Educação
Ampliação da Cidadania e Participação: desafios na democratização da relação poder público-sociedade civil no Brasil.
A tese apresenta o resultado de pesquisas desenvolvidas na última década centradas nos temas da participação e controle social; da construção do espaço público nas relações Poder público/Sociedade civil; dos alcances e limites na consolidação de engenharias institucionais inovadoras na gestão da coisa pública; e sobre a problemática da sustentabilidade socioambiental e a temática da cidadania, com particular ênfase na complexa e contraditória realidade das cidades brasileiras. Está dividido em três partes. A primeira parte está centrada na reflexão sobre os temas da participação e da descentralização. A segunda parte analisa, a partir de quatro estudos de caso, os alcances e limites da descentralização e da participação na gestão da educação. A análise está baseada nos resultados de pesquisa sobre Descentralização, Participação e Democracia desenvolvida na Faculdade de Educação e no Centro de Estudos de Cultura Contemporânea - CEDEC entre 1989 e 1994 com o apoio do CNPq e da Fundação Ford. A pesquisa foi realizada em quatro municípios paulistas - São Paulo, Santo André, Itu e Botucatu tendo como objetivo analisar os alcances e limites de ações descentralizadoras e seu significado e possibilidades/ impossibilidades de viabilização de dinâmicas inovadoras na relação gestão local/população usuária assim como o seu impacto junto aos distintos setores sociais envolvidos durante o período 1989 -1992. O principal argumento da reflexão enfatiza a noção de que a participação está em estreita vinculação com o processo de descentralização podendo ser um mecanismo essencial para a democratização do poder público e um espaço vital para o fortalecimento de uma cidadania ativa e para o processo de democratização da ação do Estado e das suas práticas institucionalizadoras. A terceira parte apresenta três análises sobre o tema da participação a partir de dois temas - saúde e meio ambiente. A primeira enfatiza os aspectos relacionados à complexidade na implantação de uma engenharia institucional centrada nos Conselhos de Gestão Tripartite, enquanto referência territorializada de participação. A segunda reflete sobre os resultados da pesquisa que abarcou três cidades - São Paulo (Brasil), Jakarta (Indonésia) e Accra (Gana), tendo como objetivo principal prover elementos para a compreensão dos problemas ambientais sob a ótica dos moradores urbanos, a partir de um conjunto de fatores intervenientes. Trata-se de uma formulação que busca interpretar a partir de elementos qualitativos o entendimento dos moradores urbanos sobre as práticas sociais vinculadas à questão ambiental. O eixo analítico desta abordagem está formulado dentro de uma perspectiva de cultura social, no intuito de aprofundar o conhecimento sobre as formas como a população resolve ou considera mais adequadas para enfrentar e/ou resolver os problemas ambientais e quais os meios para fazê-lo. A terceira parte analisa a experiência da ASMARE - Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável de Belo Horizonte - como uma experiência inovadora de parceria Poder público/ Sociedade civil no combate à pobreza dentro de uma perspectiva de sustentabilidade socioambiental. O objetivo é o deaprofundar a reflexão em torno das dimensões da participação e das possibilidades de ampliação da cidadania, tendo como base analítica estudos de caso. Estes permitem, a partir da sua diversidade, estabelecer elementos de comparação sobre o papel dos diversos atores intervenientes, num contexto onde ainda convivem as formas tradicionais de gestão e as experiências inovadoras que começam a se legitimar aos olhos da população.
Expectativas de acesso ao ensino superior: um estudo de caso na Cidade de Deus, Rio de Janeiro
conclusões do projeto “Democratização do acesso ao ensino
superior: avanços recentes e novos desafios”, realizado com o
apoio da Faperj entre 2011 e 2013. O projeto incluiu a realização
de levantamento bibliográfico, levantamento de dados secundários
sobre acesso ao ensino superior e a realização de uma
pesquisa de campo na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro,
incluindo atividades de observação, grupos focais e entrevistas
com os alunos do 3º do ensino médio.
O estudo apresenta resultados
sobre o quanto as informações relacionadas às diferentes
formas de acesso ao ensino superior são de conhecimento dos
estudantes de ensino médio na Cidade de Deus. Também explora
em que medida os estudantes têm informação sobre as políticas
de ação afirmativa que ampliam o acesso ao ensino superior.
