo pela implantação do polo industrial na região em 1945 e o terceiro pela promulgação de novo marco legal portuário em 1993, representando a contemporaneidade com a movimentação crescente de contêineres. Tomando como base o exame do sistema portuário internacional e nacional, são elaborados critérios de avaliação de logística, território e gestão. Tais critérios formulados, especialmente, para portos movimentadores de mercadorias diversificadas, no caso brasileiro, portos públicos. Com isso, é possível realizar um estudo integrado da relação porto - cidade, destacando pontos sinérgicos e de conflito entre as demandas da atividade econômica e o território de suporte. A análise do Porto de Santos e dos principais portos brasileiros, baseado nestes critérios, mantém a hipótese da primazia nacional do Porto de Santos no período contemporâneo.
Cidades Criativas: análise de um conceito em formação e da pertinência de sua aplicação à cidade de São Paulo
No arco da última década e meia, uma confluência de fatores de impacto mundial tem originado novos entendimentos e organizações de ordens econômica e urbana. Insere-¬-se nesse quadro a eclosão dos debates acerca da "economia criativa" e, de forma mais recente, da "cidade criativa". No Brasil, ainda há parca bibliografia a respeito de ambos os temas e dos benefícios que poderiam gerar ao contexto urbano. A presente tese responde fundamentalmente a duas questões: caracterizar o que seria uma cidade criativa e analisar se São Paulo pode ser caracterizada como uma. Para tanto, unem-¬-se neste trabalho revisão conceitual; cunhagem de um conceito norteador de cidade criativa; experimentação de sua aplicabilidade a três cidades; e uma análise prática da aderência desse conceito à cidade de São Paulo, sob dois recortes: de forma abrangente; e de modo aprofundado, tendo as artes plásticas contemporâneas como instrumento de estudo.