Modo de vida, imaginário social e cotidiano
Desigualdades Sociais e Oportunidade Educacional: a produção do fracasso
Que Favelas são essas?
Constata o crescimento do comércio formal moderno e da oferta de serviços especializados nas favelas do Rio de Janeiro, em especial na Rocinha. Afirma que a imagem da favela que nos chega através da imprensa e do cinema não corresponde a essas transformações. Ambas insistem na birosca, no barraco, na criação de aves e animais, nos becos imundos, nos terreiros de umbanda, na preparação para o carnaval e, mais recentemente, no tráfico, como os traços mais representativos dessas localidades. Chama a atenção para a impossibilidade de manter o velho discurso sobre a favela carioca, no qual ela aparece como o território-mor da pobreza e da cultura popular, um enclave dentro da cidade, excluído dos processos econômicos gerais, a outra metade de uma cidade partida onde a vida local se reduz à violência e à pobreza. E aponta os dogmas que inspiram quem pensa, age e olha as favelas de fora, para tentar entender os motivos da insistência nas representações da antiga favela e da associação entre favela e pobreza: a singularidade da favela; a favela enquanto locus da pobreza; o tratamento político e analítico da favela enquanto unidade. O artigo conclui apontando a necessidade de comparar as favelas com outras áreas da cidade para discutir a especificidade ou não desses espaços, e afirmando que falar da favela como a outra metade da cidade é cair em uma visão dualista, é desconhecer a cidade como uma totalidade, ainda que desigual.
As Escolas Comunitárias e a Participação Feminina
Resultado de pesquisa exploratória, realizada com técnicas, educadoras e mães de quatro escolas comunitárias, duas na Rocinha, uma no Andaraí e outra em Vila Kennedy, as duas primeiras criadas em 1981 e as duas últimas em 1983. Examina o significado da existência de um espaço coletivo, fora do lar, onde a mulher possa conversar sobre sua vida, indagar sobre questões mais íntimas etc. Analisa o trabalho das mulheres em algumas Escolas Comunitárias mantidas pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, com assessoria do UNICEF. Procura estudar a maneira pela qual a condição feminina é tratada no dia-a-dia dessas experiências, e a forma como elas repercutem na vida daquelas mulheres. Os aspectos centrais das indagações correspondem: à repercussão nos planos pessoal, familiar e comunitário; a alguns aspectos da visão de mundo dos técnicos, educadores e mães dessas escolas; e ao tipo de educação ministrada às crianças. O artigo conclui que o trabalho aumenta a auto-confiança e a auto-estima das mulheres tanto sob o aspecto individual quanto social, revalorizando o espaço entre a vida pública e a vida privada. O artigo é resultado de pesquisa coordenada por Ana Maria Brasileiro e Maria America Ungaretti, e foi elaborado por Paulo Roberto Arantes.