Os acidentes de trânsito representam a segunda maior causa de morte no Brasil e a maior entre os jovens. Os dados relativos aos acidentes de um modo geral, quando existem, apresentam problemas relacionados à confiabilidade. Assim, é interessante a utilização de instrumentos que auxiliem os técnicos dos órgãos gestores de trânsito na implementação de ações que visem a melhoria da segurança viária. Um destes instrumentos é a utilização de uma Técnica de Análise de Conflito de Tráfego. O objetivo principal deste trabalho é o de avaliar a correlação entre ocorrência de acidentes de trânsito e conflitos de tráfego observados segundo a metodologia proposta pela Técnica Sueca de Análise de Conflito de Tráfego, desenvolvida pelos pesquisadores da Universidade de Lund. Foram selecionados 10 intersecções com operação de “Pare” e 10 intersecções semaforizadas na região central da cidade de São Carlos – SP, seguindo-se os critérios de quantidades de ocorrência de acidentes, obtidas a partir do Banco de Dados Relacional de Acidentes de Trânsito de São Carlos e, ainda, da existência ou não de alteração viária ocorrida entre o ano de 2000 e 2007. Em seguida, foi aplicada, seguindo-se a metodologia proposta, a Técnica Sueca de Análise de Conflito de Tráfego nos 20 cruzamentos escolhidos. Os dados de acidentes de trânsito e conflitos de tráfego foram tratados e receberam a aplicação de seis diferentes filtros, de modo que tivéssemos vários recortes representativos das amostras. Em seguida, foram calculados os valores do Coeficiente de Pearson para as sete séries de pares de valores de quantidade de conflitos sérios e quantidade de acidentes (seis séries com aplicação de filtros e uma série sem aplicação de filtro), para cada um dos dois tipos de intersecção estudada. Para as intersecções com operação de “Pare” obteve-se o valor médio de “r” igual a 0,77, com valor máximo igual a 0,94 e para as intersecções semaforizadas, o valor médio do coeficiente de Pearson foi de 0,56, com valor máximo igual a 0,70. Estes resultados apontam para a existência de uma correlação entre moderada e forte e nos dão indícios de que há correlação satisfatória entre ocorrência de conflitos e acidentes. Outros estudos com abrangência maior em relação aos tipos de cruzamentos e quantidade de pontos devem ser considerados, para que se recomende a efetiva utilização desta ferramenta pelos técnicos de trânsito no Brasil.