Processos de urbanização
Produção urbana da cidade contemporânea: os rebatimentos morfológicos dos condomínios urbanísticos e loteamentos fechados de alto padrão da Avenida Professor João Fiúsa e Rodovia José Fregonesi no tecido urbano de Ribeirão Preto/SP
O trabalho analisa as dinâmicas territoriais contemporâneas e os fluxos de metropolização promovidos em áreas de expansão urbana, tendo como estudo Ribeirão Preto, cidade de médio porte localizada no interior do estado de São Paulo/Brasil. O município, com área de 650,955 Km², apresenta 604.682 habitantes, conforme o censo de 2010 promovido pelo IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. É um dos principais parques agroindustriais brasileiros compondo a terceira região de maior relevância econômica do estado de São Paulo - principal região econômica do país -, com um produto interno bruto per capita igual a 28.100,52 reais [sendo o produto interno bruto per capita brasileiro igual a 21.252,41 reais, segundo o mesmo censo]. O período entre a década de 1980 e os anos 2000 foi marcado por um extraordinário desenvolvimento econômico da região de Ribeirão Preto com desdobramentos na urbanização de seu território contíguo. De forma semelhante ao que ocorreu nas principais metrópoles brasileiras, a cidade passou a produzir e experimentar situações urbanas decorrentes das novas lógicas de organização econômica e social, com particular articulação em relação aos interesses imobiliários. A lógica do mercado imobiliário, coligada ao modelo de acumulação vigente nos últimos quarenta anos - marcado pela financeirização da economia -, possui rebatimentos na configuração do espaço urbano. A privatização de frações consideráveis do território, principalmente em áreas de expansão, apresenta-se como produto e preceito da conformação espacial atual, colaborando para o acirramento de processos de segregação morfológica e social dos ambientes urbanos e de transformação dos valores públicos e culturais. Este modelo de expansão, cindido da conformação histórica da cidade e alimentado pela flexibilização da legislação urbana, cria condições para o surgimento de problemas que associam um desenho urbano tributário da iniciativa privada a processos de gentrification. A resultante é uma urbanização dispersa, contudo, conectada à estrutura urbana existente por um viário que estimula o transporte individual em detrimento de sistemas coletivos. O problema de tal constituição urbana não está no fato de responder às demandas provenientes do novo modelo de acumulação, mas sim de reduzir-se apenas a isso, voltando-se exclusivamente às dinâmicas econômicas e, portanto, estando divorciada das dimensões políticas e de cidadania da sociedade. O trabalho busca compreender as novas produções em curso dos espaços urbanos, investigando as privatizações de áreas significativas do território de Ribeirão Preto: os condomínios urbanísticos e loteamentos fechados de alto padrão [de usos habitacionais e mistos] localizados em áreas de expansão urbana, particularmente implantados em regiões adjacentes à Avenida Professor João Fiúsa e à Rodovia José Fregonesi [SP-328], os quais parecem prescindir do conceito de cidade conformada historicamente, produzindo no limite [e contraditoriamente] um urbanismo sem cidade.
Projetos de habitação popular como projetos de cidade moderna: os conjuntos habitacionais dos IAP na Grande São Paulo de 1930 a 1964
Neste trabalho propomos a análise dos conjuntos habitacionais empreendidos pelos Institutos de Aposentadoria e Pensões entre os anos de 1930 e 1964 na então Grande São Paulo dentro da concepção de cidade moderna, ou seja, como projetos que, para além de moradias, sustentavam o caráter de projetos urbanísticos, inseridos no processo de urbanização paulistano. A partir da revisão e delimitação do marco teórico foi feita a caracterização de projetos de cidades modernas e projetos de habitações populares e, ainda, da urbanização da cidade de São Paulo. Foram realizadas visitas técnicas aos conjuntos habitacionais dos IAP, além de levantamentos em fontes primárias e secundárias a respeito destes empreendimentos. Consideramos, tomando nossos estudos, que é possível compreender que, no âmbito da produção dos IAP, a cidade que se construiu com a implantação destes conjuntos habitacionais foi (ou poderia ter sido) a cidade moderna.
