Antropologia

'A filha da Dona Lecy': estudo da trajetória de Leci Brandão

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Sousa, Fernanda Kalianny Martins
Sexo
Mulher
Orientador
Almeida, Heloisa Buarque de
Ano de Publicação
2016
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Antropologia Social
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Leci Brandão
Marcadores sociais da diferença
Política
Raça
Samba
Resumo

Esta pesquisa debruça-se sobre a trajetória de Leci Brandão, mulher, negra, de origem humilde, politicamente de esquerda. Ela percorreu um caminho bastante peculiar se comparada aos seus pares. Leci foi a primeira mulher a entrar na Ala de compositores da Mangueira, rompeu contrato com uma gravadora multinacional por ter tido suas músicas lidas como críticas demais, e, posteriormente, se tornou a segunda mulher negra a ser deputada estadual de São Paulo, hoje no segundo mandato. Sua trajetória foi construída, nesta pesquisa, sob a perspectiva dos marcadores sociais da diferença, como raça, gênero, classe social e geração. Para tanto, foram realizadas entrevistas semiestruturadas que ocorreram no decorrer de três anos e a análise de letras de suas composições, falas políticas e material produzido por seu mandato. Pensando-a em comparação com outras pessoas negras que ascenderam socialmente, percebi que Leci não abriu mão de sua origem social, movendo-se de forma contínua do local de origem para locais mais centrais na sociedade, que são ocupados majoritariamente por pessoas de classes sociais diferentes da sua. Foi habitando, portanto, uma espécie de fronteira que Leci estabeleceu-se como uma exceção ou uma figura ímpar.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Cidade/Município
Rio de Janeiro
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
Rio de Janeiro
Referência Temporal
1944-2016
Localização Eletrônica
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-19012017-112637/pt-br.php

Inspirações sobre o fazer(-se) polític@ entre os guarani-mbya

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Aranha, Aline de Oliveira
Sexo
Mulher
Orientador
Sztutman, Renato
Ano de Publicação
2018
Programa
Antropologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Guarani-Mbya
Liderança
Xamanismo
Diplomacia Cosmopolítica
Mulheres Mbya
Resumo

A intenção aqui é pensar como as transformações nas formas e estratégias mbya de liderança e ação cosmopolítica são mobilizados e produzidos, criativamente, no confronto cada vez mais intenso com a política e modo de ser, pensar e de se comportar jurua (não-indígena), elucidando o (in)tenso trabalho de tradução implicado nessas e em outras amplas redes de relações que compõem o mundo guarani. Há aí toda uma gestão e mobilização dessas relações de aliança e parentesco, em que diferentes domínios e perspectivas demandam diferentes retóricas e ações, e identidades étnicas tornam-se armas políticas, principalmente após a Constituição de 1988, envolvendo então toda uma diplomacia cosmopolítica mbya que parte de uma ética de moderação, xamânica, com vistas à fabricação de pessoas e coletivos saudáveis e alegres nesta terra perecível (tekoaxy), e se acentua ainda mais nesse contexto de constrangimento territorial e superpovoação, que impõe diversos limites ao exercício de sua territorialidade. Estas transformações estão inseridas em contextos como os de luta pela demarcação de terras e salvaguarda de direitos indígenas constitucionais, tal como em projetos de fortalecimento cultural sob a rubrica da "cultura", nos quais o domínio da burocracia passa a corresponder a um maior domínio da arena de batalha e, com isso, afirmação e demarcação da diferença e resistência mbya contra o estado. Retórica esta que passa então a afetar diretamente a produção de enunciados e perspectivas guarani para o futuro de suas lideranças e de sua "comunidade". Estamos também diante de um contexto cada vez maior de valorização e protagonismo público de jovens mulheres mbya (kunhãgue), assim como da abertura e conquista de espaços de fala e atuação política no âmbito da "comunidade", antes majoritariamente ocupados por figuras masculinas ou mais velhas e experientes. A partir disso, buscamos então refletir sobre a complementaridade e fortalecimento mútuo de ambos sujeitos, kunhãgue e avakue (homens mbya), e como suas diferentes capacidades-poderes (-po'aka) se relacionam aos processos mbya de construção e com-posição de pessoas, lideranças e chefias, coletivos, discursos e práticas. A ideia então é alargamos de fato nossas concepções de política e pensar as movimentações desempenhadas pelos diversos sujeitos correspondendo mais a disposições cosmopolíticas diferenciantes e, portanto, relacionais, do que a funções ou (o)posições propriamente ditas ou mesmo fixas, a capacidades singulares de agir, fazer agir, afetar e ser afetado, que contam com diferentes modalidades e estilos de liderança e áreas de atuação, influência e prestígio. Tais figuras políticas podem ainda ser pensadas como tradutoras de mundos ou diplomatas cosmopolíticas, transitando por dife-rentes códigos e agenciando diferentes mundos.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2015-2017
Localização Eletrônica
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-19072018-141406/publico/2018_AlineDeOliveiraAranha_VCorr.pdf

