Tipo de material
Dissertação Mestrado
Autor Principal
Ferreira, Regina Fátima Cordeiro Fonseca
Orientador
Luiz César de Queiróz Ribeiro
Local da Publicação
Rio de Janeiro
Descrição Adicional
A década de 80 no Brasil é marcada pela crise econômica mundial e pelo processo de redemocratização do país, que reacendeu o debate sobre o planejamento das cidades a partir da elaboração da Constituição Federal de 1988 e a definição de obrigatoriedade dos Planos Diretores para os municípios com mais de 20.000 habitantes. Este debate entra pela década de 90, absorvendo mudanças na atuação dos governos locais em função do agravamento da crise econômica e da falência financeira do Estado. Num período curto, o debate sobre o Planjemento Urbano no Brasil vai ser retomado, recebendo a influência de dois modelos de planejamento: o planejamento urbano baseado no controle do uso do solo e na participação do cidadão na gestão da cidade e o planejamento baseado na gestão por projetos estratégicos e na parceria público-privada. Estes dois modelos caracterizam dois momentos da história política do país, de redemocratização do Estado Brasileiro e de ascensão das políticas neoliberais, e representam duas formas de conceber a cidade. A finalidade desta dissertação é investigar estes dois momentos recentes do planejamento no Brasil e os respectivos modelos de gestão que eles expressam - a gestão democrática da cidade e a estratégica - através de análise de dois estudo de caso: do Plano Diretor Decenal e do Plano Estratégico, ambos elaborados para a cidade do Rio de Janeiro, em épocas muito próximas (1992 e 1995, respectivamente). O percurso metodológico escolhido foi, inicialmente, o de estudar as matrizes teóricas e as origens dos dois modelos de planejamento para, em seguida, analisar os processos e a metodologia de elaboração, os planos e os respectivos diagnósticos. Numa etapa final, Plano Diretor e Plano Estratégico foram confrontados, comparando-se as conjunturas políticas (que os originaram), as metodologias, os atores, os conceitos, as propstas, os projetos de cidade pretendidos e as inovações.
Por último, os dois modelos de gestão - dos quais os planos são instrumentos - foram também analisados, buscando-se identificar as diferenças e caracterizar a gestão democrática e a estratégica, a partir da construção dos principais pontos que constituem a base de cada modelo. Os resultados da análise realizada nesta dissertação apontam para um conflito entre os dois modelos, estabelecido em função da relação entre duas lógicas, a lógica do cidadão e a lógica do mercado, ambas presentes e em disputa no planejamento da cidade.
Referência Temporal
Final do século XX