Ciência Ambiental
O Lixo Domiciliar: a produção de resíduos sólidos residenciais em cidades de porte médio e a organização do espaço. O caso de Rio Claro
Lugares públicos: a dimensão cotidiana no centro de São Paulo
Paisagem fluvial urbana: percursos e percepções na cidade de São Paulo
Os rios paulistanos foram, ao longo dos anos, acumulando funções que muitas vezes eram contraditórias, o que transformou as várzeas em áreas de conflitos econômicos, ambientais e sociais. Paralelamente, teve lugar um processo de apagamento da rede hídrica da superfície da cidade, o que resultou em sua ocultação da paisagem, privando a população de um convívio mais próximo e casual. Esta perda do contato com os rios - e com a própria cidade - foi sentida por uma parcela da sociedade que busca, atualmente, retomar uma relação perdida por meio de iniciativas de seus vários setores. Neste caminho, encontra-se esta pesquisa que busca através dos percursos urbanos, refletir sobre as possibilidades de resgate da rede hídrica, identificando no ambiente urbano uma série de oportunidades e formas de requalificação daquela - desde ações mais radicais até a sutileza do redesenho de caminhos que poderão registrar a sua memória e voltar a fazer parte do imaginário da população. Buscando entender a relação que as pessoas estabelecem ou poderiam estabelecer com os cursos d'água do seu cotidiano, a metodologia utilizada foi a da pesquisa qualitativa, com a técnica da entrevista em profundidade. Pudemos identificar, com a pesquisa, que o sentido positivo atribuído anteriormente aos rios paulistanos, alterou-se na medida em que estes se descaracterizavam - na atualidade, são identificados, muitas vezes, como esgoto. Entretanto, identificamos, igualmente, o afeto latente na relação da população com os cursos d'água e o desejo forte de reversão desses nocivos processos, o que nos conduz a uma otimista perspectiva de reconfiguração da paisagem urbana na perspectiva de uma expressiva requalificação de sua rede hídrica, com a anuência e a participação da sociedade nesse caminho.
Cantinhos do Céu
Este trabalho compreende o estudo da paisagem dos bairros Cantinho do Céu e Parque Residencial dos Lagos, Localizados na zona sul do município de São Paulo, sob a perspectiva dos moradores e ex-moradores, denominados vivenciadores. A abordagem privilegiada na pesquisa, portanto, reside num enfoque cultural, situado no encontro das pessoas e o espaço em que vivem. Os bairros supracitados localizam-se em áreas de mananciais da metrópole paulista, especificamente às margens da Represa Billings e são considerados assentamentos precários pelas políticas públicas recentes. No estudo, resgata-se desde o histórico de formação dos mesmos até os processos de intervenção urbana em curso enfocando os efeitos e representações engendradas na produção do espaço. O estudo foi realizado a partir da associação entre pesquisa documental e pesquisa de campo: de um lado dados primários e secundários coletados, além da literatura sobre o tema. Por outro, fontes orais registradas na realização de entrevistas, conversas coletivas, além de vivências junto aos vivenciadores. Aspectos da vida cotidiana como: valores e afetos, práticas e estratégias de vida, conflitos e tensões são elaborados a partir das narrativas dos vivenciadores e, devido a essa condição, são tecidos através de perspectivas específicas. O trabalho estrutura-se em duas partes: a primeira aborda o tema do conflito historicamente constituído na região de mananciais buscando os entendimentos já elucidados em trabalhos acadêmicos pertinentes ao assunto, recuperando o contexto no qual as narrativas tratadas na segunda parte dizem respeito. A segunda parte elabora, através de trechos de entrevistas, depoimentos e narrativas de vida, a temática da paisagem dos bairros estudados. Partindo da condição9 temporal na sua elaboração, essa segunda parte subdivide-se num primeiro momento à formação dos bairros estudados e posteriormente aos processos mais recentes, abordando, ainda, remoções e deslocamentos dos vivenciadores. Além disso, são elucidadas apropriações do parque linear construído onde outrora moravam famílias conferindo outras possibilidades de investigação ao contexto no qual os bairros se situam.
