As Mulheres em Situação de Abortamento: Suas Necessidades de Saúde e a Assistência Profissional
Este trabalho pretende, por meio da abordagem qualitativa e a partir do estudo de caso,.analisar as narrativas de 19 mulheres em situação de abortamento, que foram atendidas no.HUCAM do município de Vitória, bem como as narrativas de 13 profissionais que prestam.assistência em saúde a essas mulheres. A coleta dos dados foi realizada com o uso de técnicas.de observação participante, entrevista com roteiro semi-estruturado, registro em diário de.campo e análise de prontuário. Os dados se apresentam a partir da construção de narrativas,.segundo o modelo proposto por Bourdieu (2003); a análise das entrevistas gravadas seguiu a.orientação de Pope et al. (2006), com a conseqüente construção de categorias empíricas.emergentes das narrativas divididas, de acordo com os sujeitos. Para os profissionais, foram.construídas 3 categorias: a formação do profissional de saúde; quem são as mulheres.(percepção dos profissionais); e atitudes na assistência. As categorias emergentes das.narrativas das mulheres foram divididas em 4: as experiências reprodutivas; como as.mulheres perceberam-se grávidas; a experiência do abortamento; e o atendimento nos serviços.de saúde. Os resultados demonstraram que os profissionais agem de maneira subjetiva na.assistência que prestam às mulheres em situação de abortamento, e não houve diferença.significativa no tipo de tratamento destinado às mulheres que provocaram o abortamento e.àquelas, cujas perdas foram espontâneas. A assistência é mais baseada na concepção pessoal.do que na técnica profissional. Os profissionais possuem uma imagem estereotipada da.mulher que provoca o abortamento; afirmam terem muita dificuldade de lidar até mesmo com.mulheres em situação de abortamento previsto em lei; percebem que não possuem formação.acadêmica adequada; acreditam que o hospital onde trabalham deve continuar a atender.mulheres nessa situação; não conhecem os protocolos de assistências do Ministério da Saúde.(MS), e afirmam que seria muito útil atuarem de forma multidisciplinar. Em relação às.mulheres, a assistência não contempla suas necessidades de saúde, nem respeita seus direitos.reprodutivos. Elas caracterizam o atendimento como ruim, ineficiente, preconceituoso,.independentemente de terem provocado ou não o abortamento.