Autor Principal
Pimenta, Margareth de Castro Afeche
Local da Publicação
Campinas
Descrição Adicional
V Seminário História da Cidade e do Urbanismo
Resumo
Araranguá, pólo da microregião do extremo sul do Estado de Santa Catarina, guarda, ainda, as marcas do plano original de 1886, no desenvolvimento de sua malha urbana. Associando os modelos coloniais e renascentistas - como os bastides francesas ou as poblaciones espanholas - às influências das grandes intervenções urbanísticas de meados do século passado europeu, o plano do Engenheiro Mesquita elabora uma trama reticulada, associada a amplas avenidas longas e retilíneas. Ao plano projetado, a cidade acrescenta a praça cívica e religiosa, combinando-o com a antiga tradição dos modelos baseados nas Leis da Índias. Assim, durante algum tempo, Araranguá seguiiu este sistema de organização do seu espaço, compondo uma cidade dotada de legibilidade. A praça central agregava os componentes da vida de relações, enquanto espaço simbólico de representação e de realização das múltiplas trocas entre os participantes da comunidade urbana. O traçado generoso das avenidas dotava a cidade de uma certa qualidade ambiental e uma maior visibilidade. O período expansionista de economia nacional, iniciado no final dos anos 60 traria, no entanto, profundas alterações na lógica do desenvolvimento urbano de Araranguá. O desenvolvimento do mercado interno, vinculado á política de apoio do setor exportador deram impulso ao crescimento do setor produtivo, a partir do aproveitamento de uma enorme capacidade ociosa do parque industrial instalado.As estratégias do Plano Estratégico de Desenvolvimento de 1967 apontavam para a concentração dos investimentos estatais em infra-estrutura e nos setores-chave para a consolidação do crescimento industrial. Tais metas são complementadas pelo I PND de 1972-74, que moderniza a agricultura, cria incentivos à exportação de produtos agrícolas e de bens manufaturados, reforça a política creditícia e de concessão de isenções fiscais e juros favorecidos. O dinamismo do setor industrial no período apoiou-se, no entanto, fundamentalmente, na demanda interna. Um dos pilares da política econômica do período foi constituído, certamente, pelos investimentos efetuados no setor da construção civil, com a constituição do Sistema Financeiro da Habitação, cujos objetivos primordiais seriam a geração de empregos e a diminuição do enorme déficit habitacional brasileiro. A área da construção civil passou a contar, então, com fartos recursos do BNH, criado em 1964 e que, a partir de 1966 contaria com os recursos do FGTS, das Sociedades de Crédito Imobiliário (SCIs) e das Associações de Poupança e Empréstimo (APEs), bem como uma fração significativa dos recursos das caixas econômicas. Estes investimentos da política habitacional marcaram decisivamente o processo de expansão das cidades brasileiras, configurando uma ocupação dispersiva e periférica do solo urbano, com baixas densidades e elevados custos de infra-estrutura e serviços.
Método e Técnica de Pesquisa
Qualitativo