Andar sobre Água Preta: a aplicação da infraestrutura verde em áreas densamente urbanizadas
Parques lineares em São Paulo: uma rede de rios e áreas verdes que conecta lugares e pessoas
No rápido e intenso processo da urbanização de São Paulo, suas várzeas urbanas foram descaracterizadas com os cursos d'água canalizados sob vias automobilísticas ou invadidas e degradadas pelo modelo de urbanização caracterizado por uma dicotomia entre o homem e a natureza. Destacam-se, no início da década de 2000, políticas públicas formuladas para dar início a novos paradigmas nas relações entre os rios e as várzeas da área urbana e sua cidade, inaugurando uma nova forma de atuação para solucionar os conflitos expressos na forma de ocupação dessas áreas até então. Nesse contexto, os parques lineares surgem como uma forma de uso adequado de fundos de vale, desestimulando invasões e ocupações indevidas por meio de ações estruturadoras do território. Concebidos como elementos de qualificação da paisagem urbana e de sua recuperação ambiental, tais parques contribuem com a drenagem urbana e constituem espaços livres públicos capazes de conectar áreas verdes e favorecer a possível criação de um sistema de espaços livres em São Paulo. Espaços capazes de abrigar práticas de lazer, esporte e cultura, além de contribuir com alternativas não motorizadas de mobilidade urbana. Por meio de pesquisa bibliográfica, entrevistas e visitas a campo, a presente pesquisa contextualiza a implantação dos parques lineares em São Paulo e aprofunda a análise, pautada em uma abordagem paisagística do tema, a partir de 3 estudos de casos que apresentam um leque amplo das problemáticas que os envolvem e das suas potencialidades. Inserida na busca por cidades mais humanas e pautada em dinâmicas mais democráticas, a pesquisa defende a participação popular como meio para a construção de uma melhor qualidade da cidade. Por fim, espera-se contribuir para que a imagem de uma São Paulo permeada por áreas verdes e públicas, associadas aos seus cursos hídricos presentes na paisagem urbana, capazes de abrigar ciclovias e arborizados passeios de pedestres, concebidas através de processos participativos ganhe espaço no imaginário do paulistano para que possam cooperar na construção de uma cidade de São Paulo mais fluida, mais permeável, mais verde e azul, mais viva.
A criação do Parque Natural Municipal Itaim e sua potencialidade como catalisador de transformações socioambientais
O acordo entre a DERSA, a municipalidade e o Estado de São Paulo, criou quatro parques naturais no município de São Paulo, decorrente da política de compensação ambiental do licenciamento do Rodoanel Trecho Sul. Dentre esses destacamos o Parque Natural Municipal Itaim. Diante de seu contexto de implantação, a pesquisa trabalha na perspectiva de que esse novo equipamento, voltado à conservação ecológica, tem potencial para catalisar transformações socioambientais. Tais transformações podem ser alcançadas a partir da sensibilização, da interpretação ambiental e de práticas socioeducativas promovidas pelo parque. A partir do diálogo com seu entorno define-se a sua contribuição como promotor da integração social, em um possível sistema de áreas de conservação e uso público na região. Uma vez que, a par de sua importância ambiental, também analisada por essa pesquisa, o parque está inserido na periferia de São Paulo, no avanço do urbano sobre o rural. Uma região marcada pela extrema espoliação de sua população, carente de espaços de lazer, equipamentos culturais e educativos. A pesquisa parte do entendimento que o parque tem uma função social a cumprir e, para que sua implantação e gestão tenha êxito, a interação entre esse novo equipamento e a comunidade local é vista como essencial. Trabalha com análises cartográficas, dados socioeconômicos, sobreposição de cartas temáticas integrados às percepções obtidas a partir da vivência em campo, da rede e dos atores sociais mapeados, bem como do acompanhamento do processo de implantação do parque. A pesquisa resgata as propostas para o parque incitadas pelas equipes da área social do Plano de Manejo e seus estudos decorrentes, por entender que na situação atual o parque caminha para visões reducionistas ancoradas no discurso da inviabilidade orçamentária, da escassez de recursos humanos e das dificuldades institucionais verificadas. Defende-se o caráter singular e inovador do Parque Natural Municipal Itaim, onde a figura de seu gestor se destaca pela articulação e potencialização das redes de relações existentes, a partir de projetos e ações pilotos.
Tetos verdes e políticas públicas: uma abordagem multifacetada
Tetos verdes, ou a colocação de vegetação sobre coberturas de edifícios, têm se mostrado importantes ferramentas na mitigação de diversos problemas ambientais urbanos. Porém, seus benefícios coletivos apenas se tornam significativos após sua instalação em massa, sendo uma estratégia ambiental altamente dependente do agente privado -- os proprietários. Neste trabalho, buscou-se uma abordagem interdisciplinar com a Economia Ambiental e Comportamental, de modo a revelar os mecanismos de tomada de decisão dos indivíduos, tanto motivações econômicas (como sanções e subsídios), quanto motivações ditas "irracionais", como a imitação de comportamento. Depois, reconhecendo os tetos verdes como soluções polivalentes, faz-se uma abordagem múltipla para seu encaixe em políticas públicas existentes: clima urbano, economia de energia, poluição atmosférica, gerenciamento de águas pluviais e biodiversidade, cada uma envolvendo uma breve descrição da teoria e de políticas públicas existentes, desde o contexto mundial até o município de São Paulo. Como estudo de caso, aplica-se o índice ambiental alemão BFF (Biotopflächenfaktor, fator de superfícies ecológicas) a algumas tipologias marcantes de São Paulo, e conclui-se que o índice pode ser importante ferramenta na fomentação não só de tetos verdes, como de outras soluções ambientais de natureza pulverizada, devido à sua flexibilidade e facilidade de aplicação, podendo ser ajustada à realidade do município para melhores resultados.