Cartografias cruzadas: os caminhos do samba e os traçados do plano de avenidas em São Paulo (1938-1945)

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Pereira, Bruno Ribeiro Da Silva
Sexo
Homem
Orientador
Peixoto, Fernanda Arêas
Ano de Publicação
2017
Programa
Antropologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Samba
São Paulo
Modernização
Antropologia Histórica
Paisagem
Resumo

Esta pesquisa tem por objetivo mapear as "práticas de espaço" do samba em São Paulo entre os anos de 1938 e 1945. Tal período é marcado pela continuação da implantação do projeto urbanístico plano de avenidas, cujo foco recaia sobre a remodelação do sistema viário da cidade. O mapeamento do cruzamento dessas duas formas de práticas, o caminhar do samba e o traçado da remodelação urbana, nos permite vislumbrar uma certa paisagem cotidiana. Essa paisagem é também dotada de sons, a sua maneira informantes de modos de fazer, de se estar na metrópole, de nela fazer-se presente. Assim, surge entre os barulhos e ruídos característicos da cidade moderna, um samba interessado em constituir-se como moderno e participante de tal universo. Dentro do contexto do estado novo (1937-1945) e da segunda guerra mundial (1938-1945), os praticantes do samba que nos relatam suas práticas, produzem a sua maneira articulações políticas e incursões tático-estratégicas em territórios outros. Dessa forma, relatam uma paisagem cotidiana, produto e produtora de uma nova cidade, sob uma perspectiva bastante específica: a da circulação. Em busca de um lugar em comum para a constituição de uma trajetória individual ou da participação no centro da cidade enquanto habitante de um bairro, as investidas do samba em direção às diferentes centralidades do período são formas de saberes próprios que mais do que valorizados são aqui tomados como ferramentas para compreensão de uma modernização que caminha não apenas do planalto à várzea, mas também da várzea ao planalto.

Disciplina
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
1938-1945
Localização Eletrônica
https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-15082018-151443/pt-br.php

Antônio de Alcântara Machado e a criação de São Paulo: personagens, espaços e experiências

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Diogo Barbosa Maciel
Sexo
Homem
Orientador
Peixoto, Fernanda Âreas
Ano de Publicação
2017
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Antropologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
São Paulo (SP)
António de Alcântara Machado
Modernismo
Cidades e Imaginários Urbanos
Antropologia e Literatura
Resumo

Esta pesquisa revisita a obra do escritor António de Alcântara Machado, tomando como eixo da análise as diversas dimensões da cidade de São Paulo que ela traz à tona. Lembrado na história da literatura brasileira sobretudo pela autoria de Brás, Bexiga e Barra Funda (1927), livro de contos em que trata principalmente da presença italiana e ítalo-brasileira na cidade, o autor é figura ativa nos círculos culturais de São Paulo nas primeiras décadas do século XX, notadamente por sua participação junto aos grupos modernistas. A partir da gama de perspectivas fornecida pela literatura, pelo jornalismo, pela história e pela crítica de espetáculos, sigo suas reflexões acerca de uma série de temas, tais como o lugar de São Paulo na modernização do teatro brasileiro; a renovação da literatura; a criação de uma identidade brasileira e paulistana; a presença de repertórios estrangeiros na vida cultural e na estética da cidade; os debates sobre raça, classe, segregação socioespacial. Confiro especial atenção às relações entre cidade e cultura, temas que nos direcionam à convivência tensa entre os diversos tipos que ocupam os espaços da cidade, aos debates sobre a nação e o nacionalismo, à nova composição social e às transformações em curso em São Paulo. Na primeira parte do trabalho, acompanho a maneira como Alcântara Machado, fazendo as vezes de crítico teatral e urbano, observa e participa da produção da cidade, sugerindo intervenções seja no espaço urbano, seja no teatro brasileiro, orientado pela busca de uma modernização pautada por um veio nacionalista bastante específico, que propõe um mergulho nas raízes nacionais enquanto coloca São Paulo na condição de protagonista inconteste da história do país. Na parte II, investigo as aparições de seis tipos sociais da cidade observados e descritos pelo escritor - caipiras, bacharéis e funcionários públicos, mulheres, crianças, italianos (e ítalo-brasileiros) e negros -, que compõe uma galeria de personagens eloquente em relação à maneira desigual com que a narrativa do progresso é apropriada e vivenciada por diferentes grupos. Concluo o trabalho sugerindo uma visão complexa da obra e de Alcântara Machado, mais atenta à importância do teatro e dos tipos sociais marginais no conjunto de sua reflexão, à complexidade do quadro da cidade que ele levanta e às articulações entre os diferentes gêneros em que ele escreveu.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
1901-2000
Localização Eletrônica
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-25042018-100055/pt-br.php