Entre o mercado de trabalho e a escola: os jovens no Rio de Janeiro
Na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 2000, aproximadamente 56,31% dos jovens do sexo masculino, entre 15 e 19 anos, estavam somente estudando, 21,69% estudavam e trabalhavam (ou procuravam emprego); 14,41% somente trabalhavam (ou procuravam emprego); e 7,59% não estudavam nem trabalhavam (nem procuravam emprego). Para os jovens na faixa de 20 a 24 anos essas mesmas cifras ficavam em: 12,34 (só estudavam), 28,35 (estudavam e trabalhavam), 51,57 (só trabalhavam), e 7,74 (não estudavam nem trabalhavam). De certa forma pode-se dizer que estes jovens, por razões em parte já estudadas por trabalhos anteriores (CORSEUIL, SANTOS, & FOGUEL, 2000; LEME & WAJNMAN, 2000), optaram por continuar estudando e/ou entrar no mercado de trabalho. O presente artigo tem como objetivo verificar se variáveis ligadas ao local de moradia dos indivíduos poderiam ajudar a explicar essas escolhas. Para tanto, realizaremos uma análise dos microdados amostrais do Censo 2000 (IBGE).
As classes populares e a valorização da Educação no Brasil
Desde os anos 1980 é bem sabido que as camadas populares no Brasil têm empreendido grandes esforços para manter seus filhos na escola. Segundo Sérgio Costa Ribeiro (1991), as crianças pobres são enviadas por seus pais à escola para que sejam efetivamente escolarizadas e não apenas para receber a merenda oferecida nas escolas públicas. Em perspectiva complementar, a Sociologia pode demonstrar que o sentido ou valor atribuído à educação varia segundo a posição das famílias na hierarquia social (BERNSTEIN, 1975; BOURDIEU, 1999) - famílias ricas valorizam mais a educação do que aquelas mais pobres - e, segundo, ainda, a configuração dos valores dominantes na sociedade, sobretudo, aqueles relacionados à questão do mérito (GOLDTHORPE, 1997).
Nesse quadro, o presente artigo se propõe a identificar e analisar os fatores sociais que podem levar à constituição de formas valorativas distintas a respeito da educação escolar. Busca-se compreender as condições sociais de produção desse valor, atualmente pouco conhecidas. Interessa ainda explicitar os tipos de relações sociais que favorecem a valorização da escolaridade segundo os grupos sociais.
O Espaço Urbano na Escola: efeitos e sobre a distribuição da qualidade
Esse artigo procura analisar em que medida cada uma das dimensões
da vida escolar varia segundo o lugar que a escola, e os alunos ocupam no
espaço da cidade, propondo-se como uma contribuição, ainda de caráter
exploratório, às pesquisas que associam concentração espacial da pobreza e
desigualdades de oportunidades educativas. Pretende-se avaliar se a
qualidade da escola é um bem que se distribui de forma homogênea no
espaço social da cidade do Rio de Janeiro e identificar quais os fatores que
estariam associados a esta distribuição. Utilizamos dados produzidos pelas
pesquisas do Observatório das Metrópoles e pudemos verificar que as
escolas frequentadas pelas crianças que moram em favelas distantes do
centro, apresentam, na maioria das vezes, indicadores desfavoráveis,
principalmente níveis menos elevados de qualidade. Características dos
professores, em especial sua experiência, ou seja, o número de anos de
trabalho como professor, também têm relação com a localização da escola.
Trajetórias educacionais dos jovens residentes num distrito com elevada vulnerabilidade juvenil
Esta tese tem por objetivo explorar os mecanismos e dinâmicas que podem afetar as trajetórias educacionais dos jovens, provocando mudanças ou fortalecendo a sua direção inicial. Para caracterizar o tipo de trajetória, olhamos para os seguintes elementos: distorção idade-série, reprovações, expulsões e evasão escolar. Exploramos de que forma as esferas de sociabilidade em que os jovens estão inseridos - a família, a escola, a vizinhança, o trabalho, os programas sociais, a igreja e o lazer se articulam e afetam as suas trajetórias escolares. Além disso, investigamos em que medida eventos que ocorrem ao longo da vida do jovem podem afetar a sua conduta, a sua relação com os elos estabelecidos nos diferentes espaços de sociabilidade e, consequentemente, os seus percursos educacionais. As análises feitas neste trabalho são de cunho qualitativo. Utilizamos os seguintes instrumentos: entrevistas em profundidade, guiadas por um roteiro prévio, conversas livres, observação participativa e observação passiva da interação. Apesar de termos nos limitado a uma escola, encontramos entre os entrevistados heterogeneidade em termos de atributos individuais e dimensões socioeconômicas e culturais, fatores que influenciam as trajetórias escolares. No entanto, identificamos jovens com atributos e condições socioeconômicas similares, mas trajetórias distintas. Nestes casos, as relações estabelecidas com os elos das esferas de sociabilidade e as formas como lidaram com as situações de crise explicam as diferenças encontradas.
