Tipo de Material
Trabalho de Eventos-Anais
Autor Principal
Pelegrino, Ana Izabel de Carvalho
Local da Publicação
Rio de Janeiro
Descrição Adicional
3õ Encontro REDEFEM - Enfoques Feministas e as Tradições Disciplinares nas Ciências e na Academia, UFF/PROEX/NUFEG/REDEFEM
Resumo
Esta comunicação analisa as estratégias de sobrevivência - como por exemplo, relações de parentesco e vizinhança, troca de favores e mecanismos de cooperação - de mulheres de baixa renda que vivem em favelas na cidade do Rio de Janeiro. Tais estratégias são causadas pelas condições adversas no mercado de trabalho, bem como pela ineficiência de políticas públicas voltadas para a população de baixa renda. As transformações econômicas contemporâneas incidem em diferentes esferas da vida social, redefinindo formas de trabalho e modos de vida. Essas reconfigurações também comparecem no cotidiano de mulheres que vivem em favelas. O crescimento de favelas é decorrência dos processo de aguda urbanização e da ausência de uma política habitacional includente e democrática, o que acelera a segregação sócio-espacial. O trabalho pode ser considerado como um dos elementos determinantes e, ao mesmo tempo, resultantes do processo de segregação sócio-espacial. No caso de mulheres que vivem em favelas, o trabalho assume configurações diversas. As trabalhadoras de favelas na cidade do Rio de Janeiro compartilham valores, crenças, expectativas e vulnerabilidades, construídas através do intercâmbio com o cotidiano de outros segmentos sosciais. Este estudo mostra, através de dados quantitativos e qualitativos, o trabalho de mulheres em duas favelas cariocas (Praia da Rosa e Sapucaia). As mulheres das duas favelas estão, em sua maioria, inseridas no mercado informal como empregadas domésticas (55,2 por cento no mercado informal, segundo levantamento censitário realizado pela ESS/UFRJ em 1996). O deslocamento espacial das mulheres rumo ao trabalho remunerado, nas residências das classes média e alta, exige a construção de arranjos materiais e culturais e possibilita o intercâmbio com outros valores e modos de vida. Neste sentido, o espaço da favela tomado como variável determinante da segregação espacial, aparece para as mulheres pobres acrescido da segregação sócio-ocupacional, já cristalizada social e culturalmente no mercado de trabalho brasileiro.
Referência Espacial
Outras referências espaciais
Ilha do Governador