Amor canino: emoção, mercado e subjetividades entre seres humanos e cães de estimação na cidade de São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Toma, Renata Harumi Cortez
Sexo
Mulher
Orientador
Nascimento, Silvana De Souza
Ano de Publicação
2017
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Antropologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Antropologia das Relações Humano-Animal
Animais de estimação
Cães
Mercado Pet
Afetividade
Resumo

Esta dissertação reflete acerca das relações mantidas entre seres humanos e cães de estimação na cidade de São Paulo, cujo alicerce consiste na afetividade. Discute-se a concepção desses donos acerca da espécie canina e as características reconhecidas nesses animais, que contrariam a ideia de exclusividade humana das capacidades cognitivas, de comunicação, sentimento, sensciência, consciência e moralidade. Detentores de características antropomórficas, os cães de estimação são entendidos a partir uma identidade canina individual, com personalidade própria. Suas especificidades da espécie também os permitem ser valorados frente aos humanos, pois a sinceridade de afetos e a pureza moral que lhes é atribuída ultrapassa a da nossa espécie. O estudo etnográfico mostrou que esses pets possuem extrema importância na vida de seus donos e são entendidos como membros da família, em certos casos em papéis não substituíveis por humanos. Dividida em três eixos, este trabalho revisita a produção brasileira antropológica acerca das relações entre seres humanos e animais não humanos, aborda as distintas esferas da relação estabelecida entre cães e pessoas, e estuda o mercado pet voltado para cães e seus donos e sua influência nessa relação.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2012-2017
Localização Eletrônica
https://repositorio.usp.br/item/002917461

'A várzea é imortal': abnegação, memória, disputas e sentidos em uma prática esportiva urbana

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Favero, Raphael Piva Favalli
Sexo
Homem
Orientador
Magnani, José Guilherme Cantor
Código de Publicação (DOI)
https://doi.org/10.11606/D.8.2019.tde-16052019-134542
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Antropologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Antropologia do esporte
Antropologia urbana
Autoconstrução
Futebol de várzea
São Paulo
Resumo
Essa pesquisa teve como ponto de partida a ameaça de extinção de um espaço que reúne seis campos de futebol de várzea na cidade de São Paulo. Trata-se do Complexo de Campos de Futebol do Campo de Marte, instalado em um terreno que há décadas é disputado pela Aeronáutica (União) e pela Prefeitura da cidade. Inicialmente, buscou-se articular esse conflito específico a uma questão mais ampla: o que fazia com que o futebol de várzea, prática cuja trajetória é marcada pelo fim de vários de seus espaços, continuasse ocupando um papel relevante como modalidade de lazer e associativismo popular na cidade de São Paulo? Partindo da perspectiva dos varzeanos que construíram os seus campos nesse terreno a partir dos anos 1960 e que, desde então, lidam com a possibilidade de terem que deixar esse espaço, chegou-se a apreensão de uma lógica interna que rege essa prática e sua profunda conexão com o contexto social em que se inserem. O futebol de várzea, para esses varzeanos, só seria viável pela abnegação de seus personagens, uma postura necessária para a conquista e manutenção de um universo que se constrói, sobretudo, a partir de ações de autoconstrução e de constantes negociações. Tanto em sua dimensão espacial, onde a figura do abnegado ocupa um papel central por resolver, dentro de seu clube e no campo varzeano como um todo, muitas das questões impostas pela política do Estado de não proporcionar o direito ao lazer e ao esporte, assumindo, por um lado, as vezes de instância auto reguladora, e por outro, de provedor de infraestrutura e mediador de interesses. Como em sua dimensão esportiva, onde sem a presença de uma instituição ou entidade que tenha se estabelecido ao longo de sua trajetória como organizadora e reguladora dessa prática, essa tarefa foi levada a cabo pelos próprios varzeanos a partir de múltiplas alianças e referências.

