Resumo
Apesar de projetada com o objetivo exclusivo de ser o centro das altas decisões nacionais, Brasília tornou-se também um pólo de desenvolvimento regional, atraindo fluxos migratórios contínuos desde as áreas mais carentes e pobres do país. Disto resultou um forte adensamento populacional, que a cidade, rigorosamente, não estava preparada - nem vocacionada - para receber. Desenhou-se, então, uma contradição, que, até hoje, Brasília não soube - ou não teve - como resolver: de um lado, o imperativo de manter a monofuncionalidade político-administrativa da cidade; de outro, a necessidade de acomodar a população que aqui chegava, em levas constantes e crescentes, mediante a expansão das atividades econômicas, na agricultura e na indústria. Ou seja, como pólo de desenvolvimento regional, Brasília deveria, em tese, incentivar as atividades industriais e agrícolas, mas, como Capital da República, seu território estava rsevado apenas à monofuncionalidade, ficando impedida, nclusive por dispositivos legais, a implantação de qualquer atividade que viesse descaracterizar aquele propósito. A esta contradição principal somou-se outras tantas contradições secundárias, as quais foram discutidas no documento preparado pelo IPEA/NEUR/CODEPLAN/IPDF (1997:18). 1- O modelo e aconcepção arquitetônica da cidade visava, antes de tudo, a socialização dos espaços. Contudo, a manutenção do Plano Piloto, livre dos excedentes populacionais que violassem o projeto inicial, acabou por desencadar um processo de segregação sócio-espacial, com graves custos sócio-governamentais, como o crescimento urbano desordenado, o aumento da violência, a crescente pressão sobre equipamentos e serviços de saúde, educação e infra-estrutura, entre outros efeitos; 2- O Plano Pilotp foi um espaço planejado no Distrito Federal, mas o quadrilátero, como um todo, não. Desta forma, a preservação do Plano Piloto tornou-se sinônimo de hermetismo às custas, sem dúvida, do desordenamento dos demais núcleos populacionais periféricos, os quais, por sinal, não constavam do projeto inicial do urbanista Lúcio Costa; 3- O Distrito Federal, apesar de jovem (tem apenas 37 anos) exibe, hoje os mesmos problemas que afligem as principais cidades brasileiras: concentração populacional, violência, desemprego, pobreza e exclusão social. As contradições apresentadas poderão ser melhor analisadas a partir do entendimento das diversas fases de formação dos espaços urbanos do Distrito Federal. Mais especificamente, as fases que compreendem a construção da cidade, de 1956 a 1960, a consolidação e expansão do espaço urbano, de 1960 a 1979, o período de acomodação espacial, de 1980 a 1988, e a nova expansão urbana,a partir de 1988.