Autor Principal
Benchimol, Jaime Larry
Local da Publicação
Cidade do México
Descrição Adicional
Simpósio Ciencia, Salud y Poder en América Latina y el Caribe, XXI International Congress of History of Science
Resumo
Minha intenção é analisar a importância que tiveram os estudos experimentais, as práticas profiláticas e as controvérsias científicas motivados pela febre amarela na evolução da saúde pública do Brasil, desde o último quarto do século XIX até os anos de 1950 do século atual. Examinarei, primeiro, o trabalho realizado pelos membros da Escola Tropicalista Bahiana, e, em seguida, a trajetória de outra geração de médicos que, no Rio de Janeiro e em São Paulo, investigaram a febre amarela à luz da teoria dos germes, procurando descobrir tanto o seu micróbio específico como imunobiológicos e tratamentos eficazes. As implicações práticas das teorias formuladas por esses médicos serão avaliadas no contexto de intensa competição com bacteriologistas europeus, norte e sul americanos. Abordarei, em seguida, a transição da problemática etiológica para a do meio de transmissão da febre amarela, mostrando que adoção da teoria de Finlay no Brasil e as campanhas sanitárias bem sucedidas no Rio de Janeiro e em Belém do Pará inauguram uma era em que o Instituto Oswaldo Cruz e outras instituições biomédicas nacionais logram desenvolver dinâmicos programas de pesquisa em estreita sintonia com a bacteriologia e medicina tropical européia e norte-americana. Em seguida discutirei a conflituosa relação que se estabelece nos anos 1920 entre, de um lado, os sanitaristas brasileiros, que se viam como herdeiros de uma tradição nacional bem sucedida de combate à febre amarela, e os sanitaristas da Fundação Rockefeller que, aos poucos, ocupam todas as frentes de luta contra a doença no Brasil, ao mesmo tempo em que implementam um programa de alcance intercontinental. Darei ênfase à crescente defasagem técnica e científica e às novas formas de interdependência que se estabelecem entre as instituições de pesquisa biomédica e de saúde pública nacionais e a Fundação Rockefeller quando novos campos disciplinares - em especial a virologia - e um novo modelo de organização sanitária são chamados a reequacionar e enfrentar a problemática agora mais complexa da febre amarela urbana e silvestre.
Referência Temporal
Último quarto do século XIX - 1950