As Praças em Campinas no Final do Século XIX: a questão da salubridade
Tipo de Material
Outros
Autor Principal
Souza, Maristela Caccia de
Ano de Publicação
1998
Local da Publicação
Campinas
Descrição Adicional
V Seminário HIstória da Cidade e do Urbanismo
Idioma
Português
Resumo
A comunicação que pretendo apresentar trata-se de como a Praça Visconde de Indaiatuba participou do evento de reformas urbanas em Campinas, em fins do século XIX. Escolhemos essa praça por ter sido alvo dos atributos considerados elegantes e higiênicos aos conceitos cientificistas daquele momento. Isto direcionou a domesticação de um olhar que visualizasse a importância da salubridade, contemplando a proposta de embelezamento dos logradouros públicos o qual projetaria ao indivíduo um referencial que legitimava uma nova percepção na vivência com a cidade. Para centralizar este foco histórico, uma das fontes utilizadas foi o uso do cartão-postal por ser um recurso visual propagado na época e inovada por apreender valores que divulgavam novas formas de urbanidade. Outra fonte utilizada foi o relato memorialista para indicar que apesar do elogio ao progresso, eles ocultavam elementos que discorriam sobre a febre amarela. A imagem de Campinas, no período abordado, de cidade em franco desenvolvimento econômico e de diversidade cultural e educacional esteve abalada em função das epidemias de febre amarela ocorridas em tempos sucessivos. Portanto, o temor ao contágio e contaminação induzia a práticas de prevenção, reformulando critérios que visavam condutas normatizadoras. Para isso, o governo municipal pautou-se numa política pública de higiene, saneamento e saúde, que, contando com o apoio municipal, valeu-se de um conjunto de medidas de prevenção, correção e eliminação de focos da doença. Tais medidas implicaram na atuação de agentes médicos e da ciência para barrar os surtos, na tentativa de debelar e/ou controlar a febre amarela e seus males. Um dos princípios que regia o trabalho dos médicos e engenheiros era a concepção de salubridade, uma vez que a luz solar era considerada um elemento essencial e indispensável. O projeto higienizador não se restringiu a práticas sanitárias, introduziu-se também nas reformas do ambiente urbano. A necessidade de garantir a salubridade mereceu a atenção de municipalidade, não desmerecendo as áreas centrais. Portanto as praças públicas revitalizam uma nova sensibilidade, prestigiando uma vivência de cidadãos e seus logradouros públicos aformoseados, transformando-os em locais visualmente atraentes. A escolha da Praça Visconde de Indaiatuba, conhecida popularmente como Largo do Rosário, se deu pelo fato dela ser considerada o coração da cidade e por ser uma das primeiras a terem a atenção da municipalidade. Daí a importância de veicular a ideia de salubridade a um espaço comum para os seus habitantes, projetando as suas vantagens para a saúde pública nos trópicos.
Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Área Temática
Referência Espacial
Cidade/Município
Campinas
Logradouro
Praça Visconde de Indaiatuba
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
Final do Século XIX