Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Fernandes, Edésio
Título do periódico
Illegal Cities,
Local da Publicação
^b Zed Book
Resumo
O processo de industrialização e urbanização que se iniciou no Brasil nos anos 1930, quando menos de 30 por cento da população vivia em áreas urbanas, provocou mudanças dramáticas nas ordens socieconômica e espacial do país, bem como graves problemas ambientais. Depois de cinco décadas de intenso crescimento urbano, cerca de 80 por cento da população brasileira passou a viver em cidades, sendo que 40 por cento da população urbana está estabelecida em áreas metropolitanas. O afluxo populacional desordenado para estas áreas resultou no fato de que as cidades modernas do Brasil estão cercadas por periferias extremamente pobres, geralmente constituídas por assentamentos ilegais, onde os próprios residentes definem os padrões habitacionais. Mesmo em áreas ricas pode-se observar, lado a lado, contruções de mais alta qualidade e milhares de favelas, que foram o resultado da invasão de terras. Se for tomado em consideração o meio pelo qual a pessoa tem acesso a terrenos e moradias urbanos, pode-se verificar que 60 por cento da população das grandes cidades brasileiras vive em moradias ilegais. Esta situação é devida a diferentes e complexos fatores. O artigo se propõe a discutir dois deles que, além de fundamentais, são complementares. De um lado, até a promulgação da Constituição de 1988, a proteção e a defesa do direito de propriedade privada eram absolutas, o que impedia uma intervenção efetiva do Estado no uso e desenvolvimento da propriedade urbana. Pela mesma razão, quando chamado a decidir entre interesses conflitantes, o judiciário tendia a favorecer os direitos individuais, em detrimento das restrições legais orientadas para a sociedade no uso da propriedade urbana. Esta postura está vinculada a fatores históricos, já que os séculos em que o Brasil esteve submetido ao regime colonial, fez com que a mioria ds propriedades brasileiras fesse privada, o que explica a quase inexistência de espaços públicos, Por outro, a falta de atenção às questões urbanas e territoriais na Constituição, além do contraditório sistema federalista adotado no Brasil, eterniza controvérsias legais e conflitos institucionais entre as administrações federal, estadual e local. Assim, como o Estado não consegue viabilizar uma intervenção efetiva nas áreas urbanas, esta vem sendo feita de forma elitista e antidemocrática. Porém, após a implementação da Constituição de 1988, as constituições estaduais e municipais fortaleceram-se, o que possibilitou a execução de diversos experimentos no gerenciamento urbano. O sucesso destas iniciativas locais dependerá, acredita o autor, da consolidação da ainda frágil democracial, especialmente no que diz respeito à promoção da justiça social. O autor considera essencial que a população marginalizada seja prontamente incorporada à sociedade civil. Além disso, apesar de a reforma urbana não ser conferida pela lei, ela deve estar inserida no processo político.
Método e Técnica de Pesquisa
Quantitativo