Parâmetros Curriculares Nacionais e a transversalidade da temática da sexualidade juvenil no Ensino Fundamental: a contribuição do Serviço Social
Este estudo tem como foco os pressupostos e as possibilidades de intervenção do Serviço Social na área da educação, frente às questões emergentes na sala de aula acerca da sexualidade juvenil no ensino fundamental, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais PCNs, previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação -LDB. O interesse pelo tema surgiu a partir do encaminhamento ao Serviço Social de situações vinculadas à sexualidade por parte dos professores de uma escola municipal de Cordeirópolis, que emergiram em sala de aula ou em contextos dentro da escola. A partir da análise da construção histórica da sexualidade, identificamos as principais demandas instaladas no debate acerca da sexualidade e o lugar do tratamento desse tema no projeto pedagógico do ensino fundamental amparado pela Política de Educação. O estudo também mereceu uma reflexão acerca do debate acumulado na profissão acerca das atribuições do assistente social na área da Educação, bem como a indicação dos pressupostos e às possibilidades de intervenção do Serviço Social a partir da demanda em torno das questões da sexualidade particularizadas à condição social dos alunos. Além de textos de vários autores que tratam do tema, analisamos os documentos de referência como a Constituição Federal (CF/88), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB/1996), o Plano Nacional de Educação (PNE/2001) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs/1997). A pesquisa empírica, de caráter exploratório e qualitativo, incidiu na coleta de dados junto aos professores da quinta série do ensino fundamental das escolas públicas de Cordeirópolis, no interior do Estado de São Paulo, com o objetivo de analisar as formas de manifestação da sexualidade como demanda; as vivências do sujeito envolvido com o tema; a compreensão em relação à orientação sexual e à educação sexual; o lugar do debate acerca da sexualidade no currículo e a dos educadores para tratar o tema em sala de aula. Como resultado, foi possível perceber com este estudo que é urgente uma releitura da proposta dos PCNS, considerando a realidade precária de muitas escolas. Para que o trabalho de orientação sexual possa se efetivar, é necessário que as diferentes crenças e valores, as dúvidas e os questionamentos sobre os diversos aspectos ligados à sexualidade encontrem espaço para se expressar. A educação pode ser o espaço para efetivar, com mais eficácia, o projeto ético-político do Serviço Social, que vislumbra a cidadania plena da pessoa em desenvolvimento. Com essa perspectiva, entendemos que a temática abre uma possibilidade fértil para o trabalho do assistente social, pois responder a uma demanda carregada de tabus, estigmas e preconceitos, como é o caso da sexualidade no espaço escolar, é um grande desafio para pensar em estratégias de intervenção frente à realidade.