Tipo de material
Tese Doutorado
Autor Principal
Giorgetti, Camila
Orientador
Maura Pardini Bicudo Verás e Serge Paugam
Local da Publicação
São Paulo
Instituição
PUC-SP e IEP-Paris
Descrição Adicional
Resumo:Nas sociedades francesa e brasileira transitam diversas representações sociais da pobreza e de suas formas de expressão. Ao lado das idéias sobre periferias, cortiços e favelas, estão aquelas sobre moradores de rua.Tais representações são frutos culturais gestados ao longo de sua história político-econômica e das concepções individuais sobre o problema. A maioria das pesquisas envolvendo os moradores de rua da França e do Brasil analisou quer os condicionantes do surgimento desse tipo de população, suas características e políticas sociais desenvolvidas, quer os efeitos das tais representações na identidade dos moradores de rua. Esta tese pretende apreender, comparar e analisar as representações sociais que fundamentam os preconceitos positivos e negativos em torno do morador de rua. Nossa investigação sustenta-se sobre dois pilares fundamentais: as representações da sociedade sobre o problema dos moradores de rua e o tratamento institucional e individual que lhes é concedido, tendo a hipótese diretriz de que quanto maior o preconceito negativo em relação ao morador de rua, menor seria a possibilidade de ter reconhecida sua cidadania.A variação de conteúdo e de densidade das representações é medida por intermédio das notícias de jornais, das leis, dos valores associados a essa população, levando-se em consideração a presença e a escala da pobreza nas sociedades em questão. Os conceitos implicados são: representação social, exclusão social e políticas sociais. Para realizar este estudo de caráter comparativo, recorremos aos seguintes procedimentos: clarificação teórica e debate conceitual, com vasto levantamento bibliográfico, acompanhados estes procedimentos de contextualização histórica dos dois Países e das metrópoles (dados secundários e bibliografias). A construção de indicadores versou sobre as práticas institucionais e a visibilidade dos moradores de rua atribuída pela imprensa, notadamente pelos jornais Folha de São Paulo e Le Monde. Como fontes documentais, compilamos os projetos de lei e as leis já em vigor que abordam direta ou indiretamente a questão do morador de rua nas duas cidades analisadas. A pesquisa de campo quantitativa e qualitativa teve papel destacado. Elaboramos duas versões de questionário nas línguas portuguesa e francesa para as seguintes categorias: agentes sociais, políticos e transeuntes (total, foram entrevistadas 1.116 pessoas, 537 franceses e 579 brasileiros). Os dados coletados foram submetidos a uma rigorosa análise estatística, mais precisamente a análises fatoriais de correspondência múltipla. Trinta pessoas - 15 brasileiros e 11 franceses - se submeteram a entrevistas realizadas com o auxílio de um gravador sobre assuntos relevantes para a pesquisa, não abordados no questionário. Os resultados indicam que tanto em São Paulo como em Paris observa-se dupla freqüência, tanto de representações e atitudes higienistas, como de respeito à cidadania. O problema do morador de rua não se constituiu, porém, numa questão social em São Paulo. É possível notar alguns indícios de que a tão almejada transformação social, capaz de restituir a dignidade aos moradores de rua, cumprindo as promessas de igualdade, não ocorrerá sem uma profunda modificação das representações sociais.
Palavras chave
pobreza
moradores de rua
população em situação de rua
discurso
representação
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo
Referência Espacial
Especificação da Referência Espacial
Paris