 

Disciplina
Referência Espacial
Zona
Zona Norte
Cidade/Município
São Paulo
Bairro/Distrito
Casa Verde
Logradouro
Rua Marambaia, 802
Localidade
Complexo de Campos de Futebol do Campo de Marte
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
2016-2018
Localização Eletrônica
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-16052019-134542/en.php

Cotidiano na diáspora: uma etnografia sobre haitianas na cidade de Santa Barbara d'Oeste, interior de São Paulo

Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Gava Etechebere, Rafaela
Sexo
Mulher
Orientador
Feldman, Bela
Código de Publicação (DOI)
https://doi.org/10.47749/T/UNICAMP.2018.1052016
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
Campinas
Programa
Antropologia
Instituição
UNICAMP
Idioma
Português
Palavras chave
Migração
Transnacionalismo
Haiti
Mulheres
Resumo

A partir da pesquisa etnográfica realizada em 2015 em Santa Barbara d'Oeste, interior de São Paulo, Brasil, este trabalho busca refletir sobre as experiências de mulheres haitianas que se estabeleceram nesta cidade. Ao falar de uma imigração haitiana se analisa como mulheres negras, transmigrantes, oriundas de classes e lugares distintos do Haiti e que possuem redes de relações de dimensões distintas agenciam suas redes de afetos em prol de uma melhor qualidade de vida para elas e para aqueles que dependem de sua migração

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
Santa Barbara d'Oeste
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
País estrangeiro
Haiti
Referência Temporal
2015
Localização Eletrônica
https://hdl.handle.net/20.500.12733/1634373

'Sou feita de chuva, sol e barro': o futebol de mulheres praticado na cidade de São Paulo

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
da Silva Pisani, Mariane
Sexo
Mulher
Orientador
Buarque de Almeida, Heloisa
Código de Publicação (DOI)
https://doi.org/10.11606/T.8.2018.tde-11102018-110139
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Antropologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Antropologia audiovisual
Antropologia do esporte
Antropologia Urbana
Corpo
Estudos de gênero
Resumo

Essa tese de doutorado busca compreender como os Marcadores Sociais da Diferença descritos aqui enquanto as categorias analíticas de gênero, raça, sexualidade e classe - permeiam a prática futebolística de mulheres na cidade de São Paulo, orientando a construção de corpos e tornando possível a construção de redes diversas de afetividade entre elas. A tese descreve os locais e a rotina dos times e a presença de um circuito de futebol de mulheres na cidade. A partir do método etnográfico realizado com o uso de uma câmera fotográfica e desenvolvido entre cinco equipes de futebol de mulheres da capital paulistana, em diversas regiões da cidade, acompanhei como as mulheres que escolhem o futebol enquanto prática esportiva seja na qualidade de prática amadora, profissional ou de lazer estabelecem, entre si, redes de apoio e solidariedade. As redes, por sua vez, orientam a circulação dessas jogadoras pela cidade de São Paulo, estabelecendo a partir de diferentes formas de sociabilidade dois tipos de circuito: o futebolístico e o afetivo-sexual. Na observação participante foi possível notar como algumas dessas redes ajudam-nas a lidar com cotidianos por vezes violentos, simbólica ou fisicamente. A tese analisa ainda como a prática esportiva a partir dessas redes estabelecem padrões corporais que dialogam com a escolha por parcerias afetivo-sexuais.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-11102018-110139/pt-br.php

'O fervo e a luta': políticas do corpo e do prazer em festas de São Paulo e Berlim

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Braga, Gibran Teixeira
Sexo
Homem
Orientador
Simões, Julio Assis
Código de Publicação (DOI)
https://doi.org/10.11606/T.8.2018.tde-01102018-115157
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Antropologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Cenas musicais
Corpo
Gênero
Marcadores sociais da diferença
Sexualidade
Resumo