A experiência construtiva na obra de Arnaldo Martino: treze projetos residenciais
Este trabalho vêm apresentar a biografia de Arnaldo Martino. A partir da apresentação cronológica de parte de seus projetos, pretendemos descortinar sua obra, permeada por breves contextualizações, inserindo o arquiteto, na história recente da arquitetura paulista. Expondo suas principais formas de atuação profissional, em seu escritório, como docente e nos órgão de classe, onde o fio condutor é a produção do arquiteto. Embasado em um breve apanhado histórico do programa da casa urbana paulista, estudamos mais detidamente treze residências projetadas pelo arquiteto, entre 1965 e 2003, construídas em São Paulo e no Loteamento Patrimônio do Carmo, cujo projeto de implantação também é do Arnaldo. Com base nestas análises detectamos algumas características de sua obra, transformações e permanências em sua síntese projetual. Por fim, um breve balanço das possíveis causas desta vasta produção de inquestionável qualidade que ainda está por descortinar. Como trata-se de um primeiro estudo sobre Arnaldo Martino e sua obra, a maior parte das fontes empregadas são primárias, geradas a partir da digitalização das pranchas originais do acervo do arquiteto, utilizadas ora como ilustração, ora para redesenho das residências selecionadas para análise, que também foram visitadas produzindo um ensaio fotográfico atual. Com isso pretendemos diminuir uma lacuna na historiografia da arquitetura moderna paulista, e da FAU-USP, revelando a obra de um importante nome do período, que muito contribuiu para a arquitetura enquanto obra, e para o projeto como disciplina autônoma.
Construção, arquitetura e configuração urbana de Campinas nas décadas de 1930 e 1940: o papel de quatro engenheiros modernos
A presença alemã na construção da cidade de São Paulo entre 1820 e 1860
Práticas de apropriação e produção do espaço em São Paulo: a concessão de terras municipais através das cartas de datas (1850-1890)
As Cartas de Datas de Terra são s fundamentais para o estudo da história da estrutura fundiária da cidade de São Paulo. Herança do período colonial persistente durante quase todo o século XIX, trata-se do meio de solicitação à Câmara de um lote de terreno no rossio - patrimônio municipal. A presente pesquisa tem por objetivo desvendar os mecanismos teóricos e práticos através dos quais esses lotes foram concedidos após a lei nº 601 de 1850, a Lei de Terras. Para tanto, analisamos quarenta anos de práticas camarárias na tentativa de quantificar e qualificar os requerentes, espacializar as áreas de maior incidência das concessões, buscando verificar um possível padrão na distribuição dos lotes. A pesquisa acompanha todo o processo de transformação da terra em ativo financeiro em substituição ao escravo, cobrindo o período de 1850 a 1890, balizas cronológicas correspondentes respectivamente à Lei de Terras e ao Registro Torrens. O Registro Torrens estabeleceu novos procedimentos para o cadastramento de terras, viabilizando dessa forma a criação de uma base hipotecária sólida. Com a consolidação do crédito, a terra tornou-se ativo financeiro. Três anos após a criação desse cadastro, as concessões de datas de terra foram extintas, sinalizando o final de um processo de domínio útil ou relativo da terra (concessão) ao domínio pleno (propriedade privada).
Arquitetura pela torre: Avenida Paulista 1960-80 e Marginal do Rio Pinheiros 1980-90
Um ideário urbano em desenvolvimento: A experiência de Louis-Joseph Lebret em São Paulo de 1947 a 1958
O trabalho insere-se no estudo das visões e presenças estrangeiras na cidade de São Paulo no período procurando localizar o campo teórico e conceitual que embasa as proposições urbanísticas formuladas acerca de seu processo de modernização, desenvolvimento e metropolização. O foco recai no paradigma introduzido por Louis-Joseph Lebret de "Desenvolvimento Harmonizado" a partir da atuação nos países considerados do "Terceiro Mundo", no segundo pós-guerra, considerando seus conteúdos de inovação do ponto de vista da abordagem da problemática urbana, bem como o peso que teria na redefinição do campo urbanístico em São Paulo. A pesquisa tem como recorte específico a atuação e presença de Lebret na cidade entre 1947 e 1958.
Terras públicas e usos privados, áreas reservadas no parcelamento do solo: Estudo de caso para o município de Santo André
O presente trabalho trata das áreas reservadas para uso comum, nos projetos de parcelamento do solo urbano do município de Santo André, com o objetivo de analisar os atuais usos públicos ou privados dessas áreas, originalmente designadas como "bens de uso comum do povo". A abordagem do tema buscou estabelecer relação com os instrumentos de concessão de terras públicas, no período colonial e a partir do século XX, com as diversas leis que regulamentaram o parcelamento do solo urbano. Com esse quadro histórico, demonstra-se que, muitas vezes, os instrumentos legais privilegiaram os interesses privados, em detrimento do uso público. Para viabilizar a análise proposta, foram a princípio identificadas as áreas reservadas para uso comum nos loteamentos de Santo André, verificando-se posteriormente os usos cadastrados para essas áreas no banco de dados do município. Por outro lado, averiguou-se com especial atenção as áreas do município declaradas, por lei municipal, como Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), observando se estas haviam sido designadas para uso comum, nos processos de parcelamento do solo. Os resultados da análise indicaram que muitas áreas reservadas para uso comum estão hoje destinadas a formas de utilização distinta da originalmente prevista.