Autor Principal
Moraes, Fernanda Borges de
Local da Publicação
Campinas
Descrição Adicional
V Seminário História da Cidade e do Urbanismo
Resumo
Memória e identidade são conceitos que têm sido resgatados a partir das reflexões mais recentes sobre a preservação de áreas e centros históricos no Brasil.Superando a postura na qual o conceito de patrimônio histórico, arquitetônico e artistíco se restringe ao objeto de inestimável valor- o monumento, o documento, a obra de arte-, incorporam-se elementos de caráter subjetivo , porém de grande relevância na definição das estratégias e planos de intervenção nesses espaços , como as práticas sociais tradicionais e cotidianas, a relação de afetividade com o lugar e a importância deste como elemento de referência e sustentação de uma identidade coletiva.Neste sentido , um termo de significado mais amplo- a paisagem ( seja ela natural ou transformada, tomada no sentido de totalidade e de fragmento, compreendida como objeto de contemplação e locus de experiências coletivas) - se coloca também como um patrimônio e, portanto, um legado, a ser mantido e preservado.No bojo dessas discussões, os termos reabilitação, reestruturação, reciclagem etc.surgem como formas de diferenciação/classificação de tipos mais flexíveis de intervenção.Essa flexibilidade vem revelar, por um lado, a necessidade de ampliação da eficiência e agilidade do setor público em sua ação em prol da preservação de áreas cada vez mais ameaçadas por processos exploração predatória e especulativa que impliquem numa desfiguração do meio ambiente natural e construído. E por outro, indicam uma postura de adequação de ação frente ao contexto de recessão e crise econômica/fiscal que tem feito com que o Estado, falido, venha reduzindo drasticamente o montante de investimentos neste setor, além de orientar sua política no sentido de estabelecer parceria com a iniciativa privada de modo a viabilizar tais intervenções .Estas, em sua grande maioria, parecem não mais comportar , em virtude do alto custo envolvido, restaurações, no sentido mais tradicional do termo. A exploração, sobretudo turística, dessas áreas tem se apresentado como a grande alternativa de viabilização da preservação desse patrimônio, uma vez que se coloca como conciliadora de duas posturas historicamente em conflito: mercado e preservação. São inúmeros os exemplos de países nos quais o turismo tem sido uma fonte de captação de divisas e geração de empregos, responsável, inclusive, por um percentual significativo do produto interno bruto desse países.Entretanto, o que se questiona é o impacto dos planos de incremento ao turismo sobre a estrutura social dessas áreas que, em grande parte têm passado por processos de gentrificação com expulsão de grande parte da população original. A questão que se coloca é a inserção dessas formas e ações de intervenção num processo mais amplo - a pós-modernidade - na qual conceitos como memória e identidade permeiam os discursos preservacionistas.Numa tentativa de reflexão mais profunda sobre tais questões , este trabalho estrutura-se em duas partes consecutivas e complementares. A primeira refere-se a um corte temporal no qual é discutida a evolução do conceito de patrimônio, com especial destaque para as recomendações da UNESCO. A segunda, diz respeito a algumas experiências nacionais e internacionais, bem sucedidas ou não, de articulação entre preservação do patrimônio cultural urbano e exploração turística.
Método e Técnica de Pesquisa
Quantitativo