O objetivo desta pesquisa é apresentar duas cenas de festas de música eletrônica underground, uma na cidade de São Paulo e outra em Berlim. Estas festas são frequentadas por um público diverso em termos de sexualidade, majoritariamente oriundo da classe média: DJs, músicos e produtores das festas, além de estudantes universitários, artistas e profissionais da área da comunicação (design, publicidade, audiovisual, entre outras áreas). As festas reúnem pessoas para dançar e ouvir música, consumir drogas lícitas e ilícitas e sociabilizar. São ambientes férteis para experimentos estéticos e sensoriais, e proporcionam espaço para vivência de práticas erótico- afetivas variadas, além de contarem frequentemente com performances artísticas que levantam questões sobre corpos fora dos padrões, gênero, sexualidade, raça e classe. Em São Paulo, parte da cena é composta por festas de rua, que suscitam debates sobre o espaço público, acompanhando certas discussões da militância urbana contemporânea. A outra parte é composta por festas realizadas em espaços alternativos a clubes, como bares, galpões, fábricas, estacionamentos. Em Berlim, a visibilidade e o crescente turismo da noite têm tensionado a polaridade underground/mainstream e a busca pelo equilíbrio entre a abertura da cena e a manutenção de espaços seguros. A cultura de prazer, êxtase e liberdade propiciada pelas festas aproxima as pessoas de uma maneira incomum em outros ambientes. Potencializada pelo uso coletivo de certas drogas e pelo consequente relaxamento de barreiras sociais de gênero e sexualidade, a experiência clubber estimula novas formas de se relacionar com o corpo e com o prazer que desestabilizam normas e convenções naturalizadas na sociedade mais ampla. Entretanto, persistem tensões e desigualdades relativas aos marcadores sociais da diferença. Eminentemente coletiva, a experiência clubber é tema de debate e disputa, e se traduz em políticas do corpo e do prazer, ultrapassando o fim de semana e transbordando para a vida cotidiana de muitos participantes das cenas.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
País estrangeiro
Alemanha
Especificação da Referência Espacial
Berlim
Referência Temporal
2013-2018
Localização Eletrônica
https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-01102018-115157/pt-br.php

Entre batismos e degolas: (des)caminhos bandeirantes em São Paulo

Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Chang Waldman, Thais
Sexo
Mulher
Orientador
Arêas Peixoto, Fernanda
Código de Publicação (DOI)
https://doi.org/10.11606/T.8.2018.tde-10102018-150420
Ano de Publicação
2018
Local da Publicação
São Paulo
Programa
Antropologia
Instituição
USP
Idioma
Português
Palavras chave
Antropologia dos saberes e das artes
Antropologia e história
Bandeirante
Memória e imaginário Urbano
São Paulo
Resumo

Acompanhar as flutuações e os percursos bandeirantes na cidade de São Paulo, objetivo desta tese, significa balizar os usos que pessoas e grupos fazem desse personagem para dar sentido a suas experiências em momentos e lugares específicos. Produzido no interior de uma teia de práticas e discursos, o bandeirante não é uma categoria fixa, tampouco tem seu significado dado de antemão. Para além de figura histórica do período colonial brasileiro, trata-se da invenção de uma metrópole que ele mesmo ajuda a produzir, numa operação na qual sobrepõe, cruza, destrói e reinventa falas, atitudes e miradas, muitas vezes contraditórias. Ao trazê-lo para o primeiro plano (com os diferentes sentidos e formas que sua figura vai assumindo, assim como as associações que ela estabelece e que a constituem), procuro mostrar como suas tão variadas encarnações não se substituem uma à outra, em linha diacrônica, mas convivem, muitas vezes de modo tenso e ambíguo, em distintos enredos simultâneos. Sensível às transformações da cidade, o bandeirante comenta as mudanças urbanas e lhes confere sentido, não apenas expressando essas transformações, mas engendrando-as e produzindo-as. Presença incontornável na capital paulista, ele se insere em frentes, espaços e ramos diversos, sendo cultivado e recriado em um movimento permanente. Atenta às reelaborações locais e às tantas historicidades nele impregnadas, sigo os itinerários acidentados de algumas figurações desse personagem que, ao se recriar no tempo e com o tempo, condensa e articula diferentes embates, temporalidades e sentidos.

Disciplina
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Cidade/Município
São Paulo
Macrorregião
Sudeste
Brasil
Habilitado
UF
São Paulo
Referência Temporal
N/I
Localização Eletrônica
https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-10102018-150420/pt-br.php