Tipo de Material
Artigo de Periódico
Autor Principal
Magrini, Alessandra
Título do periódico
Energia e Crise,
Local da Publicação
Petrópolis ^b Vozes
Resumo
Neste trabalho se entende que a questão nordestina não é um problema conjuntural. Também não é energético. É um problema estrutural de longa data, síntese nua e crua, onde as dinâmicas que pulsam e compulsam as transformações da sociedade brasileira se processam com exacerbado ímpeto. Assim, a perda de autonomia perante a voracidade mais eficiente de outros agentes do capital, a concentração aguda da propriedade, a dominância de tecnologias capital-intensivas, as massas de força de trabalho submetidas a relações predatórias, a gravidade do desemprego e subemprego, a precariedade das condições de vida de enormes contingentes populacionais sem meios, nem autonomia para decidir seu próprio destino (em face da onipotência do Estado e dos grupos sociais que dele se utilizam), enfim, a perversidade do capitalismo brasileiro tem seu lócus privilegiado no Nordeste. Este estudo, ao avaliar sumariamente os últimos vinte anos de modernização do Nordeste, procura mostrar que a energia foi o alimento cuja apropriação centralizada permitiu azeitar, com eficiência, a máquina do desenvolvimento da Região, reforçando as tendências regressivas do modelo. Deste modo, as ricas aptidões energéticas regionais, bem como suas demais potencialidades, foram extorquidas e injetadas num desenvolvimento de cujos frutos a Região foi e continua sendo esvaziada, com a conivência dos grupos sociais regionais dominantes que, nesse processo, reforçaram sua rapacidade perante multidões sociais, inermes. A seca impiedosa que se abatia à época da pesquisa (e sempre) sobre o Nordeste traz aos brasileiros a imagem cruel de sua própria impotência para criar as saídas à crise em que o Brasil vem se afundando.
Referência Temporal
1964-1984