A ideia de realizar uma pesquisa sobre o sindicalismo bancário em São Paulo nasceu de uma informação obtida sobre o cinqüentenário do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Achei, após esta informação, que a minha procura de um tema de pesquisa, centrado em São Paulo, havia terminado. Desta maneira, dei início ao trabalho de pesquisa partindo da convicção de que não se justificava a exclusão dos bancários dos registros bibliográficos, principalmente porque a comparação dos trabalhadores bancários com outros grupos urbanos podia ser de utilidade na comparação, por contraste, destes mesmos grupos, completando o seu estudo específico. Além disso, estava também convencida de que não se justificava a indiferença dos historiadores pela pesquisa sobre organizações sindicais específicas da década de 1930, para uma maior compreensão da receptividade dos trabalhadores às iniciativas controladoras estabelecidas pelo Ministério do Trabalho, ou a resistência eventualmente existente. Os documentos existentes no Sindicato foram colocados à minha disposição pelo Secretário-Geral: coleção completa do jornal do Sindicato, Vida Bancária, Atas de Assembléias Gerais e de Reuniões de Diretoria, e uma coleção de fotografias. Iniciei em 1975 o minucioso trabalho de leitura, cópia, fichamento e análise da documentação encontrada. Delimitei o trabalho de 1923 a 1944. Esta divisão cronológica se justifica pelas seguintes razões: 1- o atual Sindicato dos Empregados e Estabelecimentos Bancários de São Paulo tem sua origem em 1923, com a fundação da primeira associação de bancários do Brasil - a Associação dos Funcionários de Bancos do Estado de São Paulo. 2- de 1923 a 1944, esta entidade passou por três fases históricas distintas, apresentando formas originais de superação da sua natural heterogeneidade e ausência de coesão, na procura de novas oportunidades sociais, econômicas e políticas. O tema foi abordado a partir de duas proposições básicas: de um lado, a consideração do estudo do Sindicato dos Bancários como parte integrante de uma história global do país, levando em conta que esta história influenciou os destinos da entidade; de outro, a consideração do Sindicato como sujeito de sua própria história. Este segundo nível de abordagem levou ao estudo do grupo social dos bancários com respeito às suas condições de trabalho, suas representações, nascidas da relação de trabalho, seus comportamentos e atitudes. Dentro da organização, foram estudadas a ação das diretorias, as relações entre liderança e base, as relações do Sindicato com as demais agremiações e as reivindicações específicas do setor. Neste sentido, os fatores relacionados à orientação sindical e política da categoria foram buscados no interior da empresa bancária (salário, política de relações humanas, possibilidades de promoção), no estudo da constituição da agremiação, na relação, do Sindicato com as demais categorias de trabalhadores e nas reivindicações. Existe, assim, num certo sentido, a preocupação em expor o que seria um Sindicato na época, privilegiando-se o ponto de vista da categoria bancária.