A utopia da comunidade: Rio das Pedras, uma favela carioca
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O desempenho institucional em relação à justiça e à distribuição dos recursos que são aplicados nesse campo da ação social tem sido muito assimétrico no Brasil contemporâneo. Há uma grande desigualdade no acesso aos recursos voltados para a justiça, como esfera de distribuição de interesses e resolução de conflitos (coletivos e individuais). Este trabalho discute o tema, destacando como alguns elementos da cultura política brasileira têm implicações na realização da justiça social, produzindo, em última instância, uma modalidade específica de exclusão. Para isso, privilegia o entendimento dos fundamentos básicos da ação social como a reciprocidade e a confiança na sociedade contemporânea e relaciona-os com justiça e exclusão em sociedades altamente diferenciadas e institucionalizadas. Finalmente, sugere que valores de cultura política, marcados por relações assimétricas e conflitantes entre reciprocidade, troca e confiança, interferem na realização da justiça social no Brasil. Na prática, imprimem uma forma da exclusão demarcada pelo modo como se dá o desempenho das instituições e pela conduta dos agentes.