O Ensino de Ciências Sociais na Região Sul: Instituições e Pesquisadores
O tema do ensino de Sociologia tem ganhado cada vez mais espaço nas Ciências Sociais brasileiras, impulsionado principalmente pela reintrodução da Sociologia no currículo escolar a partir de 2008. Partindo do caso dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais e seus pesquisadores na região Sul do Brasil, buscamos analisar como que a temática do ensino se insere na agenda de pesquisa das Ciências Sociais. Destacam-se nesta pesquisa as trajetórias realizadas por estes agentes, que possibilitaram seu engajamento neste campo de pesquisa, o que inclui predominantemente o ensino de disciplinas ligadas à formação de professores, a organização de coletâneas sobre o tema e, recorrentemente, experiências anteriores com educação básica e com pesquisa na área de educação.
Da Escola Para o Bairro: Apontamentos de uma Abordagem Etnográfica Sobre Jovens de Periferia
Nos últimos anos os pesquisadores do campo de estudos da educação de jovens e adultos (EJA) têm deparado com a crescente presença juvenil em suas salas de aula, fenômeno que promove tensões e demandas inesperadas no interior da EJA, exigindo novas pesquisas. O foco dessas pesquisas tem recaído, predominantemente, no interior das instituições e de suas práticas pedagógicas ou, ainda, sobre as políticas públicas voltadas para esse segmento educacional. A despeito da importância da escola como referência empírica das investigações das problemáticas da educação formal, seria importante o desenvolvimento de abordagens com foco nas relações sociais para além do espaço escolar, sobretudo tratando-se das demandas e aspirações do público jovem. Nesse artigo segue-se a proposta de Sposito (2007) no que diz respeito a uma perspectiva não-escolar no estudo sociológico da escola.
Estudos de Comunidade: Um Encontro
Neste número da Revista Ponto Urbe reunimos, pela primeira vez, dois entrevistados – os professores Josildeth Gomes Consorte (PUC/SP) e João Baptista Borges Pereira (FFLCH/USP) – cujas trajetórias se confundem com a formação do campo das ciências sociais no Brasil e, mais especificamente, da Antropologia. O objetivo deste encontro foi promover uma discussão sobre o alcance e os limites dos Estudos de Comunidade, realizados nas décadas de 1940 e 1950, cuja contribuição para a pesquisa tem sido retomada em seminários e eventos nos últimos tempos. Uma das questões levantadas pelos entrevistados gira em torno da relação das Ciências Sociais com a educação, tal como ela foi colocada naquele período. Em 1949, durante o primeiro ano de sua graduação em Geografia e História na Universidade da Bahia, atual UFBA, a antropóloga Josildeth Gomes Consorte participou do Projeto Estado da Bahia/Columbia University fazendo trabalho de campo em Rio de Contas, na Chapada Diamantina, como auxiliar de pesquisa de Marvin Harris, então um aluno de pós-graduação na Colúmbia. Por iniciativa do Professor Anísio Teixeira, Secretário da Educação e Saúde do Estado da Bahia, uma equipe de pesquisadores coordenada por Charles Wagley veio para o Brasil desenvolver um projeto que visava o conhecimento da realidade sócio-econômico-cultural local e subsidiaria o planejamento de ações educacionais. Na mesma ocasião, a Escola de Sociologia e Política estava empreendendo um projeto semelhante ao longo do Vale do São Francisco, coordenado pelo professor Donald Pierson. Nesta entrevista, o Professor João Baptista Borges Pereira trouxe valiosas informações sobre este outro estudo, remetendo-se também ao Projeto UNESCO para as relações raciais no Brasil, além de fazer um balanço dos estudos de comunidade.