Só as fortes sobrevivem!: envelhecimento, experiências geracionais e relacionamento entre travestis mais velhas e mais jovens
Esta etnografia analisa as experiências geracionais e de envelhecimento entre travestis identificadas ou autodeclaradas mais velhas e as perspectivas de relacionamento com as travestis mais jovens. Para tanto, examina as narrativas produzidas pelas interlocutoras acerca do curso de vida, descrevendo como contam o passado, avaliam as experiências vividas, dando destaque especialmente as "inquietações" e preocupações éticas que ensejam problematizações acerca da conduta. Com esse objetivo e com base empírica na cidade de Marília, interior do estado de São Paulo, a partir de metodologias qualitativas, entrevistas, conversas informais e observação participante procura responder questões como: as percepções nativas acerca das vivências comuns e as transformações das práticas e identidades travestis nas últimas décadas; a produção de significados e a circulação de valores e reações aos sinais do envelhecimento; as influências recíprocas e a transmissão de saberes e legados entre travestis mais velhas e mais jovens. Essas questões permitiram examinar as trajetórias de travestis mais velhas problematizando-as como efeitos, não acabados e sempre em processo, de uma trama complexa de interações e relacionamentos substantivos, considerando suas intencionalidades e capacidades de gestão pessoal. A partir de suas narrativas descreve as diferentes possibilidades postas pela dinâmica do curso de vida, enfatizando os desafios de conduzirem suas próprias vidas e inventarem seus próprios mundos, bem como o modo pessoal de reagir ao presente e direcionar os percursos futuros da vida.